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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Cristina Azevedo

Foto Paulo Jorge Magalhães

Nunca foi a Guimarães? Pois então prepare-se para ir, porque Cristina acha que “nenhum português pode dar-se ao luxo de não conhecer Guimarães” - e ela não é mulher para descansar antes de atingir os seus objectivos.

Cristina Azevedo, 44 anos, licenciada em Relações Internacionais e pós graduada em Análise Financeira, é a presidente da Fundação Cidade de Guimarães, que está a preparar a Capital Europeia da Cultura 2012.

Nasceu na Beira, Moçambique, de onde veio, órfã de pai e com ano e meio, para Arco de Baúlhe, pequena vila minhota onde as suas origens familiares estão tatuadas na toponímia – o capitão Elísio de Azevedo que dá o nome à rua principal era seu avô.

Quando tinha dez anos, a mãe, professora primária, mudou para Braga, para garantir a educação das duas filhas. No Conservatório Regional da Gulbenkian, Cristina aprendeu ballet e piano, tendo professores marcantes como Borges Coelho e Cândido Lima. Nos institutos Francês, Inglês e Alemão acrescentou línguas a uma sólida bagagem onde já estavam a música e a dança.

Concluído o curso, iniciou-se na área financeira em Paris, foi directora de marketing da Bolsa em Lisboa, e vice-presidente da CCRN no Porto. Regressa agora ao Minho, 23 anos depois de ter saído de Braga, para ajudar Guimarães a aproveitar ser capital europeia da cultura para diversificar as actividades económicas, pois é um dos concelhos mais fustigados pelo desemprego e que mais sofre com a dolorosa reconversão da têxtil.

Almoçamos numa esplanada na Praça de Santiago, em pleno coração de um dos três centros históricos portugueses proclamados Património da Humanidade pela Unesco (os outros são o Porto e Angra do Heroísmo).

“Este centro histórico belíssimo é fruto de uma recuperação exemplar iniciada em 1983, desenvolvida em parceria com os privados, em negociações casa a casa, senhorio a senhorio, inquilino a inquilino”,explica Cristina, que não se cansa de o palmilhar: “É conhecendo as cidades com os pés que elas entram no nosso coração”.

Não precisou de olhar para a lista. No Cheers, pede sempre o mesmo: sopa, salada composta (nozes, tomate e queijo fresco) e sumo de laranja. Uma escolha que evidencia preocupações desnecessárias, pois além de muito alta também é muito magra e não conseguiria engordar porque nunca está quieta – até parece que tem bichinhos carpinteiros.

A Fundação nasceu a 28 de Agosto, mas Cristina já sabe o que vai fazer  para demonstrar em Guimarães a eficácia da cultura como factor de desenvolvimento e sector económico.

Conhecer e criar são as palavras chave e por isso a partir de 2011/12 o pólo de Guimarães da Universidade do Minho vai ser enriquecido com o Instituto Superior de Design e o Centro de Formação Avançada, que leccionará uma dúzia de cursos de pós graduação com destaque para as indústrias criativas, com ligação ao tecido empresarial da região.

Couros, uma área de 10 hectares onde, em 13 fábricas desactivadas e tanques de tinturaria em granito, persiste a memória da indústria de curtumes será a área de intervenção para a 2ª fase da reabilitação do Centro Histórico.

Um laboratório de interpretação da paisagem é uma das ideias para a recuperação e ordenamento da Veiga de Creixomil, uma área verde de 50 hectares, à entrada da cidade, que Álvaro Domingues classificou como “uma mistura de Parque Biológico e terreno agrícola”.

A requalificação do Coliseu e dos museus do Chiado e de Arte Antiga foi a herança tangível de Lisboa 94. A Casa da Música é o ícone do Porto 2001. De Guimarães 2012 vai ficar a transformação em plataforma das artes do mercado municipal e uma fábrica contigua – bem como o novo museu que reunirá obras de José de Guimarães e as colecções de arte africana e pré-colombiana que o artista vai ceder à cidade.

Estes são alguns dos projectos que fervilham na cabeça de uma Cristina apostada em que o orçamento de 111 milhões de euros seja investido (não apenas gasto) e com os olhos postos no futuro: “Na cidade mais portuguesa de Portugal, a História tem de ser usada como trampolim e não como sofá”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Cheers

Praça de Santiago 15, Guimarães

Creme de legumes … 1,50 euros

Salada composta … 3,00

Alheira com grelos … 7,50

Sumo de laranja ... 2,00

Água 1,5 l … 2,00

Total … 16,00 euros

5 comentários

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    Vitor Pinto 07.10.2009 14:16

    Carissimo Meditando,

    Eu nasci e vivo no Porto, e já agora, também trabalho no Porto, mas concordo plenamente contigo.
    A minha "luta", não é só virada para o Porto, mas sim, para a região Norte.
    Em trabalho, fui a uma linda Vila chamada Mogadouro, e reparei que as pessoas de lá não se queixam da vida que tem, contudo, achavam estranho o porquê de tudo se realizar em lisboa, em prol da nossa região.
    Significa isto que, apesar de tudo, eles também sentem no fundo, a falta de apoios vindos do poder central.
    Nós no Porto queixamo-nos mais que outras cidades do Norte, porque se calhar, por pouco que alguem nos ouça, podemos gritar bem alto, queremos a regionalização para todo o Norte. Mas nunca queremos que o Porto seja a "capital", mas sim Guimarães, que é o berço da Nação.
    Mas uma coisa é certa, e só vos peço uma coisa... nunca se acomodem, nós ncessitamos de todo o povo do Norte, para acabar com a tirania da cidade do centralismo.
    Viva o Norte
    Viva a Regionalização, com capital em Guimarães
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    N. Maia 07.10.2009 15:32

    Também precisam de Braga (com estudos a provar que é a cidade mais benfiquista do país) ?

    E porque não fazer de BRAGA a hipotética capital da região norte? É uma das cidades mais lindas não só de Portugal, mas da Europa.
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    anonimo 07.10.2009 18:38

    Mais benfiquistas? isso era dantes , agora já abriram os olhos! Força Braga mantém-te em primeiro até ao fim! Um verdadeiro Nortenho apoia equipas da sua região e não equipas do centralismo.
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    Nuno Maia 07.10.2009 21:01

    Dantes? Não, que eu saiba as pessoas não mudam de clube.
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