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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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REFORMISMO OU ARROGÂNCIA?

Hoje é Domingo de Aleluia!

Para os que, como eu, são católicos a Páscoa, para além de significar “a loucura do amor de Deus pelo Mundo que criou” como afirmou ontem D. José Policarpo, sugere também o final de um período de reflexão e de balanço que prepara os católicos para um tempo novo, uma vida nova proposta pela Ressurreição.

É com este espírito de balanço que me cruzo também com “pontuações” diversas sobre os 3 anos de governação socialista.

Desde aquele primeiro discurso em que se elevavam os farmacêuticos - pequenos retalhistas que prestam um insubstituível serviço social de proximidade às populações, a lobby poderoso e tentacular que urgia desmantelar, que fiquei desconfiado sobre a genuína motivação deste ímpeto reformista.

 

E desde então, tem pairado na opinião pública e publicada esta interrogação sobre o desempenho do Governo: Determinação ou arrogância? Serviço público ou mero serviço de propaganda?

 

Os exemplos recentes ensinaram-nos alguma coisa a este respeito.

Leio o artigo de ontem do Público do “agudo” Vasco Pulido Valente. A temática é novamente a da Educação depois de, há pouco mais de duas semanas, dois terços dos professores do ensino básico e secundário terem saído à rua, num protesto único na história da democracia portuguesa. Só por teimosia e arrogância se pode falar de manobras partidárias e sindicalistas com uma mobilização deste tamanho, apenas possível porque os professores se sentiram violentados na sua dignidade pessoal e profissional.

 

O artigo de ontem é sobre o episódio de violência no Carolina Michaelis. Pulido Valente fala nos nºs do Observatório de Segurança Escolar: 185 agressões a professores em 180 dias do ano lectivo!!! Será algum dia possível restituir a dignidade e autoridade aos professores? O que esperar de um País que tem que apostar tudo na qualificação dos seus recursos humanos se começa por não acreditar nos principais protagonistas desse desafio quase geracional?

 

Penso na politica fiscal e no monstro em que se pode transformar o poder desproporcionado do Estado em frente a pequenos comerciantes ou contribuintes, esgrimindo com a Lei, o método presuntivo, a mora, a multa ou a penhora, a quem com tanto sacrifício, vai conseguindo manter empregos e pagar impostos que lhes prometeram que iam descer.

Penso na política de saúde desde esse primeiro simbólico discurso e pergunto se depois da guerra com a ANF, com os médicos, as administrações hospitalares e a indústria farmacêutica, ficamos realmente melhores? A política do medicamento resultou em custos mais baixos e melhor acessibilidade? A menos de um Ministro, gastamos menos em saúde, temos melhor e mais efectiva qualidade de serviço?

 

Penso no Aeroporto e percebo que a arrogância do “deserto” e do “jamais” só se vergaram desta única vez porque a CIP e a ACP levantaram a voz de forma independente, mobilizando a opinião pública para uma consenso que não dava margem a outras veleidades.

Penso na guerra comportamental simbolicamente representada pela perseguição ao tabaco e à patanisca.

 

Julgo que 3 anos depois de aplaudirmos o ímpeto reformista deste Governo, temos razões para estar menos confiantes ou optimistas.

 

Qualquer mudança importa sofrimento. E é por isso mesmo que a legitimidade ou a oportunidade da mudança só justificam que esta se enuncie e se proponha. A dor que a mudança sempre suscita exige que esta seja concretizada conscienciosamente. Isto é, com conhecimento perfeito, amplo e absolutamente seguro do saldo positivo entre o que se perde e o que se ganha.

 

Mudar por mudar é um acto de selvajaria cívica, de autoritarismo gratuito próprio de políticos pequenos e inseguros que a história normalmente recordará como ditadores.

 

É curioso que a esquerda portuguesa que nos governa esteja a perder aquilo que lhe é essencial e que poderia ser verdadeiramente distintivo no exercício de poderes públicos – o estímulo da humildade, o apelo à tolerância e o amor à liberdade.

 

Suponho que o desafio maior de José Sócrates até ao final desta legislatura é o de mostrar que pode efectivamente fazer uma mudança de valor na sociedade portuguesa que não ponha em causa estes valores maiores da sua família politica.

 

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 

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