Domingo, 21 de Junho de 2009

Angelino Ferreira

Há lista, mas não vale a pena consultá-la. Preferimos os filetes de polvo (com arroz do mesmo) aos de pescada. E Angelino esteve certeiro na escolha do vinho, o Muralhas, um verde de Monção, fresco e pouco alcoólico, por isso adequado à refeição (almoço) e à comida.

Este economista de 55 anos começou a frequentar discretamente as colunas dos jornais quando, com 26 anos, reabriu a Bolsa do Porto, fechada no pós 25 de Abril, e fez na compra e venda de acções até que, aos 40 anos, achou chegada a  hora de rimar profissão com  paixão  e foi trabalhar para o FC Porto.

Aqui chegado, talvez valha a pena esclarecer que se registou uma mudança estrutural de orientação no Aleixo, celebrizado pelo confesso benfiquista Ramiro, a quem sucedeu o filho, homónimo e da mesma obediência clubística, que no entretanto montou a sua própria casa, deixando o restaurante de Campanhã a cargo do cunhado (portista de cachecol), irmã e mãe.

Empresarialização. Se tivéssemos que resumir numa só palavra o que Angelino tem feito na vida, o vocábulo certo seria este, com 17 caracteres, um comprimento quase finlandês.

Na bolsa, foi corretor a nível individual até, por duas vezes, empresarializar a actividade, evoluindo de broker para dealer ao ser o pivot da criação das financeiras de corretagem Socifa & Beta e Pars.

No futebol, ajudou, atrás da cortina, a empresarializar o FC Porto, constituindo a SAD e assumindo o comando directo das operações da construção e financiamento do Estádio do Dragão e do Centro de Estágio do Olival. Agora é o responsável pela parte comercial.

Aos 50 anos, achou por bem casar trabalho e família e iniciou a empresarialização da actividade cinematográfica ao constitui a Yellow Entertainement, que no dia a dia é dirigida pela sua filha Soraia.

A Yellow estreou no início do mês, em 26 salas, a sua primeira longa metragem, Star Crossed, um remake do drama shakesperiano Romeu e Julieta, tendo o Porto como pano de fundo.

Soraia, 29 anos, a mais velha do casal de filhos de Angelino (Bruno fez Design de Comunicação e trabalha em Londres), sempre foi fanática por cinema (era a melhor cliente do multiplex de 20 cinemas do Arrábida Shopping) e por isso, após acabar o curso de Gestão,  na Católica, foi para Nova Iorque e Los Angeles (LA) aprender a gerir produção de cinema.

Star Crossed é o seu primeiro filho. A ideia nasceu, num jantar de amigos em LA no final de 2005, onde todos concordaram que Porto e futebol eram dois bons ingredientes para vender um filme.

A  rodagem arrancou no Porto, em Agosto de 2007. Durou as seis semanas previstas, envolvendo 80 pessoas, uma equipa multinacional com quatro actores estrangeiros, realizador inglês e um director de fotografia israelita.

Também não houve derrapagem no orçamento de 2,25 milhões de euros, reunidos por Angelino na sua qualidade de produtor executivo, verba onde  não entra sequer um cêntimo de subsídios públicos  - e só será recuperada se o filme conseguir fazer uma carreira internacional.

 “O mercado português não existe. É muito curto. O cinema em Portugal vale 70 milhões de euros/ano, o equivalente a cerca 15 milhões. O mercado interno apenas pode contribuir para recuperar 5% ou 15% do orçamento. Nós temos um problema de dimensão”, explica Angelino. No nosso país, em Portugal, além bilheteira e das receitas de product placement (Carlsberg e Vodafone), tem um contrato com a Zon Lusomundo e a Sic (para exibição em free TV).

Star Crossed é o cartão de visita da Yellow, que assim demonstrou ser capaz de fazer um produção de acordo com os parâmetros internacionais. Como não tinha curriculum, não conseguiu atrelar ao projecto, na fase da produção, uma distribuidora internacional.

“”O ponto crítico da actividade económica é a distribuição”, reconhece Angelino que está a tentar que Star Crossed seja exibido em salas internacionais antes de ir para o circuito DVD. Neste momento difícil, há uma coisa que o anima: “O Quem quer ser Milionário estava destinado para ser distribuído apenas em DVD e conseguiu oito Óscares”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Noticias

 

 

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Casa Aleixo

Rua da Estação 216, Porto

1 Muralhas … 10 euros

2 pães … 1

2  meias de filetes de polvo…24

2 saladas mistas pequenas… 5

2 rabanadas … 5

2 cafés….2

Total….. 47 euros

Música: Easy living, Billie Holiday
Publicado por Jorge Fiel às 10:10
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A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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