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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Contra os bretões, marchar, marchar!

 

Nunca fui à cara com os bifes. Comecei a olhá-los de lado na noite de 26 de Julho de 1966 (tinha eu dez anos), quando vi o Eusébio a deixar o relvado de Wembley a limpar as lágrimas à camisola que eu sabia ser grenat mas aparecia a preto no ecrã do televisor Nordmende que o meu pai comprou, a prestações, para vermos os Magriços no Mundial de Inglaterra.

Não tenho a mínima dúvida de que fomos gamados naquela meia-final e que os ingleses foram levados ao colo até ao título.

Esta primeira e má impressão dos ingleses foi-se esbatendo à medida que fui sendo apresentado ao estilo Carnaby Street, à música dos Kinks,  Beatles e Stones, à cultura pop e às mini-saias de Mary Quant.

Tudo voltou a piorar à medida que fui aprofundando os meus conhecimentos de  História. O Tratado de Windsor (assinado em 1386 entre Portugal e Inglaterra), pode ser a mais antiga aliança diplomática ainda em vigor, mas foi um péssimo negócio para nós.

Bem vistas as coisas, a Ínclítica Geração de filhos (em particular Henrique e Duarte) que a inglesa Filipa de Lencastre educou e deu a Portugal foram o que de mais lucrativo extraímos destes seis séculos de aliança idealizada por D.João I.

A histórica fragilidade da indústria portuguesa mergulha as suas raízes no Tratado de Methuen (1703), que escancarou as nossas portas aos lanifícios ingleses.  As exportações de vinhos portugueses para Inglaterra foi uma fraca contrapartida -  como eles estavam em guerra com os franceses não tinham muitas alternativas de abastecimento…

Mas a grande facada que a pérfida Albion nos espetou nas costas foi o Ultimatum de Janeiro de 1890, que feriu de morte a nossa monarquia.

D. Carlos aceitou as exigências britânicas e renunciou ao Mapa Cor-de-Rosa (que consistia na ocupação do actual território da Zâmbia a Zimbabwe, ligando Angola a Moçambique).

Esta humilhação desencadeou uma vaga nacional de indignação patriótica, que tinha como hino A Portuguesa, com um poema de Henrique Lopes de Mendonça que concluía com o apelo explícito: “contra os bretões/marchar, marchar”. Mais tarde, quando a República escolheu esta canção para Hino Nacional,  os “bretões” transformaram-se em “canhões”.

Com aliados como os ingleses não precisamos de inimigos. Aturamos as hordas de ingleses bêbados em Albufeira. Aguentamos com uma paciência infinita o circo internacional que montaram a propósito da Maddie. Fazemos ouvidos de mercador aos remoques de mau gosto e péssima educação da imprensa londrina.

Quando tomei conhecimento da carta rogatória britânica, onde se refere que o nosso primeiro ministro “terá solicitado”, “terá recebido” ou “terá facilitado” (ou, digo eu, “terá ido tomar café”, “terá ido dar banho ao cão”...), o licenciamento do Freeport, fiquei logo com vontade de propor que os “bretões” voltem a substituir os “canhões” .

 

PS. Vou sugerir ao Luís Pedro Nunes que o Inimigo Público envie um repórter a Inglaterra para investigar o que Manuela Ferreira Leite andou por lá a fazer quando alegava que estava a visitar o neto.

 

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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