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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Importa-se de repetir?

 

Há uma semana, a magistrada Maria José Morgado teve uma frase que, que eu desse conta, passou em claro aos analistas: "Os tribunais julgam os casos, mas os casos também julgam os tribunais".

Mizé Morgado falou assim numa longa entrevista ao Diário de Notícias em que até disse que era do Norte e o seu pai era um adepto fanático do FC Porto. As opções clubísticas são de cada um e ninguém tem nada com isso.

Mas aquela frase surge num contexto do Apito Dourado e das suas investigações. E como me parece que os tribunais plenários acabaram há mais de trinta anos, uma magistrada, mesmo do Ministério Público, dizer o que disse Maria José Morgado é altamente discutível, para dizer o mínimo.

O que a dra. Morgado está a deixar entender é que se não houver condenações no caso, os seus colegas juizes que vierem a fazer parte do colectivo não terão feito bem o seu trabalho. Eu, simples jornalista, posso dizê-lo; ela, magistrada, mesmo que do MP. e ainda mais parte interessada no caso porque trabalhou nele, não pode. Ou pelo menos não deveria dizê-lo porque deveria observar um dever de reserva. Porque o que eu entendo do que ela diz é que não se pode ter inteira confiança na Justiça.

A dra. Maria José Morgado é, hoje por hoje, a magistrada mais mediática do país e a que melhor utiliza os jornais. Mas não tenho dúvidas que se outro magistrado qualquer, de província por exemplo, se permitisse dizer algo assim, iria ser chamado à pedra.

 

Manuel Queiroz

Se Cravinho quer uma gaja boa como o milho tem de a namorar

 

João Cravinho achou por bem interromper o seu exílio dourado em Londres para fazer uma prova de vida.

 

Percebo o «timing». A remodelação governamental está em cima da mesa, agora que a presidência portuguesa da UE chega ao fim, e tudo leva a crer que Mário Lino está já com guia de marcha para o Ministério do Ambiente.

 

O Ministério das Obras Públicas vai estar disponível em breve e, pelo visto, o fervilhante e remoçado East End londrino não foi suficiente para matar as saudades que Cravinho tem do Palácio Penafiel.

 

O tema foi muito bem escolhido. Para desgraça de Sócrates, a Ota não pára de perder vapor junto da opinião pública. Cravinho pensou como um príncipe ao seleccionar a localização do novo aeroporto de Lisboa como o pretexto para dar uma mão ao primeiro ministro.

 

Quando toda a gente pensava estarmos nas vésperas da divulgação do parecer do LNEC (afinal adiado, deixando a questão em banho maria por mais um mês), Cravinho veio a público com um «soundbyte» aparatoso, confeccionado para fazer títulos de jornais e ter destaque nos noticiários de televisão:

 

«Optar por Alcochete seria um acto de sonambulismo prolongado e suicida».

 

O «soundbyte» é bom. E cuidadoso como é, Cravinho fez ainda questão de por à disposição dos jornalistas um «sounbyte» alternativo, ao acusar a solução Alcochete de ser uma reedição do modelo de reconversão industrial de Marcelo Caetano, baseado em Sines.

 

Cravinho fez bem o trabalho de casa, mas, na minha opinião, teve galo, pois os seus «soundbytes» foram abafados pela divulgação nesse mesmo dia do adiamento da divulgação do estudo do LNEC.

 

O esforço foi bom, mas o efeito foi reduzido.

 

Assim como assim, na eleição para melhor «soundbyte» português do Outono de 2007 ainda voto no fantástico «E o burro sou eu?» de Scolari – o único capaz de ombrear na luta pelo título de melhor «soundbyte» ibérico com o feliz e incontornável «Por que não te callas?» de Juan Carlos, que só na primeira semana depois de ter sido pronunciada foi alvo de 500 mil «downloads» de toques, garantindo vendas de 1,3 milhões de euros às operadoras que o disponibilizavam.

 

Cravinho corre mesmo o risco de perder o segundo lugar nacional para Ribau Esteves, o novo secretário geral do PSD, que brilhou a grande altura na sua terra natal (Ílhavo) ao declarar: «Se queremos uma gaja boa como o milho, temos de a namorar».

 

Cravinho deve reflectir neste conselho, mas não pode desistir. Tem ainda um mês para confeccionar um bom «soundbyte» contra a solução Portela+1.

 

Jorge Fiel

 

 

 

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