Sábado, 3 de Abril de 2010

Pedro Nobre

 

O que mais o intriga neste momento é a discrepância entre a resposta física do corpo e a percepção de prazer, que se regista em ambos os sexos mas com maior incidência nas mulheres. Dito por outras palavras, é muito frequente que a excitação medida na vagina não esteja em sintonia com a que é subjectivamente sentida. Uma questão que, no caso dos homens, se pode colocar da seguinte maneira: a verdade está na cabeça de cima ou na de baixo?

Pedro Nobre, 39 anos, psicólogo clínico, casado e com duas filhas, de seis e três anos (“Há três mulheres na minha vida”, graceja), sabe do que fala, pois dirige a equipa de cinco investigadores do primeiro laboratório experimental de sexologia em Portugal que, com um subsídio de 160 mil euros da FCT, está a estudar a reacção dos portugueses a estímulos sexuais.

O SexLab, que funciona na Universidade de Aveiro, trabalha com uma amostra de 100 voluntários (metade de cada sexo, com idades compreendidas entre os 18 e 50 anos) que gratuitamente se dispuseram a serem a matéria prima deste estudo.

O trabalho de campo desenrola-se numa sala, em que o/a voluntário/a está sozinho, confortavelmente sentado num sofá, a ver dois pequenos filmes – um porno e outro erótico -, com a duração de três minutos cada um. A privacidade é quase completa. Não há câmaras. O quase tem a ver com o aparelho que permite aos investigadores monitorizar as suas reacções físicas ao que se passa nos filmes.

Antes de iniciarem a sessão, os voluntários despem-se na cintura para baixo. Elas alojam no interior da vagina uma espécie de tampão (fotopletismógrafo) que indica a pulsação e volume sanguíneo na zona genital. Eles colocam no pénis uma espécie de anel (indium gallium gauge), que mede os estados de erecção induzidos pelas cenas dos filmes.

Os resultados preliminares deste estudo do SexLab de Aveiro serão apresentados no 10º Congresso da Federação Europeia de Sexologia, que reúne no Sheraton Porto, de 9 a 13 de Maio (coincide com a visita do papa), que Pedro está a organizar, na qualidade de presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia, que agrupa psiquiatras e psicólogos, mas também sociólogos, antropólogos e juristas.

Filho de um médico e uma farmacêutica, nasceu em Vila Perry, Moçambique, mas veio para Portugal com quatro anos. Cresceu em Lagos, fez o curso em Coimbra (onde integrou a direcção da AAC presidida por Vigário), e teve o primeiro emprego no Alentejo, na Vila Fernando, um estabelecimento correccional de menores, onde ficaram sepultadas algumas das suas convicções “humanistas e de esquerda” - “É utópico pensar que a escola se faz sem hierarquia e disciplina”. Demorou-se lá um ano e três meses, em que todos os dias sonhava com o dia em que se viria embora.

Deu aulas em Vila Real e agora está em Aveiro, mas mora no Porto, onde escolheu almoçar no Shis, o restaurante mais in da cidade. Apesar de ter chegado com mais de 40 minutos de atraso, não vinha stressado (a não ser que houvesse discrepância entre a aparência calma e o estado de espírito) e encomendou uma refeição completa, iniciada com sopa, continuada com robalinho e sobremesada com gelado de baunilha (não havia o de chá verde).

As disfunções sexuais foram o tema das teses de mestrado (curiosamente apresentada no ano em que saiu o Viagra) e doutoramento deste psicólogo que confessa ser “preciso ter muita abertura de espírito e estômago para ser terapeuta sexual”. 

“O problema mais comum no homem é a ejaculação prematura”, afirma, acrescentando que, no entanto, 70% dos homens que procuram ajuda é por causa da disfunção eréctil, o que é explicado pelo facto de ainda ser dominante o mito do macho latino, “que atribuiu um papel central ao pénis e à penetração, bem como estar sempre pronto com uma erecção”,

”Está ainda muito enraizada a crença de que não ter erecção é catastrófico e significa ser menos homem. O que não é verdade. Pode ter-se prazer sem erecção”, conclui Pedro, citando o caso dos homens que continuam a ter sensações de prazer sexual apesar de não terem erecções devido a lesão vertebrais derivadas de acidentes de viação.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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Shis

Praia do Ourigo, Foz do Douro, Porto

Couvert … 5,00

Sopa do dia … 2,50

Sushi Shis style … 15,00

Robalinho com algas wakame e ovas massago … 12,00

Água Vitalis 0,5 litro … 1,50

Água Castelo 0,20 l ... 1,20

Kopke Branco 0,74 l … 13,00

Gelado de baunilha … 3,00

2 cafés … 3,00

Total… 56,20

 

Música: Sheherezade, Rimsky-Korsakov
Publicado por Jorge Fiel às 10:10
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