
Calculo que durante os 18 anos que estive o Expresso participei em 1500 reuniões com gente de Lisboa. Apenas recordo um único incidente desagradável dessas 500 ou 600 horas de reunião.
Não me lembro do tema mas a discussão acalorada atingiu o clímax quando um colega meu, à época subdirector, desatou a gritar comigo e pôs um ponto final na sua argumentação berrando: «Era o que me faltava agora vir um gajo do Porto dar-me lições sobre jornalismo!».
O director adjunto que dirigia a reunião teve a arte de serenar os ânimos. E o subdirector exaltado teve a humildade de me telefonar, à tarde, a pedir-me desculpa do sucedido, evitando com este gesto bem educado que o incidente da manhã envinagrasse a nossa boa amizade.
O incidente ficou sepultado, mas passei a estar consciente que a minha denominação de origem geográfica atenuava a credibilidade das opiniões que expresso.
Lembrei-me deste episódio há pouco mais de um mês, quando participava numa sessão dos Olhares Cruzados sobre o Porto (uma louvável iniciativa do Público) e o presidente da Associação Comercial do Porto se lamentou dos tiques centralistas dos lisboetas.
Explicou Rui Moreira que a decisão da sua associação de encomendar um estudo sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa foi recebida com desdém na capital.
Perguntaram-lhe o que é nós, do Porto, tínhamos a ver com o assunto, como se a nossa condição de portuenses nos inibisse de nos pronunciarmos sobre questões com epicentro a sul de Aveiro – o que até poderíamos aceitar se o dinheiro dos nossos impostos fosse apenas usado para financiar investimentos públicos a norte de Aveiro.
Augusto Santos Silva, que tinha dado o pontapé de saída na discussão, não poupou nas palavras quando se tratou de concordar com Rui Moreira. Disse que, por ser do Porto, era «vítima de racismo» em Lisboa e documentou a afirmação. Na escolha de Guilherme Costa para presidir à RTP foi acusado de estar nomear «os amigalhaços do Porto».
Os exemplos dados destes «racismo» foram vários, designadamente a revolta escrita de Fernando Rosas quando da decisão de instalar no Porto o Centro Português de Fotografia («E como é agora? Temos de ir ao Porto quando precisarmos de consultar os arquivos?!!», indignou-se o bloquista) e a frieza com que Isabel Pires de Lima foi recebida na capital - «Era preciso ir ao Porto para arranjar uma ministra da Cultura?».
A palavra empregue ( racismo) pode ser forte, mas ilustra bem a situação. E já agora deixem-me dizer uma das coisas que me mais me meteu impressão. O ministro dos Assuntos Parlamentares queixa-se de ser vítima de racismo por ser do Porto, perante uma plateia cheia de jornalistas mas ninguém achou relevante reportar isso aos leitores dos seus jornais.
Na semana passada, Santos Silva voltou a dizer a mesma coisa aos microfones do Rádio Clube. Mais uma vez ninguém achou importante publicitar esta queixa e (por exemplo) perguntar as outros portuenses que vivem e trabalham em lugares de destaque, em Lisboa, se também eles se sentem descriminados.
O jornalismo é um lugar estranho.
Jorge Fiel
www.lavandaria.blogs.sapo.pt
Esta crónica foi publicada esta semana no diário económico Oje (www.oje.pt)
Guru
Potente!
Fica-me outra dúvida: o que é um lisboeta? Sabendo que em Lisboa um tipo que não vai nestas alturas "à terra" é um sem-terra... e que Lisboa por estas alturas fica às moscas!
Há algum critério para ser lisboeta? Por exemplo, uma pessoa acumula créditos conforme o número de anos que passa em Lisboa? Estudar em Lisboa dá bonificação? Ser originalmente do Porto dá penalisação, enquanto que um aveirense (aka cagaréu) ou um natural de Viseu (como se chamam os nativos de Viseu, já agora?) não a sofre? O Miguel Sousa Tavares tem estatudo privilegiado porque só fala de Lisboa (embora fale do FCP)?
Sinto-me um pouco confusa!
Em todo o caso, mentalidade provinciana diminui sempre. Venha de Lisboa ou do Porto. E mentalidade provinciana vê-se tanto em Lisboa como em todos os outros sítios (porque o resto do país não se resume ao Porto). Há neste blogue muita mentalidade provinciana, quer de comentadores como de autores e isso tem que ser travado. Às vezes a forma sobrepõe-se ao conteúdo e neste blogue a forma nem sempre é a melhor, o que tira alguma credibilidade ao que se escreve.
De resto concordo consigo: esse racismo (e não acho uma palavra forte) é notícia e tem que ser denunciado e combatido, porque é um preconceito parvo e sem sentido.
