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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

As estranhas formas do centralismo se manifestar

 

Domingo, no final do fim-de-semana prolongado, os efeitos perniciosos da macrocefalia manifestaram-se sob a forma de engarrafamentos com extensão superior a seis quilómetros nas entradas de Lisboa.

 

No mesmo dia e à mesma hora, entrei de carro no Porto pela A1, vindo de sul, sem nunca parar ou abrandar - e atravessei a ponte da Arrábida à confortável velocidade de 90 km/hora.

 

Na semana passada, a Direcção Geral de Impostos divulgou pela primeira vez as estatísticas referentes ao pagamento de IRS por concelho.

 

Ficamos a saber, sem surpresa, que quem paga mais são os residentes em Lisboa. Em média, cada família residente na capital paga  4.540 euros de IRS/ano.

 

Os outros dois lugares neste pódio são ocupados por concelhos da área Metropolitana de Lisboa: Oeiras (4.196 euros) e Cascais (3.995 euros). As famílias do Porto surgem estão em quarto lugar neste ranking de contribuintes, com 3482 euros/ano de IRS, ligeiramente à frente das coimbrãs (3.250 euros).

 

E, como não podia deixar de ser, os cinco concelhos onde se paga menos IRS situam-se todos a Norte do Douro: Mesão Frio (420 euros), Castelo de Paiva (424 euros), Santa Marta de Penaguião (430 euros), Sabrosa (441 euros) e Lousada (481 euros).

 

O centralismo tem estranhas formas de se manifestar. Ironicamente, manifesta-se sob a forma de engarrafamentos e de descontos mais elevados para IRS.

 

Não deixa de ser curiosa esta ironia. Mas a verdade é que não me parece muito provável que um pobre esfomeado sofra de colesterol elevado…

 

Jorge Fiel

  

 

Norte: deprimido

Vista de Amarante: uma bela cidade do Vale do Tâmega

 

 

Andamos há anos a ouvir falar de zonas deprimidas. Sabemos de planos para combater, e bem, estas assimetrias territoriais. Os resultados é que são pouco visíveis . Apesar de tudo as situações na Península de Setúbal foram reajustadas que é um pouco diferente de se terem resolvido. Há o problema do Alentejo que é preocupante. O mesmo acontece com as zonas de Trás-os-Montes e do Vale do Ave e até do Douro.

 

Todos têm planos estratégicos. Há zonas do país que parecem, no entanto, esquecidas. São os casos  do Norte e da sua sub-região do Vale do Tâmega.

 

O Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto tem dado nos últimos anos um forte, competente de dedicado contributo para se conhecerem melhor estas realidades.

 

Num estudo recente sobre "A Região Norte de Portugal: dinâmicas de mudança social e recentes processos de desenvolvimento" conclui-se que esta regista neste  momento os "piores indicadores ao nível europeu". Dentro desta o Vale do Tâmega é ainda o mais deprimido.

 

Tudo isto é muito preocupante.

 

Como disse nas conclusões da apresentação do estudo Teresa Sá Marques, investigadora do departamento de Geografia da FLUP ,  num mundo globalizado "quem ficar para trás fica ainda mais atrasado".

 

A região está deprimida porque envelheceu, porque está despovoada, a economia entrou em letargia, não há dinâmicas culturais e desportivas e o desemprega afecta milhares e milhares de famílias.

 

A tudo isto acresce o facto dum estudo recente mostrar que se ganha muito menos no Porto - digo Região Norte - do que na região de Lisboa. Estamos a falar de cerca de 2500 euros/ano. O que é muito dinheiro para bolsos quase vazios.

 

A culpa é de todos, também dos que cá estão, mas o Estado Central não tem olhado para o país como um todo, como uma unidade que é importante desenvolver e dotar de meios e infra-estruturas equilibradas.

 

Esta reflexão não é mais um "choradinho", muito menos um desabafo dos "tipos do Norte" mas o apelo à reflexão para uma realidade que no futuro nos pode atirar para a cauda da Europa desenvolvida e dum Mundo cada vez mais competitivo e globalizado.

 

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