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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Joaquim Jorge

Arquimedes formulou o princípio que o celebrizou ao tirar a correcta ilação científica do facto da água transbordar à medida que o seu corpo mergulhava na banheira. O Eureka de Joaquim Jorge (mais conhecido por Jota Jota, ou tão só Jota) deu-se quando ele estava na cama da sua moradia, no centro de Gaia.

Por um lado, queria ter intervenção política e não estava bem a ver nem como nem aonde. Por outro, estava farto do formato habitual: “um político a falar durante mais de uma hora, metade de sala a dormir, no final três perguntinhas da assistência e está feito, vai tudo para casa”.

O Clube dos Pensadores (a madrinha foi Graça, a mulher com quem está casado há 27 anos) foi a solução para esta equação. “Votar não chega. É uma fórmula pobre de intervenção. Nós, os cidadãos, temos de questionar o poder e exigir aos políticos que nos prestem contas. Isto para mim é muito claro, mas parece que é escuro”, explica Jota, 53 anos (faz 54 a 30 de Agosto), que se licenciou em Biologia depois de ter andado no Colégio Brotero, e foi professor de Biologia no Secundário e na Escola Superior de Enfermagem.

Gaia é o centro de gravidade dele. É lá que vive e trabalha. E o GaiaHotel, na avenida da República, a sede onde se realizam os debates do Clube dos Pensadores. Mas nasceu e cresceu em São Mamede, onde o pai era o dono da Favorita e ele jogou andebol na Académica e futebol no Infesta. Talvez tenha sido por esta ligação a Matosinhos que escolheu almoçarmos no restaurante do seu amigo Zeferino, um transmontano de Mesão Frio que deitou âncora perto da lota.

Jota tem um farto curriculum de desportista (além do andebol e do futebol, foi campeão nacional de futsal pelos Dragões 85) e ainda continua a jogar futebol de sete, às 2ª e 6ª, em partidas em que também alinha Pedro Miguel, 22 anos, estudante de Engenharia, o seu filho único que passou pela formação do FC Porto, onde foi treinado por André Vilas-Boas.

“Nos dias de jogo vou para cama de gatas”, confessa, o que explica a disciplina com que encarou a refeição – não tocou no vinho, comeu um filete de pescada, metade do meio bife e metade da meia torta de limão feita por Maria, a mulher de Zeferino. Quer manter o peso nos 85 kg (mede 1m80) para poder continuar a jogar futebol duas vezes por semana.

A ideia do clube demorou apenas três meses a passar da potência ao acto. Em Março de 2006, Vicente Jorge Silva, dava o pontapé de saída para a actividade do Clube dos Pensadores que já promoveu 53 debates com gente tão diversa como Passos Coelho, Vítor Baía, Portas, Alegre, Santana Lopes, Carvalho da Silva, Medina Carreira, Louçã, Luis Filipe Menezes e João Jardim – e deu origem à publicação de dois livros.

Mais de cinco anos volvidos, o formato dos debates mantém-se inalterado. O convidado fala no máximo 20 minutos, após o que a iniciativa passa para a plateia. Cada interveniente tem três minutos para fazer uma pergunta. A sessão dura duas horas e termina às 23h30 em ponto.

“Os políticos deviam usar as orelhas para conquistar as pessoas – seduzir a ouvir e não só a falar. Mas não é isso que acontece. Nós temos duas orelhas e uma boca. Mas até parece que os políticos têm duas bocas e apenas uma orelha”, explica JJ, acrescentando que além dos debates o clube também é um blogue (clubedospensadores@blogspot.com) e um programa de rádio (4ª feira, entre as 19 e as 20h) no Rádio Clube de Matosinhos.

A estrutura é ligeira e flexível. Para ser membro (há cerca de 1500 inscritos) basta pagar um euro, ficando-se assim habilitado a receber, por mail e SMS, informação sobre as actividades do clube e a participar no jantar privado com o convidado que antecede o debate.

“Namoro com os cidadãos. Não estou casado com eles. Não há obrigações”, declara Jota que tem de puxar pela imaginação para financiar as actividades do clube sem ter de recorrer ao seu próprio bolso (o que acontece com alguma frequência). Bagão Félix, em Setembro, é o senhor que se segue.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Jornal de Notícias

 

 

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Dom Zeferino

Rua do Godinho 163, Matosinhos

Pataniscas de bacalhau … 3,00 euros

Água das Pedras ... 0,70

Lusitano (branco da Ervideira) … 6,50

1/2 Filetes de pescada com arroz de feijão … 9,00

Bife à D. Zeferino … 13,00

Tarte de limão.. 3,50

3 cafés ………………2,70

Total ……………….. 38,40 euros

 

Miguel Castro Silva

Na Bretanha, o carapau não chega a vir para terra. É apenas usado como isco. Isso explica o ar de espanto com que chef bretão Olivier Roellinger (três estrelas Michelin) perguntou “Ça se mange?” quando o Miguel lhe falou de carapau.

Foi esta conversa que deu origem ao tártaro de carapau com gengibre em sopa de coentros, um dos pratos do banquete que degustamos no Largo, o restaurante que Frederico Collares Pereira abriu no Chiado, entregando o comando da cozinha a este Miguel e confiando a  outro Miguel (Câncio Martins) a transformação dos claustros do Convento da Igreja dos Mártires num espaço onde o moderno e antigo se casam num ambiente especial. 

“Trata-se de um prato desagradavelmente saudável, azeite, limão, gengibre e o carapau, que é um peixe azul”, discorre Miguel Castro Silva, 50 anos, naquele tom sarcástico que o caracteriza, precisando que o gengibre entra só para emprestar frescura, não para dar sabor.

Filho de um oftalmologista português e de uma alemã, nasceu no Porto, onde estudou no Colégio Alemão. A música foi a sua primeira paixão. Amigo e vizinho de Rui Veloso, no Pinheiro Manso, teve uma banda com Toli (o baterista dos GNR) e sonhou ser pianista. As suas interpretações de peças de Mozart e Chopin fizeram dele o aluno favorito da Juventude Musical Portuguesa. Até que, aos 14 anos, “alguma coisa se fechou” e abandonou o piano.

Foi para Kiel, sob o pretexto de estudar Biologia Marinha. Mas o que ele queria mesmo era viver da música. Quando desistiu dos estudos, da Alemanha e do sonho de ser músico, fez a tropa em Santarém (para manter a nacionalidade portuguesa), e começou a trabalhar como product manager de um suíço. “ Nunca ganhei tanto dinheiro nem viajei tanto como durante esses cinco anos”, recorda. 

Por azar zangou-se com o suíço ao mesmo tempo que fechou a têxtil onde a mulher trabalhava. Estava com 30 anos e resolveu abrir um restaurante. Os anos 90 estavam a começar. Os primeiros tempos não foram fáceis.

“ Na altura, abrir um restaurante sem filetes de pescada ofendia a honra portuense. Fui insultado por cozinhar bacalhau com vinho do Porto”, conta Miguel, que atingiu a consagração com o Bull & Bear (o 3º dos seus restaurantes), eleito em 97 pelo Financial Times como um dos 25 melhores da Europa.

Quando há dois anos, Frederico Collares Pereira o desafiou a trocar Leça pela Lapa, já tinha as suas credenciais estabelecidas. Na viragem do milénio, a Academia Portuguesa de Gastronomia proclamou-o cozinheiro do ano. E a partir de 2007 passou a ter três receitas no Larouse Gastronomique.