De salboerro a 21 de Março de 2008 às 15:10
Cara Abobrinha,
Também tocou no essencial. Não se pense que é só na cidade capital que existe mentalidade cosmopolita e provinciana no resto do nosso País. Muito provavelmente o provincianismo do Porto é muito pior que o da cidade capital e, por muito que custe a mim e aos meus conterrâneos da cidade do Porto, tem dado azo a que de lá nos continuem a chamar sistematicamente e com azedume PROVINCIANOS, assim com letra grande para perceberem que também o somos sem qualquer complexo.
Mas atenção aos da cidade capital, não pensem que as manifestações de provincianismo, a Norte, são predominantes, como se verifica na vossa cidade capital que já é endémico e mal intencionado. Por cá, constituem uma excepção em alguém que possa pensar possuir ainda alguma influência política ou de qualquer outra ordem, também com receptividade nos órgãos de comunicação social, bem sublimadas e ultrapassadas por mentalidades mais jovens, mais esclarecidas e mais cosmopolitas que as da cidade capital e muito capazes de levar por diante um projecto de emancipação política como a regionalização.
Mas nunca uma regionalização qualquer, como nos querem impingir com a regionalização administrativa, solução ideal para a década de 50 do século XX, logo após a desgraça gobal da II Guerra Mundial. A única solução de regionalização aceitável é só aquela que nos possa transmitir confiança efectiva numa verdadeira autonomia delimitada naquilo a que chamam Norte (designação que abomino), mas com 2 Regiões, uma no litoral (Entre Douro e Minho) e outra no interior (Trás-os-Montes e Alto Douro).
Os meus cumprimentos.
Salboerro
Sr. Salboerro.
Se o post é um facto, o seu comentário é cristalino.
Tal como o Senhor, partilho de ideia que a regionalização deveria ser autonómica e não administrativa e a norte com a divisão que sugere.
A regionalização autonómica obrigaria a gerir o dinheiro dos impostos e assim aqueles que reclamariam por um chafariz maior, ficariam a saber que o tinham de pagar.
Resumindo. Contas do Porto....
Boa Tarde a TODOS
Sr. Salboerro.
Se o post é um facto, o seu comentário é cristalino.
Tal como o Senhor, partilho de ideia que a regionalização deveria ser autonómica e não administrativa e a norte com a divisão que sugere.
A regionalização autonómica obrigaria a gerir o dinheiro dos impostos e assim aqueles que reclamariam por um chafariz maior, ficariam a saber que o tinham de pagar.
Resumindo. Contas do Porto....
Boa Tarde a TODOS
Sr. Salboerro.
Se o post é um facto, o seu comentário é cristalino.
Tal como o Senhor, partilho de ideia que a regionalização deveria ser autonómica e não administrativa e a norte com a divisão que sugere.
A regionalização autonómica obrigaria a gerir o dinheiro dos impostos e assim aqueles que reclamariam por um chafariz maior, ficariam a saber que o tinham de pagar.
Resumindo. Contas do Porto....
Boa Tarde a TODOS
Sr. Salboerro.
Se o post é um facto, o seu comentário é cristalino.
Tal como o Senhor, partilho de ideia que a regionalização deveria ser autonómica e não administrativa e a norte com a divisão que sugere.
A regionalização autonómica obrigaria a gerir o dinheiro dos impostos e assim aqueles que reclamariam por um chafariz maior, ficariam a saber que o tinham de pagar.
Resumindo. Contas do Porto....
Boa Tarde a TODOS
Caro Fiel,
No Norteamos reportamos esse facto:
http://norteamos.blogspot.com/2008/02/no-existe-xenofobia-em-portugal-i.html
De salboerro a 21 de Março de 2008 às 14:48
Caros Bloguistas Bussolares,
As posições de pessoas que pelos vistos se "armam" em proeminentes e residentes na capital, digo residentes porque a maioria das pessoas que lá reside descende de progenitores NATURAIS de outras andanças do nosso País, nomeadamente do Norte e do Porto, tratam os que não RESIDEM LÁ com desprezo e sobranceria que me parecem sentimentos muito piores que o racismo, por revelarem uma mesquinhez que é a sobrinha do ódio.
Por outro lado, são TRAIDORES às suas terras de onde são indirectamente originários, gerando sentimentos desagradáveis em relação às terras de origem por pensarem que foram obrigados a deixá-las para tentar e conseguir melhores condições de vida. Só que esquecem que os parâmtros actuais de crítica das políticas centralizadas e centralizadoras são ainda os mesmos que conduziram a essa migração do interior para o litoral e do norte para o sul e, ainda, das regiões do sul para a região da cidade capital.
