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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

O JOVEM CAVACO

 

  

Quem me conhece far-me-á justiça em relação às opiniões que eu possa manifestar sobre o actual Presidente da República.

Não se trata só da minha profunda convicção de que não é esta a forma de Chefia de Estado que melhor defende uma Democracia moderna como a nossa, num contexto de globalização como é o também o nosso.

Trata-se também de uma substantiva, quase inultrapassável diferença de perspectiva cultural que nutro (às vezes penso se injustamente…) com este Presidente da República desde que ele, com aquele ar provinciano de que se recordarão, resolveu fazer a rodagem de uma qualquer carripana até à Figueira da Foz.

Sempre me inquietou negativamente o paternalismo do Professor, aquele “nunca me engano e raramente tenho dúvidas” que tal como nos tempos da outra Senhora teve o condão de sublinhar a indolência e a preguiça dos portugueses, tão bem entregues que estavam em tão infalíveis mãos.

Mas a verdade é que Cavaco Silva tem uma virtude cada vez mais rara na política portuguesa – tem uma integridade e um sentido de responsabilidade e de serviço quase inabaláveis que contrastam gritantemente com os seus pares na política, com quem, de resto, nunca conviveu.

É verdade que não tem o chiste nem o “golpe de asa” de outros Estadistas que a história imortalizou. É verdade também que chega já a ser cansativa esta versão de Presidente “Geleia” (lembram-se do personagem de Jô Soares?) que por escrúpulo à letra ou ao espírito da Constituição parece não ter ou não querer ter qualquer opinião ou compromisso.

Mas também é verdade que a democracia portuguesa só com Cavaco Silva logrou sair do estado de indigência e da consequente vulnerabilidade sócio-politica,  motivados pelos excessos do período revolucionário.

Para além de salvar o País da bancarrota económica e política, Cavaco Silva teve ainda outras virtudes. As mais conhecidas prendem-se com as infra-estruturas que criou. As mais valiosas prendem-se com outras coisas como um verdadeiro sentido de descentralização política e administrativa (ditado talvez pelas suas origens algarvias) e a atenção que deu à Juventude Portuguesa, criando um sistema organizativo e um conjunto de instrumentos e medidas que constituem o que de bom se fez em Portugal em termos de Política de Juventude.

Na altura de Cavaco Silva, quer com Couto dos Santos, quer com Marques Mendes, a Juventude constituía uma verdadeira prioridade política. Hoje (não falo deste Governo, mas também dos anteriores) com dificuldade sabemos enumerar um medida na área da Juventude ou sequer que detém no Governo essa responsabilidade.

Cavaco Silva reunirá amanhã com Jovens líderes de diferentes Organizações de Juventude.

Como anunciou no discurso que proferiu no 25 de Abril está preocupado com o divórcio entre os Jovens e a Politica, preocupação confirmada por um estudo recente levado a cabo pelo  Centro de Sondagens da Universidade Católica Portuguesa.

Suponho que Cavaco Silva já percebeu que o defeito está mais do lado da Politica do que dos Jovens.

A expectativa sobre os resultados e a leitura que deles fará o actual Governo,  não diminuem já o grande mérito de um Presidente que parece disposto, desta vez, a reafirmar o Seu compromisso sincero  com a Juventude Portuguesa e com o Futuro de Portugal.

 Salvé Professor!

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 

  

 

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