José Quitério confessa não perceber como é que os portuenses não o impediram de se mudar para a capital: “No lugar deles tinha fechado a ponte da Arrábida”. Miguel explica a mudança, adaptando uma tirada de Cavaco: “Deixem-me cozinhar” (já estava farto de ser ao mesmo tempo chef e empresário de restauração).

Degustar um banquete na companhia do chef que inventou o que comemos e bebemos (um Dão branco, Paços dos Cunhas, em parceria com Carlos Lucas, e um Douro tinto, Cassa, em parceria com Rui Madeira) é um privilégio idêntico ao ver um filme com o realizador a comentar ao nosso lado.

Para memória futura aqui fica um relatório sintético de uma experiência inolvidável: creme de coentros com tomate assado (amuse bouche); vieiras grelhadas em infusão de dois azeites com colorau e alho (não descascado); lulinhas salteadas em azeite sobre batatas crocantes cozinhadas com pele (“Já me insultaram por ter tentado tirar esta entrada da lista”); tártaro de carapau;  risotto de rucola e robalo escalfado com lingueirão (“Ainda não tinha provado este prato. Às vezes não tenho paciência para a minha cozinha… “); carrilheiras de porco preto em vinho tinto com cominhos (“Tento ter sempre na lista alguns pratos bem portugueses”).

Para rematar três sobremesas: Parfait de amêndoa com molho moscatel; mousse de chocolate zero graus com praliné de avelã; gratinado de maçã com molho de baunilhas.

“Não gosto de fazer sobremesas. E como não as como, tenho tendência a fazer sobremesas pouco doces”, explica, antes de sintetizar numa frase a sua teoria: “Comer com prazer sem que isso signifique um exercício intelectual”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

 

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Largo

Rua Serpa Pinto 104, Lisboa

Frederico Collares Pereira foi intransigente na decisão de não me deixar pagar. Quando insisti, explicando que era importante dar aos leitores uma ideia de quanto custaria fazer uma refeição destas, fez o seguinte exercício de preço por pessoa para um almoço em que dois comensais partilhassem um menu Largo e a sobremesa:

 Largo…  29,00

Água Chic 1 litro … 3,90

1 copo branco Paços dos Cunhas de Santar … 5,00

1 copo tinto Cassa … 5,50

Mousse chocolate … 5,50

1 café …. 2,00

Total … 50,90 euros

 

 

Curiosidades

 

Como a licença para iniciar as obras no Largo (um espaço que era usado como armazém de material eléctrico) demorou 18 meses a chegar, Miguel foi-se entretendo em formatar a lista da petisqueira lisboeta De Castro Elias, o restaurante onde Isabel dos Santos fechou o negócio de entrada na Zon – e gostou tanto da comida que contratou a cozinheira para o restaurante Ondah, em Luanda

 

“A América não é a Europa. E a Europa não é Portugal. Se Alain Ducasse viesse para cá, o restaurante dele fechava em três meses”, vaticina Miguel

 

“Desde miúdo que gostava de cozinhar”, confessa Miguel, que praticou muito com tachos e panelas durante os anos em que estudou e viveu na Alemanha, entre Kiel e Munique, já que cozinhava para os colegas com que partilhava o apartamento. “Assim não tinha de levantar a mesa e lavar os pratos, explica.

Sofia Sousa

“Hoje estou a cometer um excesso”, confessa, Sofia Sousa, 37 anos, enquanto olha, com um sorriso ligeiramente maroto, para o prato (pequeno) de raviolis de espinafres, com beterraba e couve, que trouxe do bufett do restaurante do Holmes Place de Miraflores, explorado pela cadeia de comida saudável Bits & Pieces.

O excesso de Sofia eram os raviolis. Por norma, ela não come massas. “Gosto mais de peixe do que de carne. E na carne prefiro sempre a branca à vermelha”, explicou a directora geral da Holmes Place Portugal, uma rede nacional de 19 clubes, com cerca de 60 mil sócios.

Sofia iniciou com um creme de legumes uma refeição que acompanhou com o sumo do dia (banana, laranja e morango). Estar em forma é uma preocupação que a acompanha desde os três anos, a idade em que a mãe (jurista) e o pai (jornalista) acharam apropriada para ela começar a fazer ginástica no Colégio Portugal, na Parede.

Ganhou-lhe o gosto e nunca mais parou. Fez ginástica desportiva, no Clube Nacional de Ginástica, até que no início da adolescência, em meados dos anos 80, se deixou contagiar pela moda da aeróbica, introduzida por Jane Fonda.

Pelo menos três a quatro vezes por semana, Sofia começa o dia às 7h30 com um treino de 45 minutos, de RPM (bicicleta) ou Total Condicionamento (“trabalha, localizadamente, diversos grupos musculares”, esclarece), em aulas com professor, num dos ginásios da rede Holmes – o seu centro de gravidade está em Algés, mas devido às suas funções, ela passa boa parte da semana em digressão pelos diferentes clubes.

“O treino relaxa-me”, afirma Sofia, que pesa 58 quilos, distribuídos por 1m72 de altura, o que além de excelente cartão de visita para a empresa que gere é a prova dos nove de que compensa ter um estilo de vida saudável, exercitando regularmente o corpo e sendo criterioso na escolha do que metemos na boca.

Licenciada em Gestão de Empresas pela Lusíada (1997) e sócia desde a primeira hora do Holmes (que abriu em 1998, com o clube da Quinta da Fonte), nunca passou pela cabeça a Sofia que iria trabalhar e ganhar a vida no local onde tinha prazer - e que pagava para frequentar.

Debutou profissionalmente no sector financeiro. Após um estágio no Credit Lyonnais, passou pelo BNU, experiência que recorda como deveras gratificante: “Na faculdade inundam-nos com muitos conceitos e teoria. No BNU vi como é que as coisas se faziam na vida real, lidando directamente com os clientes, enfrentando todos os dias situações diferentes. Aprendi muito com esta experiência enriquecedora”.

O departamento financeiro da Samsung, em Linda a Velha, foi a última etapa antes de deitar âncora no Holmes Place Portugal. Soube que havia uma vaga de directora de serviço, candidatou-se e ficou. Foi há uma dúzia de anos que começou a fazer alpinismo na hierarquia da empresa – até atingir, o ano passado, o vértice da hierarquia, dirigiu os clubes de Defensores de Chaves e de Miraflores e foi supervisor regional.

“Gosto do que faço, porque adoro trabalhar com pessoas e para pessoas, Aqui não há rotinas. Todos os dias há situações diferentes para resolver . Temos de ter a cabeça aberta e sermos humildes para estar sempre a aprender”, sintetiza.

Sofia (ainda?) não sentiu os efeitos da crise. Após o acelerado crescimento inicial, o número de sócios está estabilizado nos 60 mil (na maioria mulheres e do escalão etário 35/45 anos). Está preparada para enfrentar algumas desistências no pequeno grupo de sócios absentistas, que não frequentam os clubes (a média geral ronda as duas visitas por semana). Mas acredita que num período de crise as pessoas são mais criteriosas na aplicação do seu dinheiro e não vão poupar na prevenção e privar-se de um estilo de vida saudável.