Por tudo o que se referiu, os actuais habitantes da cidade capital e zonas limítrofes não querem perder as mordomias a que se habituaram, apesar de terem votado favoravelmente no referendo da regionalização, em contraponto com a posição desconforme e incompreensível de uma região como o Norte. Por tudo o que foi referido, sentem-se sempre melindrados quando alguém, fora da cidade capital ou do núcleo de influênciasa a que pertencem, consegue reunir um conjunto de qualidades e de intervencionismo capaz de os submergir com facilidade na argumentação sobre qualquer tema ou de se sentirem ameaçados de "desalojamento" dos lugares em que sencontram. O signatário também passou por situações desse tipo, relativamente às quais não faltou a intriga habitual de quem não costuma ter capacidades para realizar os trabalhos (muitos identificam com empregos - isto é, emprego para sempre) de que foram incumbidos.
O jornalismo não é um lugar estranho, os fenómenos sociais e políticos é que se nos são apresentados, muitas vezes, com uma "estranheza" de difícil explicação, onde o papel do jornalismo poderia assumir um papel importantíssimo se não enveredasse pelo sensacionalismo político ou de qualquer outra natureza.
Todos estimamos que as empresas que suportam orgânica, financeira e economicamente os jornais e outros órgãos de comunicação social, apurem resultados anuais positivos e que permaneçam sempre numa linha de rendibilidade e de equilíbrio económico e financeiro que os autonomize sempre de qualquer tipo de influência. Mas que nunca deveria ceder a exigências de sensacionalismo gerador de elementos destruidores da nossa auto-estima colectiva. Por exemplo, é muito raro observar um Telejornal que se inicie com uma notícia positiva sobre emprego, competitividade das empresas, investigação científica, papel dos investigadores portugueses nos diferentes projectos em que trabalham, inúmeras iniciativas válidas e exemplares da chamada "sociedade civil" que poderiam fazer humilhar decisões de governantes nos domínios social, cultural, patrimonial ou histórico, mas já é fácil observar notícias de raptos, violações, assassinatos, incêndios, desastres de viação, tragédias familiares com entrevistas pessoais para muito lá dos limites aceitáveis, entrevistas pangíricas de A ou de B até por razões fortuitas, em nome da chamada ACTUALIDADE. Os aspectos negativos das dinâmicas sociais e humanas são potenciados, os positivos são quase ignorados ou, então, minimizados.
Confirmo que o jornalismo não é um lugar estranho, mas está sujeito a condicionalismos que os directores, subdirectores, directores adjuntos editores e jornalistas deveriam ponderar insistentemente sem quaisquer tiques de censura, a par de um melhor apuramento da forma como se escreve a nossa língua nos jornais, onde aparece muitas vezes mal tratada, tanto na sua fórmula gramatical como estilística.
Desta vez, resultou uma intervenção fora dos meus habituais "cânones" literários e temáticos, para a qual solicito a vossa amável atenção, justificada pelo facto de algumas peças jornalisticas aparecerem como uma espécie de intervenção de última instância, relativamente à qual qualquer desmentido raras vezes é relevado com a importância da notícia inicial.
Os meus respeitosos cumprimentos.
Salboerro
De BOCAS a 21 de Março de 2008 às 18:12
Caro Salboerro,
É com enorme prazer que ultimamente leio os seus comentários aqui no Bússola.
Escreve de uma forma perfeitamente entendível " Até para um Leigo como Eu".
Aborda todos os temas de forma incrivelmente clara e irónica.
P.F. continue.
um Abraço de um Regionalista Convicto.
De salboerro a 21 de Março de 2008 às 23:49
Caros Bocas,
Espero ter condições para continuar a intervir neste blogue, da forma mais directa possível, com nuances irónicas quanto baste e quando se justifique.
Essa continuidade vai assentar arraiais somente na regionalização, não uma regionalização a regra e esquadro como alguém já a classificou, nunca uma regionalização de pendência administrativa com mais burocratas e políticos SEM visão estratégica.
As minhas intenções o objectivos relativamente à regionalização não vão ter vida facilitada, pela experiência já demonstrada noutros "locais" e por outras mentalidades que só terão vantagens na manutenção do "status quo" político e organizativo actual.
Por exemplo, quando defendo que a regionalização política poderá dar novas competências e responsabilidades à autoridade da concorrência (e a outras) no sentido de uma protecção mais efectiva e localizada dos consumidores, num verdadeiro clima concorrencial mais distribuído e equilibrado, a resposta é que ninguém acredita e basta apenas pensar um minuto nessas possibilidades quase infinitas que a regionalização política (nunca administrativa) pode proporcionar.
Já tentei uma abordagem jornalística, em tom inovador de intervenção, mas sempre foi recusada pelo jornal destinatário, não tendo obtido nunca nenhuma resposta favorável ou desfavorável, a qual poderia (deveria) ser dada até por uma questão minimalista de educação e respeito. Contudo, há jornais que nunca tomaria a iniciativa de lhes propor a publicação de um texto, por mais que se propusessem pagar, se fosse esse o caso. Não pensem que o que escrevi antes é balela ou ironia, é mesmo assim, indo ao ponto de deixar de comprar e nunca mais comprarei esse jornal. Poderei dar um outro exemplo, relativo a uma socióloga que é normalmente reconhecida como competente mas nunca comprarei nem lerei uma obra sua pela simples razão de ter tido oportunidade de ler um seu texto de opinião sobre outro sociólogo que mereceu uma inequívoca reprovação geral moral e ética.
