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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

O escarrador do presidente Mao

 

Sherlock Holmes era viciado em ópio, que era legal na Inglaterra vitoriana.

D. João IV restaurou a independência de Portugal mas nunca na vida tomou banho.

 

Mao Tse Tung  posava para a fotografia, no Palácio do Povo em Pequim, com os dignatários estrangeiros que recebia, confortavelmente instalado num sofá ladeado por um escarrador – que não tinha funções decorativas... 

 

Na Roma Antiga, os patrícios sodomizavam alegremente os seus jovens discípulos, prática a que apenas punham termo (por passar a ser publicamente mal vista) quando lhes começavam a crescer pelos.

 

Na Europa Central, durante a Idade Média, os senhores feudais tinham o direito de pernada sobre as mulheres dos seus vassalos – ou seja, estavam legal e moralmente habilitados a usufruir sexualmente delas sempre que tal lhes aprouvesse.

 

A expressão «água vai» tem a sua origem no grito de advertência aos transeuntes lançado pelas donas de casa antes de despejaram pela janela os penicos para a via pública.

 

O relativamente recente movimento de importação das casas de banho para o interior das residências enfrentou uma feroz resistência de fundamentalistas que clamavam ser pouco higiénico colocar debaixo de um mesmo tecto as divisões onde se come, dorme e defeca.

 

Esta mão cheia de exemplos está aí a demonstrar a enorme amplitude das mudanças de cânone em questões de higiene e comportamento social e é citada a propósito da legislação anti-tabaco que finalmente vai ser posta em prática.

 

Em primeiro lugar, devo declarar que já não era sem tempo. Os franceses, que nestas coisas de costumes são bem mais tolerantes do que nós, já a têm em vigor desde 1 de Fevereiro uma legislação anti-tabaco bem mais dura que a nossa.

 

Neste dossiê, revelou-se a costela guterrista de Sócrates, que durante três anos manteve em «banho Maria« a legislação que herdou de Durão, só lhe mexendo para a amaciar. Ou será que o primeiro-ministro demorou este tempo todo porque esteve a arranjar coragem para deixar de fumar?

 

Em segundo lugar, saúdo a repressão do consumo de tabaco. Hoje é claro para todos que o tabaco é pernicioso para a saúde, não só dos fumadores activos mas também dos passivos.

 

Não percebe o banzé e constestação que alguns tentam atear a este propósito. Não demorará muito até que um fumador de tabaco seja olhado da mesma maneira que opiónamo detective de Conan Doyle - e que os cinzeiros malcheirosos e cheios de beatas merecem o mesmo olhar reprovador que o escarrador do presidente Mao.

 

Espero que o Governo tenha a coragem de usar a repressão para fazer cumprir a lei, seguindo o exemplo de Paris que enviou para o terreno 175 mil para fazer respeitar a interdição de fumar em lugares públicos.

 

Espero, também, que nos aviões fretados pelo Governo para visitas oficiais as leis da República passem a ser integralmente observadas.

 

Espero, por último, que as acções das tabaqueiras deixem de ser um valor refúgio nos tempos de crise e passem a ter um desempenho inferior ao mercado.

 

Jorge Fiel

 

Esta crónica foi hoje publicada no diário económico Oje (www.Oje.pt)

 

 

Começar a Ibéria pelo futebol

 

 

Não é para me gabar, mas esta minha crónica foi publicada há três meses, a 25 de Setembro, ainda a Bússola era apenas um projecto, no diário económico Oje

 

Como portista fiquei satisfeitíssimo com a vitória do meu clube, no domingo, em Paços de Ferreira. Estamos há dois anos consecutivos na liderança da Liga. E após uma série de cinco vitórias em cinco jornadas, temos cinco pontos de vantagem sobre o Sporting e seis sobre o Benfica – que, como agravante, vão defrontar-se no sábado e, por isso, destruir pontos.

 

Estou satisfeito como adepto mas alarmado como observador da evolução desta divisão da indústria portuguesa do entretenimento.

 

A hegemonia do Porto é perniciosa para o negócio.

 

A ausência de «suspense» não é boa para as audiências da Sportv e vendas do Record e da Bola (que se despenham sempre que o Benfica não ganha, como o seu director já confessou).

 

E as receitas da venda de camisolas e lugares na Luz e em Alvalade caem a pique a partir do momento em que sportinguistas e benfiquistas se convencem que o clube da sua paixão não será campeão.

 

Ganhar sempre o mesmo (e ainda para mais um clube antipático, periférico e minoritário) não só é mau para o negócio como, ainda por cima, aumenta a crispação na sociedade portuguesa, faz subir a tensão Norte/Sul e agrava os ódios regionais.

 

Tem ainda efeito secundário de conferir uma dimensão despropositada a epifenómenos como o Apito Dourado ou a atribulada vida sentimental do presidente portista – que não mereceriam 5% do espaço que os Media lhes concedem se o Benfica fosse bicampeão e liderasse a Liga com uns confortáveis seis pontos de avanço sobre o FC Porto.

 

Ainda recentemente, no consulado Schumacher, a Fórmula 1 sofreu na pele as mortíferas consequências para o negócio da ausência de surpresa quanto ao desfecho desportivo das provas. Reagiu, mudando as regras do jogo para garantir um maior equilíbrio competitivo. 

 

Para combater o veneno do tédio, a NBA fundou-se sobre um conjunto keynesiano de regras, que compreendem um tecto salarial e um sistema de recrutamento de novos valores que concede a primazia na escolha aos piores classificados da época anterior.

 

As soluções inventadas pela NBA e Fórmula 1 não podem ser  mecanicamente transpostas para o negócio do nosso futebol, condicionado à  observância da gramática da UEFA.

 

Não é fácil a tarefa de impedir o longo bocejo dos adeptos e estimular a competição, tanto mais que a hegemonia portista é apenas um das faces do problema neste negócio centralista e que rola a duas velocidades.

 

Em 73 campeonatos, só por duas vezes a vitória escapou ao trio do costume: em 1946 (Belenenses) e o Boavista (2001). Em Portugal, só cinco clubes foram campeões. Em Espanha foram nove, em Inglaterra 23, em Itália 16, na França 19, na Holanda 26 e na Alemanha 28.

 

As consequências deste afunilamento estão à vista. O Porto teve mais adeptos no seu último jogo no Dragão (39.200 espectadores no jogo contra o Marítimo)  do que o Paços de Ferreira em todos os 15 jogos da última época (32.392 espectadores).  

 

A solução para este negócio desconchavado e sem suspense, ferido pelo centralismo, é começar a construir a Ibéria pelo futebol - e adicionar Porto, Benfica e Sporting à liga espanhola.

 

Jorge Fiel

 

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