
Se tivesse de fazer o meu top ten de ruas do Porto, estou certo que a do Campo Alegre teria lá um lugar cativo, ao lado da Rodrigues de Freitas (onde vivi até aos 15 anos, junto ao Jardim de São Lázaro, cujo coreto foi imortalizado num das mais comoventes aguarelas de António Cruz), da Marechal Gomes da Costa (onde eu viveria se fosse rico) e de sete outras – que não vou seleccionar agora.
Nunca morei no Campo Alegre, mas estudei lá durante os três últimos anos do curso, algures entre as mesas do Botânico (cuja esplanada coberta pelas arcadas ainda frequento com bastante assiduidade) e as do Capa Negra (cujos rissóis, francesinha e tripas à moda do Porto permanecem lendários).
A toponímia do Porto prima pela boa disposição e o Campo Alegre não é excepção. Rima e é verdade. Assim de repente, lembro-me da rua da Alegria, do Jardim do Passeio Alegre e do Campo Lindo. Mas há mais.
O Campo Alegre tem inúmeras coisas a seu favor, entre as quais o Jardim Botânico, instalado na Casa Andresen, onde cresceram Sophia e Ruben A., autor da magistral auto-biografia intitulada O Mundo à minha procura.
Em lembrança dos bons momentos passados junto laguinho dos nenúfares, partilho convosco uma frase curta de Sophia (dizia ela que não gostava das pessoas “que não têm dentro - só têm fora” ) e outra, mais longa de Ruben A:
“Dos 40 aos 50 limpa-se a casa, põem-se as telhas onde faltam, instala-se um novo sistema sentimental e no jardim das delícias, depois do jantar, nas madrugadas sem Deus, ouvimos uma voz que nos buzina que dali para a frente a contagem é outra”.
De salboerro a 13 de Março de 2009 às 12:11
Caro Jorge Fiel,
Temos sido (des)governados sucessivamente por um número excessivo de dirigentes que, na verdade, "só têm fora, não têm dentro", razão pela qual nunca se compreendem as rezões por que aparecem a "caucionar" eventos culturais, sociais e outros de idêntica natureza e alcance.
Os meus cumprimentos.
Salboerro
Estimado Salboerro
Não posso estar mais de acordo.
A reflexão que se impõe é descobrir por que é que a causa pública (a política, por outras palavras) não atrai (pelo contrário, repele) as melhores pessoas da sociedade.
Tenho dito!
De salboerro a 14 de Março de 2009 às 14:47
Caro Jorge Fiel,
A causa próxima e longínqua está relacionada com o facto de os mais capazes e os mais vocacionados para a gestão das coisas públicas muito dificilmente acordarem em defender interesses de grupos e grupelhos que por aí pululam (e enriquecem) alegremente sem eira nem beira, apenas por terem personalidade e carácter somados a uma grande competência técnica e política (a política de distribuição do nosso rendimento nacional é típica de países com mentalidade miserável, mesquinha, ignorante e desrespeitadora dos direitos humanos, estes útlimos sempre na boca de muito boa gente).
Por outro lado, nunca estarão disponíveis para serem enxovalhados na praça pública por órgãos de comunicação social que pecam pelos mesmo defeitos da classe política que nos tem governado (os políticos-de-turno) nem para serem perseguidos por questões de dona caprina a caminho dos tribunais.
Não pense que existem outras causas.
Os meus cumprimentos.
Salboerro
De Sacristão a 13 de Março de 2009 às 14:56
O padrinho veio trazer umas "esmolas" à igreja. Será que também quer corromper Deus?
... está sempre a invocar o seu Santo Nome, estará a meter "cunha" (à sua boa maneira) para se safar?
Estimado Sacristão
Não creio que Deus seja corruptível.
Tenho dito!
De bimbo a 14 de Março de 2009 às 15:33
Pois é "Sacristão", o Padrinho já no tribunal de Gondomar, por intermédio do seu advogado afirmou que era um bom cristão, preocupado em seguir os ensinamentos da Santa Madre Igreja.
O problema é que o juiz não se deixou impressionar com a representação; e perguntou ao advogado do Padrinho, se os três casamentos também estavam de acordo com a Santa Madre Igreja.
É a segunda vez que em tribunal, o Padrinho invoca o Santo Nome de Deus em vão. Sujeita-se a ser condenado na terra e no céu, por estes pecados, e por ter enganado o Papa João Paulo II.
Apesar das contradições da ex-companheira, PC e os seus advogados revelam algum receio de condenação, ao encenarem esta treta.
De
Andesman a 14 de Março de 2009 às 16:04
Miguel Torga disse um dia: PARA FALAR DE DEUS NÃO É PRECISO TER FÉ. BASTA APENAS ESTAR DE BOA FÉ.
Porém, há gente que diz acreditar em Deus, que deve pensar que Ele é cego.
De
Andesman a 14 de Março de 2009 às 15:23
Estimado Jorge Fiel, este é um belo texto.
Se eu soubesse, escreveria um ou vários, sobre lugares, para mim encantados.
Se eu fosse poeta escreveria um poema a cada um desses lugares.
Saude para si
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