O nosso País nunca foi nem será uma terra de oportunidades, continuará a ser uma feira de vaidades e de pequena e baixa intriga, com critérios qualificativos assentes no ESO (espírito santo de orelha) e métodos selectivos baseados no EIS (escolhido à imagem e semelhança) para dar corpo e satisfação à mediocridade a muitos níveis (EXISTEM EXCEPÇÕES, DE MÉRITO MUITO ELEVADO, MAS DE EXTENSÃO MÍNIMA). Uma alteração definitiva neste estado de coisas tem de ser liderada por personalidades com visão política e estratégica, métodos inovadores e descomprometidos com o passado não exemplar, mas mudando para NOVOS PROTAGONISTAS POLÍTICOS comprometidos com rigor, capacidade política, inovação de métodos, capacidade de mobilização das populações por critérios objectivos, persuasivos e justos, com honestidade, carácter e forte personalidade. O panorama da falta de oportunidades sempre foi transversal a toda a sociedade portuguesa, num escândalo sem precedentes, sendo também extensivel à realidade editorial de obras literárias de autores em início de carreira, onde os editores não pretendem correr qualquer risco ou, no mínimo, acordam correr apenas o risco correspondente ao "break even" da edição em causa, pelo que me é dado conhecer.
Por tudo isto vale a pena continuar, apesar dos insultos e das calúnias que me têm sido dirigidos, acabando por pensar que o melhor é ainda aceitar que "os cães ladram e a caravana passa". Tem de passar.
Os meus cumprimentos a todos.
Salboerro
De
PMS a 21 de Março de 2008 às 15:33
Não esquecer que a "floribela" era quotidianamente insultada de "estúpida tripeirinha" em prime-time.
E dizem que não existe xenofobia em Portugal.
De AXN a 22 de Março de 2008 às 11:17
PMS
De que país é a "estúpida tripeirinha"?
Quem é que tratava assim a rapariga?
Seria a "sumidade tripeira" da 'Treza Gulherme'?
E em prime-time, diz você? Que quer dizer isso?
Exprimo-me em português e talvez por isso, sei o significado de xenofobia.
E também de racismo - e o ministro ,sendo do norte, poderá ser de raça barrosã...
Não, acho que esta não conta!!!
De facto, ela é um pouco totó. O facto de ser do Porto é uma mera coincidência.
De
Curioso a 21 de Março de 2008 às 15:36
Invertendo a situação:
O jornalista é de Lisboa e está a trabalhar na delegação do Porto do Expresso. Idêntica situação. Como seria tratado o jornalista de Lisboa? Amavelmente por "o que é que este mouro de Lisboa sabe de jornalismo"? certamente acrescentariam, com a simpatia que se infere do texto: "vai mas é para a cidade do centralismo, a Lismerda, onde os lisbonários só sabem viver à conta do trabalho das gentes do Norte".
Ilustre Salboerro
Tiro o meu chapéu para cumprimentá-lo respeitosamente.
Contudo, os textos que têm vindo a ser publicados (salvo uma excepção ou outra) não são mais do que acirrar descontentamentos contra Lisboa e confundindo nisso a cidade em si e os lisboetas.
A história não é de hoje, que eu me recorde é de sempre. Sempre a ouvi e já não sou assim tão jovem.
Para ser franco tenho alguma dificuldade em perceber os objectivos.
Sempre tudo mal, desde o futebol, à política (a parte da discriminação só me provoca o riso) passando agora também pelo jornalismo.
Essa é uma realidade, pelo que diariamente me apercebo, que só existe na cabeça de quem está sempre desconfiado. e a quem, por esse motivo, não se pode fazer a mínima alusão (nem que seja com humor) a nada.
Que o "país" está cada vez mais junto ao litoral ninguém tem dúvidas que, provavelmente por esse motivo, os investimentos são para aí canalizados, poderá ser uma explicação mas que o Porto (e só se fala do Porto, do coitadinho da Porto) é marginalizado, perseguido, discriminado, são complexos que em séculos não foram vencidos.
Que poderão dizer, esses sim como razão, os habitantes do interior?
De salboerro a 21 de Março de 2008 às 16:28
Caro Curioso,
Se o termo acirrar está correcto, dirige-se tanto para a cidade capital como para qualquer outra do País, onde o provincianismo seja a tónica do comportamento individual ou colectivo. Como escrevi, o Porto e limítrofes não estão incólumes e o provincianismo que demonstramos dá justificação a outros que no lo apontem.
