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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Em Portugal, O Poder Descai!

 

Por razões familiares não pude presenciar a mais um debate inserido no Ciclo “Olhares Cruzados sobre o Porto” que a Universidade Católica e o Jornal Público têm organizado com elevado brilhantismo e expressiva participação.

Soube, no entanto, por amigos e pelas notícias dos jornais, os ecos e os principais sublinhados desse debate que teve como oradores, para além do anfitrião, Prof. Dr. Alberto de Castro, o jovem Presidente da Unicer,  António Pires de Lima e o resistente Pároco de Aldoar, Padre Lino Maia, um verdadeiro guerrilheiro da pobreza e da exclusão social.

O tema em apreço era o desemprego e o empobrecimento do Norte. Para além do diagnóstico conhecido que mostra que o desemprego é mais desfavorável no Norte do que no resto País – mais intenso, mais focado nas mulheres, nos jovens e nos menos escolarizados, foram sugeridos pelo Presidente da Unicer dois motivos de relevo que fundamentam este reconhecido “empobrecimento”:

O primeiro motivo é o modelo económico do Norte muito assente em indústrias tradicionais que não souberam antecipar a necessidade de encontrarem um novo paradigma de desenvolvimento económico, em que o “eixo de competitividade” das empresas migra de factores comparativos, como a mão-de-obra barata, para factores dinâmicos como a marca e o design.

O segundo motivo, afirmou o Presidente da Unicer, é que os empresários do Norte esqueceram-se de investir nas “competência relacionais” porque em vez de irem todos ao mesmo restaurante como os empresários de Lisboa, os empresários do Norte “comem em casa ou na cantina da fábrica”.

O Dr. António Pires de Lima sabe bem que os nossos sectores tradicionais anteciparam muito melhor do que os habituais arautos da desgraça vaticinavam, a referida mudança de paradigma. O desempenho recente do Têxtil e do Calçado portugueses, são exemplo paradigmático do referido. São dos sectores que melhor resistiram a uma acelerada e agressiva globalização e que, hoje, mais contribuem para o incremento das exportações portuguesas.

A verdade é que o fizeram á custa de deslocalizarem, ou mesmo abandonarem aquelas dimensões produtivas que mais se associam à mão de obra intensiva, com consequências perversas, mas previsíveis sobre o emprego da Região.

 Tão previsíveis que eu julgo que a culpa deve ser procurada não neste instinto de “sobrevivência empresarial” que os empresários do norte afinal tiveram, mas na falta de políticas públicas activas de formação e de emprego, que compensassem a mudança de paradigma económico imposto pela globalização e pela modernidade.

O Dr. António Pires de Lima sabe bem que os empresários portuenses não têm como desenvolver “competências relacionais” num País com esta tamanha macro-cefalia. A não ser perdendo muitos dias e muito dinheiro em trânsito para Lisboa, para manterem uma relevante assiduidade nesses “restaurantes relacionais” onde o País se decide.

Por saber destas coisas é que Dr. António Pires de Lima que começou já a aprender o Norte, acabou por concordar que o principal fundamento deste empobrecimento reside, afinal, no reconhecimento, finamente sugerido por Alberto de Castro, de que em Portugal “o Poder descai”.

 

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 

 

 

 

 

 

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