“O conceito do Holmes é diferente dos ginásios de bairro. Nós somos um clube, que os sócios frequentam para treinar, nadar, fazer um sauna ou banho turco, relaxar no jacuzzi, encontrar os amigos, conviver com eles, fazer uma refeição ou até fechar negócio. É um convívio presencial e por isso bem mais simpático e saudável do que o Facebook”, conclui Sofia.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Bits & Pieces

Holmes de Miraflores, Oeiras

Creme de legumes …1,90

Prato do dia pequeno … 6,50

Prato do dia grande … 7,50

2 sumos naturais … 4,50

2 cafés … 2,40

Total … 22,80

 

 

Curiosidades

 

De acordo com um estudo do IHRSA, apenas 6 a 7% da nossa população faz exercício regulamente (o que não significa necessariamente que estejam inscritos num ginásio ou health club) . Ou seja, o Holmes Place tem uma quota de cerca 10% no mercado de 600 mil compatriotas cuja dose diária de exercício físico vai além do gesto de rodar a chave na ignição do carro e pressionar o botão de chamada do elevador. Há pois margem para o negócio crescer, tanto mais que em Espanha a percentagem de pessoas que pratica regularmente actividade física é o dobro da nossa (14%)

 

Os 900 mil portugueses obesos são, a um tempo, um dado estatístico preocupante e um target apetecível.  Com o reality show Peso Pesado, a Sic faz surf em cima da preocupante tendência para engordar. O Holmes Place Portugal formatou um produto para ajudar obesos e pessoas com peso a mais (40% da nossa população) a tornarem-se mais saudáveis. Peso Vital é o nome deste programa específico, com a duração de um ano e o custo de 149 euros/mês, em que os participantes são reunidos em grupos com um máximo de dez participantes e beneficiam de acompanhamento por um médico e um nutricionista    

 

Sofia não encara como concorrentes do Holmes as cadeias de clínicas de estética que pululam no nosso país como cogumelos depois da chuva: “Não se trata apenas de perder peso. A nossa preocupação vai além disso, contemplando mudança de hábitos e estilos de vida”

 

José Paulo Duarte

O feijão verde, a cenoura, o ovo, a couve flor e as batatas, ou seja todos os acompanhamentos da posta de pescada cozida que foi o almoço de José Paulo Duarte, tinham sido entregues nesse dia, pela manhãzinha, por uma das suas empresas (a Confraria da Horta), na cozinha do restaurante O Policia.

Se lhe falam em Paulo Duarte o mais provável é que a primeira coisa que lhe venha à cabeça sejam camiões e não os espargos ou as mais 200 variedades de produtos frescos que as 14 carrinhas da Confraria distribuem, todos os dias, ao romper da bela aurora, por hotéis, restaurantes, cafés e lares de toda a Grande Lisboa.

Já todos nos cruzamos na estrada com um dos 600 camiões da Paulo Duarte, a maior empresa portuguesa de transporte de alimentos e combustíveis - mais de 75% da sua frota é constituída por camiões cisternas.

Mas sucede que o quartel general da Transportes Paulo Duarte é em Torres Vedras, onde bate o coração do Oeste, a região que concentra cerca de 80% da produção nacional de frescos, pelo que se compreende que José Paulo Duarte, 55 anos, não tenha resistido à tentação de investir na produção e distribuição de produtos horto-frutícolas.

Além da Confraria da Horta, o grupo controla a Abrunhoeste, responsável por uma produção anual de mais de seis mil toneladas de fruta, essencialmente pêra rocha (4,7 mil toneladas), mas também ameixa (775 t), maçã (400 t) , pêssego, meloa e nectarinas.

“Temos óptimas condições naturais para a produção de horto-frutícolas. A laranja algarvia é deliciosa, enquanto que na maior parte das vezes a laranja espanhola é intragável. O problema é haver poucos agricultores empresários. Em 2009, as exportações do sector valeram 800 milhões de euros, mais 200 milhões que as de vinho. E a procura externa de fruta e produtos hortícolas portugueses não pára de crescer. Só nos últimos três meses, e para um único cliente alemão, transportámos 1500 camiões de batata, cenoura e cebola”, afirma José Paulo Duarte, que vai alargar em mais 90 hectares a sua área de produção.

Apesar do futuro próximo na nossa economia se apresentar carregado de nuvens, os negócios do grupo Paulo Duarte prosperam sob o céu tão azul que até parece acabado de lavar na máquina. A fruta toda vendida e no primeiro trimestre do ano o negócio dos transportes registou um crescimento de 20%, completamente à revelia do ciclo económico.

A falência de muitas pequenas empresas, com apenas um ou dois camiões, que baseavam a sua competitividade num preço baixo (e não acautelavam nos contratos uma revisão de preço em caso da subida do gasóleo) ajuda a perceber esta performance brutal da Transportes Paulo Duarte, que tem a sua blindagem à crise reforçada pelo facto de se ter especializado no transporte de bens de primeira necessidade (alimentação e combustíveis).

“Temos dezenas de camiões a andar 24 horas por dia durante os 365 dias do ano”, declara José Paulo, que durante a juventude foi ginasta e jogou hóquei em patins na Física de Torres Vedras, e começou a trabalhar na empresa fundada pelo pai, quando, com 24 anos, decidiu casar e pôr um ponto final a uma carreira universitária feita entre Agronomia (quatro anos) e Gestão de Empresas (dois).

Escolheu almoçarmos no Polícia, e não era preciso ser muito observador para reparar logo que é a cantina onde faz as suas refeições, quando está em Lisboa. Os empregados, que trata pelo nome, conhecem-lhe os hábitos. E a clientela habitual ou o cumprimenta ao longe ou vai mesmo à sua mesa dar duas de paleio.

“Desde pequeno que venho aqui com o meu pai. Dantes havia ali, junto ao restaurante, um posto de abastecimento da Sacor e os transportadores tinham o hábito de virem aqui almoçar”, conta, antes de atender um telefonema. Era um amigo (mas não cliente) que estava desesperado e precisava muito que ele lhe assegurasse um transporte. José Paulo pediu desculpa, mas não podia fazer-lhe esse favor. A sua frota, apesar de recentemente aumentada, só chega para as encomendas dos clientes habituais…

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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O Polícia

Avenida Conde Valbom 127

Pescada cozida …17,50

Garoupa grelhada … 21,00

Vinho da casa branco (Vinha das Servas) … 11,00

2 cafés … 2,40

Total … 51,90

 

 

Curiosidades

 

José Paulo Duarte pai (na foto) nasceu em 1918, numa família de agricultores abastados do Oeste. Como ficou órfão com 14 anos (o pai dele morreu tuberculoso), foi trabalhar como mecânico para ajudar a mãe a sustentar os seus sete irmãos. Depois de ter aproveitado a tropa (feita em Cascais) para tirar a carta, em 1946 comprou um camião Chevrolet e estabeleceu-se, fundando a Transportes Paulo Duarte. À sua morte, o filho homónimo sucedeu-lhe à frente do grupo, onde já trabalha a terceira geração – Gustavo e António, filhos de José Paulo Duarte filho, ambos internacionais de rugby 

 

A maçã Royal Gala ultrapassou a Golden na preferência dos portugueses. Mas a fruta de eleição de José Paulo Duarte é a pêra rocha, que aprecia ao natural, cozida (sem açúcar à sobremesa) ou mesmo a substituir batatas ou arroz como acompanhamento: “Fatias fininhas de pêra rocha, salteadas em azeite e sal, ficam muito bem com um prato de porco”   