Isto não exclui certos comportamentos como os apontados pelo jornalista Jorge Fiel porque eu próprio já passei por situação idêntica. Tudo isto tem causas ancestrais e, do Norte, também é habitual anotar comportamentos que mais não são que lamechices e pedinchices que sempre critico (até já neste blogue), por muito que custe a muitos, são ainda predominantes e não nos enobrecem.
É um sinal muito desprestigiante quando se recorre à problemática do futebol ou de qualquer outra não política para anotar exemplificações da chamada "rivalidade norte-sul", mas o que é certo é que, se temos de resolver em definitivo qualquer problema, a única forma de o conseguir é deslocarmo-nos à cidade capital, num clima de dependência administrativa e pessoal escandaloso.
Este tipo de problemas, ao nível dos países mais evoluidos da UE, já estão resolvidos há décadas e o seu aperfeiçoamento e maturidade, por meio das autonomias políticas, nunca deixou de evidenciar ainda a existência de diferenciações culturais e linguísticas que são o fermento das independências nacionais em épocas de crises graves e generalizadas.
Por isso, ninguém quer acirrar seja quem for mas apenas relatar situações ou factos que denotam uma diferenciação comportamental e política que tem prejudicado não só o chamado Norte MAS TAMBÉM AS RESTANTES REGIÕES do País. Para isso, basta anotar um mecanismo económico simples: a poupança gerada por todas as regiões do País é canalizada para o investimento. Onde é que têm sido realizados os maiores investimentos ou, dito de outra maneira, onde é que tem sido utilizada essa poupança gerada pela população portuguesa, ao longo de décadas? Tem sido na região da cidade capital e não há ninguém que possa desmentir esta realidade, apesar de se ter mudado de agulha para alguns investimentos realizados noutras regiões do litoral para norte e para sul da cidade capital e em regiões do interior (por exemplo, a região de Trás-os-Montes e Alto Douro ainda não tem uma autoestrada, as suas poupanças, em valor muito superior ao respectivo investimento, foram canalizadas para investimentos de outras zonas do País, nomeadamente na cidade capital).
Para corrigir este estado de coisas é necessário transferir as populações do litoral para o interior, com benefícios para as populações que "estão" e para as populações que serão "transferidas", porquanto se não o fizermos haverá quem tenha condições de o fazer de fora para dentro.
Não torçam o nariz a esta hipótese, como o estão a fazer agora, mas peço-lhes que parem um pouco e atentem nas dinâmicas políticas, sociais e económicas actuais e futuras. Estas dinâmicas caracterizam-se pela facilidade e flexibilidade geradas pelas tecnologias de informação e comunicação conjugada com a eliminação de barreiras administrativas e outras (facilidade de transporte a custos reduzidos, não só a curta como a grande distância) como os principais factores de mobilidade das populações, aliadas a uma crescente preparação e adaptação cultural e linguística. Esta mobilidade tanto "dá para entrar como para sair", até ao momento em que os desequilíbrios sociais, económicos e culturais se agravarem até a um ponto em que irão justificar a adopção de políticas proteccionistas e nacionalistas.
Sou pessimista ou catastrofista? A ver vamos e estamos só no princípio de um processo que promete ser delicadíssimo para o equilíbrio geoestratégico, tanto a nível europeu (tem sido sempre a Europa a ser a mais castigada, não esquecendo a Hisória) e mundial.
Sem qualquer ressentimento seja contra quem for, a regionalização poderá ser o projecto político que, uma vez bem delineado e melhor implementado, criará condições de um desenvolvimento equilibrado em todas as regiões do País, retirando à cidade capital os riscos de se tornar uma cidade ingovernável e atribuindo às restantes regiões as vantagens da decisão política autonómica com criação de novas centralidades.
Os meus cumprimentos.
Salboerro
Sr Salboerro
Bom texto, Ler as suas opiniões, para mim são um ganho.
Deixe-me dizer-lhe que não torço o nariz a migrações internas.
Em tempos idos, alguém pensou a "colonização interna"...
Estou convicto que a regionalização autonómica terá condições para a fazer.
E já agora, por favor continue. Eu agradeço.
Os meus cimprimntos
De BOCAS a 21 de Março de 2008 às 18:30
Caro Salboerro,
Depois de mais este exclente "Post.", Estou em crer que o "Cusioso" deva ter ficado devidamente Esclarecido!
Viva a Regionalização.
Um Abraço.
