Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Manuel Andrade

A falência da têxtil onde o pai trabalhava obrigou-o a interromper os estudos de Direito em Coimbra e a regressar a Santo Tirso onde vendeu Unos e Puntos para financiar os cursos de Psicologia e Gestão de Marketing que fez a estudar à noite. A publicação de dois livros de poesia e um de contos permitiu-lhe espreitar as portas do Paraíso. O sonho dele sempre foi viver da escrita e para a escrita. Cumpriu metade do sonho ao fundar as editoras Cão Menor e Novembro. Já só lhe falta ter tempo, dinheiro e disponibilidade de espírito para ganhar a vida a escrever

 

 

O ex-vendedor da Fiat

que é dono da Cão Menor

 

 

Nome:  Manuel Andrade

Idade: 41 anos

O que faz:  Empresário, proprietário das edições Cão Menor e Novembro

Formação: Licenciado em Gestão de Marketing, pelo IPAM, e em Psicologia Clínica pela Lusíada

Família:  Casado (a mulher é secretária na antiga Reguladora), têm uma filha de quatro anos, a Maria

Casa:  Moradia em Santo Tirso

Carro:  Fiat Qubo

Telemóvel:  Blackberry

Portátil:  Toshiba (o mesmo que tinha fundou a editora)

Hóbis:  O principal é a escrita, mas desconfia que não é uma profissão de futuro. Além de adorar ler e escrever, gosta de ir ao cinema e de futebol – é doente pelo FC Porto e todas as semanas joga com os amigos, no Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso   

Férias: Por absoluta falta de tempo, há dois anos que não tira férias. “O trabalho chega a ocupar-me 16 horas por dia”, lamenta

Regras de ouro: “Nada se conquista sem trabalho, pelo menos para mim tem sido assim – não sei como é com os outros. O segredo é trabalhar mais do que o normal”

 

Se algures no ano passado, parasse num semáforo, em Penafiel, aguardando pelo verde para atravessar a rua, distraía-se durante o tempo de espera lendo frases do Saramago escritas na passadeira. Era uma das originais manifestações da Escritária, um festival multidisciplinar promovido pela Câmara local, em parceria com a Editora Cão Menor, de Manuel Andrade, que todos os anos homenageia um escritor lusófono vivo – em 2008, o ano de estreia, foi Urbano Tavares Rodrigues, em 2009 foi o Nobel português, este ano foi a vez de Agustina.

Viver da escrita e para a escrita é o sonho de Manuel, nascido em 1969 na terra que se celebrizou pela excelência dos seus jesuítas, filho do matrimónio entre uma auxiliar de educação e um empregado de escritório numa fábrica têxtil. Quando, durante os estudos secundários, feitos na Escola Secundária D. Dinis, chegou a hora de escolher o curso, optou por Direito.”Dizia-se que estava a dar”, explica.

A notícia e as consequências da falência da têxtil onde o pai trabalhava surpreenderam-no em Coimbra. Estávamos em 1989. Como não havia dinheiro para continuar a estudar em regime de exclusividade, regressou à base (Santo Tirso) e começou a procurar um emprego que lhe financiasse os estudos. Só tinha uma pequenina objecção: estava disposto a tudo menos vender automóveis.

Como é bom de ver, foi trabalhar para a Firmauto, concessionária Fiat, a vender Unos e Puntos, tarefa de que se desembrulhou com algum sucesso, acrescentando comissões razoáveis ao ordenado fixo. Dava para pagar livros e propinas, sobrando-lhe ainda dinheiro, bem como tempo e disponibilidade de espírito para escrever dois livros de poesia (Por esta avenida sem fim e Quadras deste lugar à margem), publicados pela Brasília Editora, e um de contos, Contos de Varziela, assinado com o pseudónimo Manuel de Varziela (os avós agricultores eram de lá), editado pela Campo de Letras, que lhe abriu uma janela para ele espreitar a felicidade.

Como nada tinha a perder, enviou dois contos traduzidos para a Follio, onde alguém gostou do que leu, decidiu publicar o livro em França e pagar-lhe para ler manuscritos de autores lusófonos e dar a opinião sobre se deviam ou não ser editados. Durou apenas meio ano esta República de receber para fumar e ler. Mas soube-lhe pela vida.

Quando acabou esta doce vida, ainda se dedicou-se à psicologia antes de se abalançar a cumprir uma das metades do seu sonhe fundando em Penafiel uma editora com duas chancelas -  Cão Menor, onde se acomodam textos mais ousados e experimentais, e a Novembro, que, entre outras coisas, trás para a luz do dia dissertações de mestrado e teses de doutoramento: Começou na garagem e com um efectivo reduzido. “Era eu, o meu portátil e uma rapariga que à noite fazia o design dos livros”, conta.

Setenta livros e um best seller depois (Alma de Viajante, de Filipe Morato Gomes, que andou pelos tops da Fnac), acrescentou à edição iniciativas como a Escritária, a Plast&cina (festival multidisciplinar, em parceria com a Câmara de Lamego, que arrancou em 2009 com uma homenagem a Emília Nadal e prosseguiu este ano tendo José Rodrigues como tema) e o Concelho de Estado (parceria com a CM de Arcos de Valdevez inaugurada este ano com uma homenagem a Mário Soares), enquanto suspira por poder cumprir a segunda parte do seu sonho :  viver de escrever e escrever para viver.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Trolho 13.12.2010

    E agora se és gente fala-me do El Mano Santos!!!
  • Sem imagem de perfil

    El Mano Santos: 14.12.2010

    Aqui vai, trambolho

    Depois do campeonato que eles venceram com golpes de secretaria, penaltys e expulsões sempre que era preciso, que gozo me dá ouvir estes "o futebol português está de rastos", ou "é tudo uma vergonha", "mais um empurrão"etc, sempre que há um erro de arbitragem favorável ao FC Porto...é sinal que andam desesperado5.

    2 penaltys inventados pelo arbitro (1 para cada lado) e depois a repetição do penalty, são as regras se o arbitro não tinha apitado! (eu sei que quando é o FC Porto custa mais aceitar) depois falhou à segunda, uma peninhaaaaa (coitadinhos dos comentadores da TVI)

    O jogo foi fraquinho, mas depois da deslocação complicada a Viena é preciso compreender o desgaste dos jogadores! Contra um Rapid de Viena, equipa do calibre de um Hapoel, não fomos lá envergonhar o País e levar 3 na pá como a outra equipa que "joga o melhor futebol da Europa a par do Barcelona" (mmmmuaahahah)..antes pelo contrario, calamos Viena novamente! por isso sejamos indulgentes por um jogo menos conseguido.

  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Arquivo

    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2012
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2011
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2010
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2009
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2008
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2007
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    Em destaque no SAPO Blogs
    pub