 

A criação do mercado único europeu com a abertura das fronteiras tornou o transporte rodoviário imbatível relativamente à concorrência ferroviária. “Dantes, ficávamos um ou dois dias parados em Vilar Formoso. Agora fazemos Madrid-Lisboa em oito horas. E em 36 horas ponho os morangos de Odemira à porta do comprador inglês. Hoje em dia, as empresas não tem stock. O stock está no camião”, diz José Paulo Duarte

 

Andreia Jotta

O que está a dar no franchising é, em primeiro lugar, o negócio de compra e venda de ouro. O que faz todo o sentido. O ouro é o valor em que historicamente todo o mundo se refugia em tempos de crise e de incerteza como aqueles em que vivemos. Quem tem ouro e precisa de dinheiro vai vendê-lo. Quem tem dinheiro para aplicar compra ouro. Este movimento levou a cotação do ouro a ultrapassar os 1500 dólares a onça e há analistas a prever que atinja os 2000 dólares.

Só em 2010, a rede Valores, um conceito português nascido há três anos em Braga, foi acrescentada por 60 novas lojas, abertas em regime de franchising, que fazem surf em cima da acelerada mudança de mãos do ouro das famílias.

Logo a seguir ao ouro, os cuidados estéticos são o sector mais procurado pelos portugueses que recorrem ao franchising para abrir um negócio. O que volta a fazer todo o sentido. Todos os economistas sabem que as vendas de baton disparam nos momentos de crise, porque as mulheres sentem que devem caprichar ainda mais no seu aspecto - e fica muito mais barato chamar a atenção para uns lábios atraentes do que comprar um vestido novo.

O negócio do franchising é dos que melhor tira partido da crise e por isso ostenta invejáveis indicadores de crescimento. No ano passado, o volume de negócios do sector (12.044 unidades, de 570 marcas) cresceu 450 milhões de euros, passando a valer 3,1% do PIB, e criou 3.600 novos empregos.

“Há cada vez mais pessoas a usarem o franchising para criarem o seu próprio emprego”, explica Andreia Jotta, 35 anos, directora do Instituto de Informação em Franchising (IIF), uma organização privada que além de recensear o sector e editar a revista Negócios e Franchising, também promove, anualmente, duas feiras e encontros, para atribuição de prémios e troca de experiências.

Licenciada em Relações Internacionais pela Autónoma de Lisboa,  Andreia passou pela Unesco, a Comissão Euro do Ministério das Finanças, e a formação e organização de conferências antes de aterrar no grupo francês IFE, que, entre outras coisas, edita a Teleculinária e há três anos comprou o Instituto de Informação em Franchising (IIF).

Andreia apareceu sem adornos de ouro (e usando um baton discreto) no Green Pepper o restaurante da José Malhoa que escolheu por duas razões: fica próximo da sede do IIF e é ovo-lacto-vegetariano.

“Não sou exactamente vegetariana. Como frango e, muito de vez em quando, vaca. Porco é que nunca”, explicou a directora do IIF, que acompanhou o buffet de quentes e frios com sumo de laranja e beterraba – e não tomou café.

O almoço serviu para perceber porque é que até o aumento de desemprego é benéfico para o desenvolvimento do franchising. Só no ano passado, cinco mil portugueses aproveitaram os incentivos ao auto-emprego, recebendo à cabeça todo o subsídio de desemprego a que tinham direito para abrirem um negócio.

“Nunca houve tanto interesse pelo franchising. Muitas pessoas recorrem a ele para minimizarem o risco, já que arrancam com um modelo de negócio já testado e beneficiam logo à partida de formação e apoio”, explica Andreia.

Além de ser mais rápido abrir um negócio obtendo um franchise, as estatísticas garantem que também está a aumentar as probabilidades de a coisa dar certo. De acordo com Andreia, a taxa de sucesso de um novo negócio em franchising varia entre os 80% e os 90%, percentagem que, nos novos negócios independentes, cai para o intervalo 20% a 40%.

Como o financiamento é muitas vezes o único entrave à abertura de um negócio, a tendência é para os donos das marcas (franchisadores) subirem o standard de exigência para conceder uma licença mas baixarem o nível do investimento inicial.

Para aspirar a abrir um McDonald’s é preciso ter 450 mil euros em carteira, mas com três mil euros já se pode tornar um Mr Electric (dono de uma área geográfica exclusiva para usar a marca e proceder a trabalhos de electricista e reparações de electrodomésticos e) e se tiver 3500 euros já pode ter uma loja Optimus Negócio.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Green Pepper

Avenida José Malhoa 148, Lisboa

2 Buffets de quentes e frios …13,90

4 Sumos de laranja e beterraba … 7,40

1 café expresso …0,75

Total … 29,45

 

Curiosidades

 

Se fosse abrir agora um negócio, Andreia escolheria um franchise tipo Comfort Keepers, por apostar num aumento da procura da prestação ao domicílio de cuidados de enfermagem, higiene pessoal e de alimentação a idosos

 

A maior rede de franchising  em Portugal é a Optivisão, seguida da ReMax e Multiópticas. O panorama varia de país para pais. Em Espanha, quem lidera são as redes de distribuição e restauração. Em França, cadeias de artigos de decoração para cozinha, como a Genevieve Lethu, têm um enorme impacto. E em Itália a liderança é dividida pelas lojas de iogurtes gelados e as de estética 

 

A Melom, um conceito formatado por Manuel Alvarez (que, com Beatriz Rubio, detém o master franchise para Portugal da ReMax), é um bom exemplo de um dos segmentos que está a conhecer uma procura mais explosiva – o de reparações e obras domésticas, de remodelação ou manutenção

Carlos Marta

A alcunha que transportou enquanto futebolista profissional deve-a aos fregueses da taberna do pai, a Nova Aurora, estrategicamente situada ao lado da Câmara Municipal, na praça principal de Tondela.

“Vai nascer um novo Águas”, vaticinavam os frequentadores da taberna, brindando a isso com copos cheios de vinho do Dão, desejo que agradava ao promitente pai, um benfiquista fanático que festejava as vitórias do seu clube oferecendo uma pipa de vinho, a que (conta o filho) prudentemente adicionava água com o duplo objectivo de controlar o prejuízo e a euforia da clientela.

Capitaneado por José Águas, o Benfica foi campeão em 1957, o ano em que nasceu Carlos Marta, com jeito para a bola  e que  – isso os fregueses  da Nova Aurora nunca conseguiriam adivinhar – acabaria por ocupar o melhor gabinete do edifício vizinho da taberna: os Paços do Concelho.

O Águas de Tondela debutou como futebolista aos 15 anos, com a camisola verde e amarela do clube local, mas na época 75/76, ainda miúdo de 18 anos, já o vemos na Académica, a  jogar ao lado de veteranos consagrados como Rui Rodrigues, Gervásio e Manuel António.

Académico de Viseu, U. Leiria e Marítimo foram as escalas seguintes de uma carreira que acabou com o regresso à terra, alinhando quatro épocas no Mangualde e começando a dar aulas.