O tema regionalização não é mais falado ou discutido porque estes governantes não querem que o poder se fragmene e esteja longe da sua esfera de controlo. É tão simples quanto isso. Resta voltar a por este tema em discussão pública e isso cabe às pessoas que estão directamente interessadas em que isso aconteça. Acho que é óbvio que não são as pessoas que vivem em Lisboa que se vão manifestar em prol da regionalização, já que temos problemas mais urgentes que tratar, nomeadamente em relação a certas situações que se passam na autarquia. Já o disse antes e volto a dizê-lo: a visibilidade está nas ruas, convoquem os media, façam uma manifestação e reúnam personalidades ilustres em volta do vosso movimento para dar corpo ao mesmo. A revolução começa a Norte, lembrem-se disso. Ninguém em Lisboa vai iniciar a o processo de regionalização,ninguém se vai manisfestar, mas podem ter a certeza que o Povo de Lisboa vota a favor, como se viu no último referendo.
Está nas vossas mãos e o tempo escasseia.
É com subida honra que venho informar todos os interessados que encetei contactos com o Digmº. Bussolista Salboerro (vide post "O problema não é Lisboa (4)), para a instalação da minha delegação no palhacete sito nessa Invicta cidade.
Resta-me lamentar não poder, de momento, aceitar mais ofertas não deixando, contudo, nesta fase, de avaliar algo ainda melhor do que um "croissant" à boca do forno acompanhado de sangria na Pastelaria Doce Mar e um Porto Ramos Pinto Vintage e charuto no palhacete da Foz.
A todos os ilustres bussolistas, e em particular aqueles que manifestaram o seu interesse, apresento os meus explosivos cumprimentos.
Víktor Fedorenko
De salboerro a 21 de Março de 2008 às 21:26
Caro EdeCarvalho,
Caro Bocas,
Caro BoasArmasAos Melhores Preços,
(e, em especial,
Caros Regionalistas,
Optei por responder aos 3 frequentadores deste blogue que me deram a satisfação de ler as minhas intervenções de pendor regionalista e outros, salientando aspectos positivos que porventura foram inconscientemente exagerados.
Como já devem ter percebido, a minha percepção sobre a regionalização não evita ter de evidenciar aquilo que reconheço serem as fragilidades de quem se situa nestas regiões, correndo o risco de me acusarem seja do que for, mas sobretudo de relevar a exigência na forma e no conteúdo do que terá de ser a regionalização no nosso País.
Apesar de estar confinado à cidade do Porto, a problemática da regionalização é de dimensão nacional (diria até transnacional, pelas perspectivas de cooperação internacional) e justifica que se proure encontrar a melhor solução para este problema que, sem solução no regime do Estado Novo, podia ter sido adoptada depois de consignada a regionalização administrativa na Constituição de 1976.
O texto constitucional prevê, como todos sabem, a criação e implementação das regiões administrativas, as quais se forem agora referendadas com o "sim", passarão a ser implementadas com 32 anos de atraso e reforçarão o atraso endémico em relação aos países mais avançados da União Europeia.
Por outro lado, conhecendo o funcionamento das actuais CCDR's, saberemos como as perspectivas de desenvolvimento continuarão a ser tratadas em cada região (são 5 as previstas, quando deveriam ser 7 mas Regiões Autónomas), prenhes de burocracia e de administartivismo sem qualquer qualificação e legitimação políticas, nem sequer em plano de igualdade para negociações com outras regiões congéneres estarngeiras.
Temos que passar, de vez, de dirigentes nomeados em comissão de serviço para mandatados por resultados eleitorais maioritários, de burocratos para dirigentes políticos com visão estratégica, evitando assim enfrentar mais do mesmo; por último, as regiões administrativas são a versão regional de políticas centralizadas e centralizadoras que urge eliminar definitivamente.
este texto foi elaborado sem qualquer ponta de ironia, mas não faltará ocasião para aplicar esse metódo de expressão literária de grande capacidade política dissuasora.
Por fim, posso disponibilizar as minhas "instalações apalhacetadas" (na versão do negociante de armas anti-inflaccionistas), para reuniões sobre o tema importante da regionalização, cujas discussões deverão intensificar-se o mais rapodamente possível, porque o final deste ano está quase aí.
Os meus agradecimentos e cumprimentos habituais.
Salboerro
De Boas armas aos melhores preços a 21 de Março de 2008 às 23:04
Caríssimo Salboerro,
Parabéns! Vejo que está a levar o negócio a sério e louvo a sua extraordinária capacidade empreendedora. "Reuniões na palhacete"...hein??? nunca me lembraria de tal coisa. Quantas Fabarme pensa que poderemos vender nessas reuniões?
Óptima ideia! Receba os meus gratos cumprimentos.
Viktor Fedorenko
De salboerro a 22 de Março de 2008 às 00:05
Caro BoasArmasAosMelhoresPreços,
Como vê, não poderia ser mais expedito na resposta ao empreendimento proposto para esta região nortenha e em condições o mais operacionais e "apalhacetadas" possíveis.
