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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Parecemos um cão estúpido

A Paris Hilton gasta muito dinheiro em roupa, mas nem sempre usa muita roupa

 - Sabes por que é que o cão abana a cauda?

A pergunta é feita pelo spin doctor Connie (De Niro) a um assessor do presidente dos EUA no filme Manobras na Casa Branca. A resposta veio pronta:

-  Porque é mais esperto que a cauda, senão era a cauda que abanava o cão.

Vem esta história a propósito da impressão, que me fica da leitura dos jornais, de que estamos a fazer a triste figura de sermos abanados pela cauda.

As vendas de automóveis despenharam-se 42,6% no 1º trimestre, um terço dos portugueses já decidiu passar as férias em casa, a venda de medicamentos caiu 8,4%, as falências aumentaram 67% e há meio milhão de casas com letreiro Vende-se – e num ano bom (que não é seguramente este de 2009) a quantidade de casas transaccionadas ronda as 170 mil.

Como os noticiários aterrorizam mais do que os filmes do Fantasporto todos juntos, a generalidade das pessoas adoptou a reacção que os animais têm quando sentem perigo (param) e deixaram de consumir.

Apesar da descida das taxas de juro e da deflação, o consumo privado entrou em retracção. O Banco de Portugal já veio rever para uma quebra de 0,9% face a 2008, a previsão inicial (- 0,4%). E ainda vamos em meados de Abril…

Com as exportações e o investimento em queda, o recuo do consumo provoca uma ainda maior contracção de economia, o que ajuda a perceber a previsão de uma redução de 3,5% do PIB -  e levou economistas a aconselharem-nos a gastar dinheiro.

Nós, os consumidores, admoestados durante anos a fio por gastarmos como se não houvesse amanhã, estamos confusos.

Paris Hilton declarou: “Tenho medo da actual situação financeira. Por isso vou continuar a comprar muitas coisas, para ajudar a economia a superar a crise”.

Peter G. Peterson, fundador do Blackstone Group, recomenda a redução dos gastos ao indispensável e lembra o aviso que estava afixado no café da sua família, em Nebraska, durante a Grande Depressão”: “Para quê usar duas toalhas de papel se uma chega para secar as mãos?”.

Quem tem razão? Paris ou Peterson? O que é melhor para Portugal? Importar menos ou consumir mais? Enquanto o Governo não responder a estas questões, vou continuar com a sensação de que somos um cão estúpido que está a ser abanado pela cauda.

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi publicada hoje no Diário de Notícias

3 comentários

  • Imagem de perfil

    Jorge Fiel 25.04.2009

    Estimado Salboerro

    No geral estou de acordo com o que escreveu - se bem que me parece um tudo nada radical a posição do subsidios zero.

    Tenho dito!
  • Sem imagem de perfil

    salboerro 26.04.2009

    Caro Jorge Fiel,

    Na verdade, parece ter tomado uma posição radical e penalizo-me por não ter sido mais explícito.
    Com efeito, a referência tem por base a atribuição de subsídios empresariais à produção, seja qual for a sua tipologia e dimensão, perfeitos enviesadores do funcionamento dos mercados quando não se está perante taxas anormais de risco de negócio.
    Ficam de fora, portanto, os subsídios de natureza e amplitude social que, em condições de maiores índices de desenvolvimento, não deveriam existir para se enquadrarem no conjunto dos subsídios normalmente atribuidos a uuma existência alguns furos acima do patamar de pobreza.
    E quando se fala de subsídios à produção também deverá incluir neste grupo isenções fiscais ou de qualquer outra natureza concedidas a actividades económicas cujo risco de negócio é considerado normal e que, de um modo geral, estão associadas a quem já tem um poder de mercado inegável ou exercício de posição dominante inquestionável. Conceder incentivos, isenções ou subsídios a empresas com tais características é transferir recurso$ dos mais carenciados para os muito mais abonados de capital, não constituindo um sinal de desenvolvimento da sociedade, antes pelo contrário, até.
    Os meus cumprimentos.
    Salboerro
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