O talento para a bola pode ter-lhe mudado o futuro (no liceu pensou fazer Medicina) mas não o impediu de fazer o curso do ISEF, em Lisboa, onde foi colega de Carlos Queiroz e Rui Caçador . “Eu era o único jogador de futebol, os outros eram empurradores de bola”, ironiza Carlos Marta, 54 anos, que cedo sacrificaria a docência no altar de uma carreira política, que o levou a ser deputado durante dez anos, eleito nas listas do PSD.

Em 2001 retornou a Tondela e foi eleito presidente da Câmara com 73% e a vitória em 24 das 26 freguesias. Na segunda reeleição, em 2009, manteve os 73% e  ganhou todas as 26 freguesias, incluindo a de Tonda, onde fica o Três Pipos, o restaurante que escolheu para almoçarmos.

A mesa já estava posta, com apetitosas entradas variadas, mas o melhor ainda viria a seguir: a vitela à Lafões regada com um tinto Dão, ou seja as duas componentes da marca Dão Lafões da Comunidade Intermunicipal (CIM) presidida por Carlos Marta.

Assada no forno, a vitela de Lafões deve a fama ao facto das rações não constarem da sua dieta (alimenta-se apenas nos pastos) e é cortada às postas, não à fatia. Uma das grandes apostas da CIM Dão Lafões é a gastronomia típica da região, onde constam a chanfana e o cabrito da Serra do Caramulo.

A oferta turística da região vai ser aumentada com a inauguração, em Maio, da maior ecopista do país, que tem 56 km de extensão e atravessa três concelhos (Viseu , Tondela e Santa Comba Dão). Este aproveitamento da antiga linha ferroviária do Dão vai ser gerido pela CIM Dão Lafões e é um dos 96 projectos, no valor de 73 milhões de euros, que candidatou ao QREN.

Carlos Marta está contente por a comunidade a que preside ter a segunda melhor taxa de execução do país e fala com entusiasmo de outros projectos em curso, com o da rede urbana para a competitividade, que fomenta o empreendedorismo em seis concelhos e em áreas pré-definidas: biotecnologia em Tondela (que acolhe empresas como a Labesfal e a Controlvet), automóvel em Mangualde, cultura em Viseu, empreendedorismo social em Santa Comba, e termalismo em S. Pedro do Sul (que tem as maiores termas da Península Ibérica).

Os ganhos de escala que a comunidade intermunicipal permitiu já deixam satisfeito Carlos Marta, que se declara desfavorável à Regionalização:

“ A Regionalização já está feita com as CCDR. Sou contra a criação de mais cargos políticos. Câmaras e juntas de freguesia têm dado muito bem conta do recado. E, quando é necessário, agrupam-se em organismos intermédios de gestão, como as comunidades intermunicipais. Sou um municipalista convicto”, afirma Carlos Marta, o antigo Águas de Tondela, que não teme os cortes que estão a ser cozinhados em Lisboa pela troika: “É preciso reduzir de forma assustadora o aparelho de Estado. Até chegarem aos municípios vão ter muito de cortar e em muito lado”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Três Pipos

Rua Santo Amaro 876, Tonda, Tondela

Vinho da casa (Tinto do Dão)

Pão

Água

Entradas (pastas diversas, azeitonas, enchidos, provaduras, pataniscas, salada de polvo, moelas)

Mimos de vitela de Lafões

Manga

2 Cafés

 

 

Curiosidades

 

O momento mais alto da carreira de futebolista do Águas de Tondela foi ter marcado em Alvalade o golo da vitória por 1-0 do Académico de Viseu, que assim evitou a descida de divisão. “Foi a única vez em que o Académico fez duas épocas seguidas na I Divisão”, conta Carlos Marta. A vítima foi o guarda redes sportinguista Vaz 

 

Não satisfeito por não nos ter deixado pagar a conta, Carlos ainda por cima fez questão de nos oferecer uma bilha de segredos (o segredo é saber como se bebe por ela sem deixar verter liquido), uma peça de artesanato do concelho. Os barros de Molelos são famosos por serem negros, devido à redução de oxigénio durante o processo de cozedura.   

 

Criada em 2007, para candidatar projectos ao QREN, a Comunidade Intermunicipal Dão Lafões é constituída pelos seguintes 14 municípios: Aguiar da Beira, Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, S. Pedro do Sul, Sátão, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela. Viseu e Tondela são os concelhos mais populosos desta comunidade, que reúne mais de 300 mil pessoas. No momento da fundação, todos os 14 concelhos eram laranja (ou não estivessemos no Cavaquistão!). Agora há três câmaras rosas, mas entendem-se todos bem  - e as decisões importantes são sempre tomadas por unanimidade.

Bernardino Meireles

Leão, Portugal, Produtos Estrela (PE), Siul são algumas das históricas marcas portuguesas de fogões que foram parar ao cemitério. Com turcos e brasileiros a tomarem conta do mercado do preço e a imagem pouco sexy do Made in Portugal, não é nada fácil sobreviver em Portugal neste negócio. Que o diga Pinto da Costa, muito menos bem sucedido a vender fogões do que a gerir o FC Porto.

A Meireles, que faz 80 anos, é única sobrevivente da enclítica geração de fabricantes fogões. Os segredos desta longevidade foram o tema da conversa, à volta de um polvo à lagareiro  (cozinhado num forno Meireles), com um neto do  fundador da empresa.

Bernardino Meireles, 54 anos, presidente da administração, escolheu almoçarmos no Líder, nas Antas, e hesitou entre o sável e o polvo numa refeição regada por um tinto do Douro que ajudou a relembrar histórias dos tempos do liceu (ambos frequentamos o Alexandre Herculano, no mesmo ano, mas em turmas diferentes).

“A mão de obra pesa 16% no custo final do fogão”, conta Bernardino, justificando porque é que se afastou do mercado do primeiro preço. A hora  mão de obra custa nove a dez euros no nosso país, cinco euros na Polónia  (em parceria com os italianos da Nardi, a Meireles tem um fábrica em Wroclaw), e 21 a 22 euros em Itália.

Depois da tropa (EPC Santarém, 78/79) lhe ter interrompido o curso de Electrotecnia, Bernardino não mais voltou à FEUP (Engenharia do Porto) – foi directo para a fábrica, ajudar o pai.

Quando, em 1996, Bernardino assumiu a presidência, a Meireles era forte como um Titanic, liderando o mercado nacional com uma quota de 24%. Mas percebeu que se não mudasse o rumo iria chocar com um enorme iceberg e naufragar.

Para não evitar fazer companhia no fundo do mar às outras marcas históricas de fogões, começou a exportar, apostou na inovação e estabeleceu uma aliança estratégica com os italianos da Nardi para dar resposta à moda dos encastráveis.

“O fogão foi o electrodoméstico que menos evoluiu”, afirma Bernardino, antes de descrever o programador que a Meireles instalou em fogões eléctricos topo de gama, que permite, antes de sairmos de casa pela manhã, deixar a carne no forno com a hora marcada (e temperatura definida) para ele começar a trabalhar, de modo a termos o assado pronto para o jantar.

Esta é apenas uma das inovações. Para satisfazer uma encomenda de três mil fogões de máxima segurança feita por cliente australiano, a Meireles está a fabricar um fogão com a porta fria, com três portas (o forno normal tem duas) e um sistema de refrigeração que baixa para 70º (em lugar dos habituais 110º) a temperatura da porta exterior quando o forno está a 250º..