Para os negócios, é necessário ter capacidade empreendedora, imaginativa e "quick response" (perdoe-me a expressão inglesa, mas toda a gente tem agora este tique chiquérrimo a que não tenho podido escapar), de forma a dar respostas concretas e precisas aos clientes e parceiros de negócio. Por exemplo, o meu amigo pergunta quantos brinquedos do tipo Fabarte pensa que poderão ser vendidos nesta área geográfica; digo-lhe já, sem estudos de mercado nem de marketing: um ror deles.
Fico a agauardar o nosso encontro pasteleiro com "criossant à boca do forno".
Os meus respeitosos cumprimentos.
Salboerro
De Saritta a 22 de Março de 2008 às 01:53
salboerro
No intervalo das reuniões regionalistas, poderei fazer uma apresentação de "Tupperwares"?
Além de mais baratas, vendem-se melhor do que as armas para dispara,,,tar!
De salboerro a 22 de Março de 2008 às 14:06
Cara Saritta (com 2 t's),
Depois das minhas incursões em busca da marianinha, doresinha e anonimazinha, sem qualquer êxito ou resposta, aperece-nos agora uma aristocrata de mão cheia, com o nome a escrever-se com 2 t's, pronta a oferecer-nos para negócio outro conjunto de brinquedos de igual importância.
À semelhança do que se passa no genérico femenino, ainda não conseguiu assimilar a ironia que acompanha geralmente os meandros de qualquer negócio, apesar de ter tido o pragmatismo de oferecer sem restrições os seu produto. Tratando-se de um novo produto a operar em mercado distinto, mesmo sem ter conversado com o meu sócio no negócio anti-inflaccionistas e humanitário, garanto-lhe minha querida um lugar à mesa da nossa sociedade e um convite para se abrir uma loja à maneira no meu Palacete da Foz do Douro, mesmo ao lado da outra que pretendemos instalar.
Por isso, tenho muita honra em convidá-la também para uma lanche na Pastelaria Doce Mar, na Avenida Brasil, Foz do Douro, para um "criossant à boca do forno" acompanhado de um chá de tília (a não ser que prefira a sangria), de forma a manter-se calma para as negociações que se seguirão.
Os meus subidos cumprimentos deste seu,
Salboerro
Saritta
Com agrado reconheço que é uma mulher do Norte. Empreendedora e oportuna. No entanto, como compreenderá, terei que consultar o meu sócio. Apenas o meu secretário tenha acordado o encontro com o Digmoº. Salboerro, que presumo seja em breve, terei o prazer de lhe dar uma resposta definitiva que, espero, seja positiva; uma caixa "Tupperwares" pode ser um achado para o transporte da "mercadoria".
Como sabe, o encontro será na Pastelaria Doce Mar à boca do forno esperando o "croissant" com um jarro de sangria na mão. Tomei conhecimento que o Digmº. Sr. meu sócio já a convidou. Assim, é com muita alegria que reitero esse convite esperando ter a honra que vir a conhecê-la.
Ah! Não se esqueça, se o meu sócio achar por bem incluí-la no negócio, de lhe pedir o tal "Porto" no palhacete. É claro que não sei se o charuto será também do seu agrado.
Explosivos cumprimentos e sempre em luta a favor do desenvolvimento do comércio.
De salboerro a 22 de Março de 2008 às 15:15
Cara Saritta,
Caro BoasArmasAosMelhoresPreços,
Depois de contactar e acordar com o vosso Secretário, verifiquei neste blogue a confirmação da promitente associação com uma comerciante de plena confiança para complementar o nosso negócio anti-inflaccionista e humanitário.
Por outro lado, reconheço que a marca de produtos que a nossa promitente associada negoceia é oriunda de países nórdicos mundialmente reconhecidos pela dedicação a causas humanitárias o que, parecendo-me bem, vai conseguir potenciar o nosso negócio. Por outro lado, poderão ficar resolvidas questões alfandegárias muito complicadas e perigosas para as relações inter-governamentais, ao depararem as respectivas autoridades com embalagens inofensivas e úteis em lares de todo o mundo, tanto nos mais sofisticados como nos mais modestos. Com esta associação, o nosso negócio para além de ter uma dimensão mundial passará a ter uma dimensão universalista e plenamente humanista.
Por fim, reitero o meu convite, em conjunto com o já nosso associado, para um Porto Ramos Pinto Vintage e charuto (pugno pela igualdade plena entre homens e mulheres, no meu lado humanista) a ter lugar no meu Palacete da Foz do Douro, muito perto da Pastelaria Doce Mar, onde antes terá lugar um lanche com criossant ao sair do forno e sangria ou chá de tília, conforme os gostos dos participantes.
Sem mais, peço que aceitem os meus cumprimentos subidos e humanistas,
Salboerro
Caríssimo Salboerro
c.c.: Saritta
Quero só avisá-lo que temos que avançar rapidamente para a concretização do nosso acordo, dado que aqui ao lado apareceu um concorrente, um tal de "Cheiro a pólvora".
Sendo que este concorrente é apadrinhado por um dos autores do blogue, considero que se trata de uma concorrência algo desleal.
O melhor é mandar já pôr o "croissant" no forno e preparar a sangria porque, se outra não conseguirmos com o nosso negócio, pelo menos fica essa.
Explosivos cumprimentos do
Viktor Fedorenko
De salboerro a 22 de Março de 2008 às 16:34
Cara Saritta,
Caro BoasArmasAosMelhoresPreços,
Já respondi noutro local às justificadas preocupações do meu caro amigo. Já tive um prejuízo no meu Palacete porque rasguei um tapete persa antigo, muito valioso, colocado na minha sala de estar de 100m2, não tendo a certeza se está coberto pelo seguro.
A situação é muito preocupante e espero uma resposta do Luis Castro e da Saritta que parece que desertou ou, então, passou a não estar interessada no negócio que lhe foi proposto. É pena porque já lhe arranjamos um adjunto, o Zé dos Anzóis.
Os meus cumprimentos comerciais e humanistas.
Salboerro
De salboerro a 22 de Março de 2008 às 16:42
Cara Saritta,
Caro BoasArmasAosMelhoresPreços,
Já respondi noutro local às justificadas preocupações do meu caro amigo. Já tive um prejuízo no meu Palacete porque rasguei um tapete persa antigo, muito valioso, colocado na minha sala de estar de 100m2, não tendo a certeza se está coberto pelo seguro.
A situação é muito preocupante e espero uma resposta do Luis Castro e da Saritta que parece que desertou ou, então, passou a não estar interessada no negócio que lhe foi proposto. É pena porque já lhe arranjamos um adjunto, o Zé dos Anzóis.
Os meus cumprimentos comerciais e humanistas.
Salboerro
De Annónnimo a 22 de Março de 2008 às 01:42
salboerro
Des...norteados como são - daí a necessidade de utilização da bússola - eles "andem" á procura do seu Garibaldi!
Aproveite!
De salboerro a 22 de Março de 2008 às 14:35
Caro Annónnimo,
Nunca esperei encontrar tantos aristrocatas neste blogue, aparecendo agora o cavalheiro com o seu nome com 2 n's, o que é muito, muito raro. Tão raro quanto deve pertencer à alta estirpe da Nobreza Antiga do Norte. Pelas intervenções que tem tido neste blogue ainda não consegui vislumbrar onde quer chegar com elas (as intervenções), mas reconheço que tenho de dar a mão à palmatória quando me propõe para uma posição garibaldiana, vindo logo de alguém presumivelmente contrário à regionalização.
No entanto, enfrento com uma dificuldade de grande monta, dado que não encontro no nosso País ninguém com o gabarito musical do Verdi, para o imprescindível acompanhamento musical da liderança de um movimento. Claro que o meu caro amigo, como grande músico que é, poderia ocupar esse lugar se eu próprio me dispusesse a assumir uma liderança que me fosse proposta, em cerimónia oficial na Casa da Música, da cidade do Porto.
Os meus subidos cumprimentos deste,
Salboerro
De Annónnimo a 21 de Março de 2008 às 23:53
Jorge Fiel
Os participantes nessas reuniões, e ao que presumo jornalistas do Expresso, - exceptuando a sua portuense pessoa, - eram todos "gente de Lisboa" ?
Como devemos entender este conceito?
Os nascidos, os habitantes ou os trabalhadores?
Sem forçar em demasia a sua memória, chegará à conclusão que o seu colega e subdirector não terá sido nado e criado em Lisboa.
Ah, pois. Distracção minha, que interessa donde era o subdirector...
De anónimo a 22 de Março de 2008 às 00:29
Houve quem reportasse, e quem comentasse. Podem é não ter visto nem ouvido...
De Rui Pereira a 22 de Março de 2008 às 01:05
Que haja racismo capitaleiro contra o Porto e o Norte, por sermos os únicos que os combatem não tenho dúvidas, pois somos inimigos e ponto final! Agora que a Pires de Lima seja uma nortenha injustiçada, isso não. Desculpem lá, mas acho que foi mais um exemplo daqueles que quiseram fazer bonitos em Lisboa, prejudicando o norte, para mostrarem que não eram bairristas. Exemplo: obstáculos ao Túnel de Ceuta, retenção das verbas para as companhias de teatro do Norte, distribuição regional das verbas da cultura, etc, etc.
Ela foi simplesmente a pior Ministra da Cultura dos últimos anos. O que ela fez com a Directora do Museu Nacional de Arte Antiga é paradigmático da falta de competência para o cargo que desempenhou. O facto de ser do Norte é uma contingência, não uma fatalidade. Não se confunda incompetência com origens.
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