Mas o grande trunfo competitivo são as instalações para restauração e hotelaria (que valem 15% da facturação) e o maxi-forno, com largura de 90 cm por 60 cm de profundidade (as medidas standard são 60x60 ou 55x60), desenhado a pensar no Médio Oriente.

As cozinhas de palácios de vários membros da família real saudita foram equipadas pela Meireles, que tem no Médio Oriente o seu segundo maior mercado de exportação, a seguir a Espanha, onde tem uma quota de mercado de 11,5%.

“Os sheiks têm palácios onde são servidas três mil refeições/dia”, conta Bernardino, acrescentando que o maxi-forno Meireles, com capacidade para assar um cabrito inteiro ou quatro frangos ao mesmo tempo, é o adequado aos hábitos alimentares das famílias numerosas do Médio Oriente, que usam mais o forno (até para fazer a doçaria) que as ocidentais.

Marrocos, Argélia, Tunísia, Egipto, Jordânia, Bahrein e Irão fazem por isso parte da geografia da expansão da Meireles, que fabrica 100 mil fogões/ano e faz fora de portas 44% do seu volume de negócios de 20 milhões de euros.

Bernardino sabe que para continuar a ter sucesso é preciso manter os sentidos bem despertos aos sinais do mercado e saber adaptar-se às suas mudanças e idiossincrasias.

“Por ser Made in Portugal, o preço dos nossos fogões tem de ser 10% a 15% inferior ao que seria se levasse a etiqueta Made in Italy”, lamenta Bernardino, que com a aposta na exportação, inovação e na parceria com a Nardi ainda conseguiu que a quota da Meireles no mercado interno subisse de 24% para 36%.

Jorge Fiel

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Lider

Alameda Eça de Queiroz 126, Porto

Couvert …6,00

2 Polvo assado  … 37,00

Água 1 l … 3,50

Prazo Roriz (Douro, Symington) … 16,00

4 cafés … 4,00

Ananás natural … 4,50

Total …71,00

 

 

Curiosidades

 

António Meireles (1900-1976), o avô de Bernardino  tinha a 3ª classe e 31 anos quando fabricou o primeiro fogão eléctrico português, depois de ter desmontado e montado por vários vezes um fogão Husqvarna importado da Checoslováquia. Chefe do turno da noite na estação de Massarelos (onde recolhiam os carros eléctricos do Porto), em vez de passar o dia a dormir e jogar bilhar, aproveitou o facto de ser curioso e jeitoso de mãos para começar a ganhar mais umas coroas fabricando camas de ferro e fogões no quintal da sua casa, na rua de S. Cosme, na zona Oriental do Porto. Foi assim que nasceram os célebres Fogões Meireles

 

Um fogão Meireles, para uso doméstico médio, custa em média 300 euros. No caso de um semi-profissional, o preço sobe para 1500 euros. O fogão a gás é esmagadoramente (90%) maioritário nos lares portugueses. Apenas 10% usam o fogão misto (mesa de trabalho a gás, por ser mais rápido, e forno eléctrico), que Bernardino considera o ideal

 

O programa intensivo de construção de vários bairros sociais no Porto, desenvolvido entre os anos 50 e 60, ajudou ao crescimento da Meireles, já que as habitações eram entregues aos moradores já equipadas com um pequeno fogão 

 

Joana Espadinha

Ainda mal tinha acabado de largar as fraldas e já era notório que Joana tinha sido prendada com uma bela voz, que exercitava com gosto repetindo os cantares alentejanos  que os pais lhe ensinavam. E pouco depois de ter deixado de ser analfabeta, logo começou a escrever poemas. Juntando a boa voz com o gosto pelo canto e o prazer da escrita, talvez estivesse escrito nas estrelas que Joana Espadinha, 27 anos, se iria licenciar em jazz no Conservatório de Amesterdão e daria o nome a um quinteto.

Filha mais velha do matrimónio entre dois alentejanos (ela de Serpa, ele da Vidigueira), que se conheceram no Liceu de Beja mas só começaram a namorar em Lisboa, onde cursaram História, Joana cresceu em Cascais numa família com queda para a música – o irmão é guitarrista de jazz e a irmã toca piano clássico.

Aos 12 anos vemo-la no coro dos Pequenos Cantores do Estoril. Quatro Verões mais tarde já está a liderar os Mind Astray, uma banda de covers , formada na Secundária de Cascais, com u mrepertório se baseava em êxitos dos Cranberries, Bryan Adams e por aí adiante… Sheryl Crow e Bem Harper eram dois dos seus cantores favoritos.

Hesitou muito quando chegou a altura de escolher o curso. Era apaixonada por música e pela escrita. Encarou ser jornalista. Ainda que um bocado contrariada, deixou-se convencer pelo argumento que muitos jornalistas eram juristas e matriculou-se em Direito.

Foi uma enorme chatice. “Toda a gente me conhecia por estar sempre a adormecer nas aulas”, conta Joana, que, por altura do 3º ano, começou a acumular as aulas de Direito com as de canto, na escola do Hot Club, prometendo aos pais que isso não iria pesar mais no orçamento familiar.

Durante os três anos em que estudou jazz no Hot Club, pagou as propinas  com o dinheiro poupado das prendas de anos e Natal, mas também com a voz -  actuava no Coro SOS, que abrilhantava casamentos e conferia uma solenidade a enterros  (“nos funerais não cobrávamos cachet”), e, pela mão do baterista Gualdino Barros, começou a cantar em público um reportório de standards celebrizados por Billie Holiday,  Carmen McRae, etc.

Já sabia perfeitamente o que queria fazer quando acabou  Direito, em 2006, e não se deixou convencer das vantagens em, pelo sim pelo não, fazer o estágio de advocacia. Decidiu ir estudar jazz no Conservatório de Amesterdão com a mesma determinação com que insistiu em encomendar o magret de pato, apesar de ter sido aconselhada a optar pelas costeletas de borrego pela chefe de mesa  do Rossio, o restaurante do último andar do Altis Avenida.

 “Guiar com muita atenção à música pode ser perigoso”, gracejou Joana, quando comentávamos que a maioria das pessoas raramente consome a música como actividade exclusiva, mas sim como banda sonora, quando está a estudar, comer, ler, trabalhar ou conduzir  - no carro, ela gosta de ouvir a Europa-Lisboa e a Marginal.

Na escolha de Amesterdão pesou não só a boa reputação do seu Conservatório, mas o dinheiro. Senão teria preferido a Manhattan School of Music. Durante os quatro anos em que viveu em Amesterdão, foi praticamente auto-suficiente – o praticamente justifica-se pelo facto de a mãe lhe ter pago algumas viagens a Portugal. Joana beneficiou da generosidade do Estado holandês (que oferece aos trabalhadores um cartão para os transportes públicos e uma bolsa mensal de 250 euros), não desperdiçava uma hipótese de ganhar dinheiro a cantar, e trabalhou em restaurantes – num argentino (em que só lhe davam frango para comer) e num mexicano ( galo, pois ela não gosta de comida picante).

A conversa ia boa, mas teve de ser interrompida, pois às 15h30 Joana tinha de dar uma aula de canto a Oeiras. Em Julho do ano passado, quando regressou de Amesterdão, foi dizendo que sim a tudo e acabou a dar por ela professora em quatro escolas (Hot Club, Crescendo Musical, Interartes e Centro Musical de Cascais).  “Gosto de dar aulas, mas não posso dedicar-lhes tanto tempo. Um músico profissional não pode deixar de estudar senão estagna”, concluiu Joana, uma música que toca voz - ou, se preferirem a expressão feliz de Bernardo Moreira, toca garganta.  

Jorge Fiel

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Brasserie  Rossio

Altis Avenida Hotel

Rua 1º Dezembro, 120, Lisboa

Couvert …5,00

Magret de pato, açorda de espargos e maçãs, molho frutos silvestres  … 16,50

Carré de borrego em crosta de ervas, batata a murro e peixinhos da horta… 18,00

2 Copos Areias Arinto … 9,00

1 café ristretto … 2,75

Total … 57,25

 

Curiosidades

“Em palco fico sempre nervosa”, confessa Joana, acrescentando ter ficado mais sossegada quando soube que Elis Regina (“uma das minhas maiores influências”), antes dos concertos, andava sempre numa pilha de nervos. “Um bocadinho de nervoso em palco até nem é mau se o conseguirmos canalizar para dar mais energia à actuação”, conclui

 

Joana foi estudar para Amesterdão acompanhada por dois Joões, com quem partilhou uma casa, “com ratos por todo o lado”, alugada por mil euros/mês. Os dois Joões tocam ambos no seu quinteto  - o Hasselberg (que se tornou seu namorado) no contrabaixo, e o Firmino (que se tornou no melhor amigo dela) na guitarra. As primeiras impressões de Amesterdão não foram muito favoráveis,  devido ao Red Light District. As segundas também não foram espectaculares. “O dinheiro é demasiado importante na mentalidade holandesa. E nota-se uma desconfiança relativamente aos estrangeiros”, diz

 

50 euros é o cachet médio que um músico de jazz cobra para uma actuação num café, clube ou pequena sala de espectáculos  

Rui Miguel Nabeiro

O segredo do café expresso perfeito está na moagem. Se demasiado fina, o café sabe a queimado. Se demasiado grossa fica aguado. O ponto crítico é a moagem, mas o segredo, segundo Rui Miguel, 32 anos, começa por um bom café, condição necessária mas não suficiente. “Não se fazem omeletas sem ovos, mas com ovos e fazer-se uma péssima omeleta”, comenta o neto do homem que há 50 anos, criou a Delta, em Campo Maior, num armazém de 50 m2, com duas bolas de torrefacção com capacidade para 30 kg.

O expresso perfeito “obriga a olho e mão para a moagem”, e exige sete gramas de bom café, água a 90ºC e uma pressão entre 19 e 21 bar. Quem o garante é Rui, que a nosso pedido, no final da refeição, foi até à máquina tirar os cafés, demonstrando que além da teoria também tem a prática.

Os dois expressos perfeitos remataram uma refeição em que ele optou por um caril de gambas à Oriental. A escolha do vinho não teve segredos. Foi só pedir o saca rolhas. Na mesa na Doca de Santo, reservada pela Delta, já estava uma garrafa de tinto alentejano Reserva do Comendador, da família Nabeiro.

Rui Miguel não tem poiso certo ao almoço. Está sempre a variar pois aproveita para contactar clientes. E a Delta tem uma data de clientes directos: mais de 45 mil, trabalhados por uma rede de 250 vendedores, que cobrem todas as ruas do país.

Apesar das raízes da família Nabeiro estarem solidamente estabelecidas em Campo Maior (onde empregam cerca de 60% da população), Rui Miguel nasceu e cresceu em Lisboa, onde fez um percurso escolar calmo (secundário nos Salesianos, Gestão na Católica), desprovido de segredos quanto ao futuro. Nos fins de semana e nas férias grandes, em Campo Maior, o avô (que fez 80 anos na 2ª feira)  estava sempre a dizer aos netos: “Vocês têm de vir ajudar o avô. Não posso ficar sozinho”. Todos os três lhe fizeram a vontade: Rita, a irmã de Rui Miguel, ocupa-se do marketing dos vinhos, e Ivan, o primo, trabalha em Campo Maior.

“O avô começa a trabalhar às seis da manhã e nunca pára antes das nove da noite. E transmitiu-nos essa energia. Temos de lhe agradecer ter-nos proporcionado uma vida confortável e estudarmos sem preocupações. E a melhor forma de lhe agradecer é dar o nosso contributo para o grupo que ele criou e desenvolveu”, explica Rui Miguel, acrescentando, meio a brincar (por isso também meio a sério): “Nós não trabalhamos para viver. Nós vivemos para trabalhar”.

Acabou o curso em Julho (2003) e a 1 de Setembro estava a apresentar-se em Madrid, no escritório da Coprocafé (o maior comprador mundial de cafés verdes), a iniciar uma pós graduação informal em café, que o levou ao Vietname (maior produtor mundial de café robusta), e a Winthertur (no estado maior suíço da Volcafé, outro gigante da compra de cafés verdes).

De montante (os cafés verdes) passou jusante (o tirar do café propriamente dito) com uma estada em Itália no fabricante de máquinas de Brasilia, onde afinou a mão e o olho para acertar no ponto da moagem. Passou ainda por Santos, no Brasil, onde frequentou o único curso mundial de provadores de cafés.

Imbuído de toda esta ciência, regressou a Portugal, passando dois anos em Campo Maior, junto ao departamento de inovação, preparando a resposta à ofensiva da Nestlé, que tirava partido da novidade Nespresso para aumentar a sua quota num mercado liderado pela Delta.

A Sarah Lee, gigante mundial do café, resolveu atacar a Nestlé produzindo cápsulas que funcionam nas máquinas Nespresso. A Delta não quis ir por esse caminho, que Rui Miguel considera pouco leal e um desrespeito pelo trabalho dos outros: “Em vez de atacar com o coração, resolvemos usar a cabeça ”.

Usar a cabeça foi apostar em máquinas próprias, com fabrico e design nacional, e replicar em cápsulas o café que a Delta é boa a fazer, com o paladar, aroma e equilíbrio que o português gosta  - e não um produto internacional. Em menos de três anos, a Delta Q tem mais de 200 mil máquinas vendidas e calcula ter uma quota de 30% (nada mau, pois a Nespresso começou há dez anos)  num mercado que vai crescer, uma vez que com a cápsula, que já trás a gramagem e moagem certa, é muito mais fácil tirarmos em casa o café expresso perfeito.

Jorge Fiel

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Doca de Santo

Doca de Santo Amaro Armazém CP, Lisboa

Pão …0,70

Azeitonas  … 1,00

Água 0,5 l … 1,90

Tinto Reserva Comendador … 45,00

Caril de gambas à Oriental …12,50

Bacalhau espiritual … 8,95

2 cafés ..3,00

Total … 73,05

 

 

Curiosidades

 

Nelly Furtado vai estar no Festival Delta Tejo, que este ano, em que a marca de café comemora 50 anos, vai ter o seu cartaz reforçado apesar das limitações que a sua filosofia própria impõe  - o palco está reservado a músicos portugueses (Nelly entra devido à sua costela açoriana) ou provenientes de países produtores de café. Em meio século de vida, a Delta é líder nos mercados português (resistindo a todos os ataques da Nestlé) e angolano de café, e está no top 5 espanhol (sendo líder na Estremadura e Andaluzia)

Rui Miguel, que tem dois filhos (João e Luca) e é casado com uma italiana,  bebe cinco cafés dia. Dois expressos com leite logo ao pequeno almoço, outro a meio da manhã, um a seguir ao almoço e o quinto a meio da tarde. À noite, no momento depois do jantar, bebe um Red Q, uma das cápsulas vedeta da Delta Q, que parece um café mas efectivamente é um chá Roiboos, tranquilizante e muito rico em anti-oxidantes

 

Ir tomar café é um momento socialmente importante para nós, portugueses. Quando queremos falar com uma pessoa, convidamo-la para tomar café – mesmo que depois encomendemos uma água, cerveja ou Coca Cola. Os espanhóis, nas mesmas circunstâncias, dizem: vamos tomar uma caña? Apesar disso, o consumo anual de café  no nosso pais é mais baixo (2,5 kg per capita) que o espanhol (cerca de três kg) e está a milhas do dinamarquês (11 kg) e dos restantes nórdicos, que estão sempre beber litros de café arábica (que tem metade da cafeína do robusta)

Rui Oliveira

 

Lembram-se de Fernando Gomes, o célebre avançado portista que ganhou duas Botas de Ouro, ter dito que a sensação de marcar um golo era idêntica à de ter um orgasmo? Ora a ciência está aí a demonstrar que ele não disse um  disparate …

Uma equipa do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) que mede as variações hormonais a partir de amostras da saliva de futebolistas e adeptos, recolhidas antes, depois e durante os jogos, prova que a alegria do golo coincide com um elevado pico de testosterona  - não será exactamente um orgasmo mas anda lá por perto.

“No final de um jogo em que ganharam, as futebolistas também estão cheias de andrógenos”, afirma Rui Oliveira, 45 anos, o biólogo que é reitor do ISPA e tem a teoria (e a prática) de que uma escola do ensino superior não se pode limitar a transmitir conhecimento – tem também de o produzir.

O surf foi o caminho que levou Rui, nascido numa família da classe média (o pai negociava com Vinho do Porto) da avenida de Roma, a apaixonar-se pela biologia marítima. Os pais tinham uma casa em S. João da Caparica, onde ele passava as férias grandes a fazer surf e a aguçar a curiosidade sobre os mistérios de vida dos peixes.

Os cabozes, abundantes no parque da Arrábida , foram o primeiro objecto da sua curiosidade cientifica, ainda estudante universitário, numa altura em que dava aulas de mergulho em Sesimbra.

Com a ajuda de Vítor Almada (professor do ISPA) descobriu que os cabozes, que vivem na zona das marés, desenvolveram uma apreciável memória espacial, que lhes permite sobreviver na maré baixa, saltando de poça para poça quando sentem em perigo. O estudo do comportamento social dos cabozes permitiu-lhe ainda apurar que coexistem duas variedades de machos, sendo que a mais fraca, incapaz de se reproduzir, faz um travesti, disfarçando-se de fêmea.

“Somos menos únicos do que pensamos”, declara o reitor do ISPA, que após acabar o curso e a tropa (feita na artilharia, em Cascais), conseguiu uma bolsa de doutoramento para estudar a influência hormonal no comportamento dos tilápios, um peixe oriundo dos grandes lagos de África faz parte da gastronomia brasileira e africana.

Rui, que trabalha em laboratório com um cardume de 150 tilápias, só por uma vez comeu uma, no Brasil. Não gostou. O seu peixe preferido continua a ser o robalo ao sal, mas também aprecia as pataniscas de bacalhau com  arroz de tomate, que almoçamos na esplanada do Lautasco, num pátio em Alfama que fica a cinco minutos do ISPA, numa refeição que empurrou com  ice tea de limão (não bebe álcool) e rematou com mousse de chocolate e chá de cidreira.

“Os peixes, apesar de terem cérebros pequenos, são qualitativamente capazes de fazer quase tudo o que fazemos. Reconhecem-se e recolhem informações sobre os outros que depois usam em seu proveito. Comportam-se de maneira diferente consoante têm ou não audiência. E conseguem inferir que se A é maior que B e B é maior que C então A é maior que C, o que não é adquirido seja percebido pelas crianças como menos de três anos”, diz.

O estudo do comportamento social dos peixes permitiu a Rui encontrar a sua resposta à velha questão que divide a comunidade científica: É a socialização ou a genética?

“O mundo não é a preto e branco, mas não há fado genético. O ambiente social pode mudar a biologia. Não há determinismo biológico para o sucesso social.”, conclui Rui, que iniciou em 1994, como assistente convidado do ISPA uma carreira que o levaria, em 2010, ao cargo de reitor, principal responsável por uma escola com 200 professores (dos quais 62 exclusivos), mais de 20 cursos entre os três ciclos (um 1º ciclo em Biologia é a mais recente novidade) e 1700 alunos.

Apesar da curva demográfica e da crise estarem a reduzir a população universitária, o ISPA registou um aumento da procura, a que não são estranhos os bons indicadores de empregabilidade: um ano depois de concluírem o curso, 3/4 dos seus licenciados estão a trabalhar em Psicologia , um em cada quatro ficam ligados à instituição onde fazem o estágio e a taxa de desempregabilidade, medida a partir dos inscritos nos centros de emprego, é de apenas 4,1%. Nada mau.

Jorge Fiel

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Lautasco

Beco do Azinhal, 7 e 7-A, Lisboa

Couvert …2,00

Salada mista  … 5,90

Nestea de limão …. 1,75

Água … 1,60

2 pataniscas com arroz de tomate … 21,80

Copo de Borba tinto … 1,75

Mousse de chocolate … 3,40

1 chá de cidreira … 2,20

1 café ..0,95

Total … 41,35

 

 

 

Curiosidades

 

Há 28 escolas portuguesas que dão cursos de Psicologia, o que é considerado excessivo pelo reitor do ISPA que está à espera que uma entidade externa os avalie, acredite e elabore um ranking. “Fechar cursos será positivo, não para eliminar a concorrência, mas para elevar a qualidade do ensino”, defende

 

O peixe zebra (zebra fish), originário da India e Bangladesh, está substituir os tradicionais ratinhos como cobaias para as experiências nos laboratórios de Ciências Biomédicas. Estão à venda linhagens de zebra fish transgénicos especialmente preparados para linhas de investigação específicas, como a doença de Parkinson ou as insónias. São inúmeras as vantagens destes pequenos mas robustos peixes: são mais baratos, ocupam menos espaço, têm ninhadas muito maiores, e, ainda por cima, como as larvas são transparentes, permitem aos investigadores visualizar os circuitos do cérebro enquanto expressam comportamentos. Rui Oliveira já trabalha com peixes zebra

 

Costuma dizer-se que tudo que se sabe sobre comportamento se deve aos ratos e aos estudantes de Psicologia, as tradicionais cobaias nestes estudos, Há que acrescentar os peixes zebra e não esquecer os cães. Umas das experiências em curso no ISPA parte de uma selecção de cães optimistas e pessimistas, feita de uma maneira curiosa. Os cães são habituados a perceber que se a tigela é posta do lado direito é porque tem comida – e do lado esquerdo está vazia. Quando a tigela é colocada no meio, os cães optimistas são os que correm esperançados em que ela tenha comida. Os outros são os pessimistas que acham sempre que a garrafa está meia vazia… 

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