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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Dez anos é muito tempo

Foi inaugurada mais uma linha do Metropolitano de Lisboa. Uma linha que liga o centro de decisão do país, o Terreiro do Paço a Santa Apolónia.

 

A obra demorou e muito. Foram 10 anos. Não tem um túnel mas dois. Um dentro do outro.

 

Custou o dobro do previsto. Mas houve festa. Todos os presentes, pelo que vi e ouvi, estavam muito felizes. O que lá vai, lá vai.

 

Vem isto a propósito do livro que Custódio Oliveira, um amigo meu, editou sobre o metro da Porto. No seu livro, e peço desculpa por ainda não o ter lido, contam-se algumas estórias " que envolveram este investimento desde a ideia, passando pelo projecto até à concretização da obra.

Foram muitas as "tricas", contos e ditos, mais as constantes desconfianças e até uma certa "chacota". Acompanhei este processo desde a ideia de Fernando Gomes, à altura a dar "os primeiros passos" como Presidente da Câmara do Porto, até ao dia que entrou em funcionamento..

 

Devo acrescentar que para mim Fernando Gomes foi desde o 25 d'Abril o melhor Presidente que a cidade do Porto teve. Foi uma pena ter-se deixado "queimar em lume brando" em Lisboa.

 

Nas notícias de ontem Ferreira do Amaral aparecia muito feliz. A ideia da linha até tinha sido dele e foi pensada para a Expo 98. Lá estão os tais 10 anos! Apresentava-se assim como uma espécie de "pai da coisa"!

 

Foi este mesmo Ferreira do Amaral, na mesma Ministro de Cavaco, que poucos anos antes e em resposta à ideia dos autarcas do Grande Porto, dizia que o Metro do Porto não passaria dum"metro de papel".

Chegou mesmo a dizer, em jeito de brincadeira, mas depreciativamente de que se a "coisa" se concretizasse até "mandava" erguer um busto a Fernando Gomes no final da linha.

 

O assunto fez correr muita tinta. Será que Ferreira do Amaral não acreditava na capacidade de concretização dos autarcas? Ou seria porque a ideia não era sua?

Nem sei se este episódio vem no livro do Custódio.

 Não sei.

 

O que sei é que o Metro funciona. Tem muita gente. Revolucionou a circulação no Grande Porto. Foi feito em tempo recorde. Teve as suas "derrapagens" financeiras, mais pela renovação urbana, por ser de superfície , do que por outra coisa.

 

A coisas difíceis de conquistar sabem muito melhor na hora de saborear o êxito.

 

O Metro do Porto é um êxito, mas foi "arrancado" a ferros.

Nota 1: Não estou sensível para coisas do tipo. Aquilo não é um metro é um centímetro . Aquilo não é um metro é um eléctrico..., etc, etc.

Nota 2: Feliz Natal a todos

 

 

 

 

 

 

 

 

Notícia de um divórcio

 

Chegou ao fim o meu casamento de 17 anos com o Expresso.

 

Teve, como todos os casamentos, os seus momentos de glória e as suas fases mais rotineiras, aqui e ali interrompidas por pequenos conflitos domésticos, rapidamente sarados. No geral, foi bom enquanto durou.

 

Em 1990, quando nos casámos, eu tinha 34 anos, dois filhos, bigode, 80 quilos e onze anos de jornalismo, durante os quais vivera três relações mais ou menos estáveis (Norte Desportivo, Comércio do Porto e Semanário) e um número bastante razoável de escapadelas (Jornal do Comércio, Gazeta dos Desportos, Tripeiro, Diabo, Crime, entre outras).

 

Em 1990, quando nos casámos, o Expresso estava lamber as feridas da dolorosa e traumatizante separação do grupo de jornalistas liderado por Vicente Jorge Silva, que o tinha traído, primeiro às escondidas, depois à luz do dia, indo para a cama com Belmiro de Azevedo, relação de que resultaria um filho: o Público.

 

Tenho muito orgulho de ter integrado a legião de jornalistas (na sua maioria oriundos do Jornal e do Diário de Notícias) contratados pela dupla José António Saraiva/Joaquim Vieira para ajudar a cicatrizar as feridas abertas pela partida do grupo de Vicente.

 

Durante os 17 anos que durou o nosso casamento, tive o prazer, a liberdade e a oportunidade de fazer um pouco de tudo. Redigi notícias e escrevi reportagens sobre quase todas as faces da vida – economia, sociedade, desporto e política. Por três vezes fui editor – do Porto (cinco anos), da saudosa Revista (dois anos) e, finalmente, da Economia (três anos).

 

Tenho muito orgulho de ter dito que sim sempre que a direcção precisou de mim em Lisboa e me seduziu com desafios novos, apesar de isso me obrigar a viver emigrado.

 

Como me gabo de me conhecer razoavelmente bem e me esforço por compreender e antecipar o futuro, fiz sempre questão de sair pelo meu próprio pé das funções que fui chamado a desempenhar.

 

Sempre preferi agir a reagir, Sei que sou viciado em adrenalina, arrebatamentos e entusiasmos. Gosto de agarrar grandes empreitadas e de não descansar enquanto não atinjo os meus objectivos.

 

Mas também sei que deixo de ser a melhor opção para capitanear um navio assim que a rotina se apodera do meu dia-a-dia e que o projecto que comando entrou em velocidade cruzeiro.

 

Não sou daquelas marinheiros que aprecia navegar em mar chão. Prefiro as águas revoltas. Nunca enjoei com a turbulência.

 

Tenho muito orgulho nos quatro pontos cardeais que foram a marca de água da minha atitude durante os 17 anos que durou o casamento com o Expresso:

 

 

1.     Sempre soube o que estava a fazer

 

Admito (um pouco de modéstia fica sempre bem…) que por vezes a minha estratégia até podia não ser a mais acertada. Mas tive sempre uma estratégia. Antes de começar a navegar tirei sempre um azimute, tracei com cuidado a rota a seguir e apetrechei-me com rotas alternativas;

 

2.     Nunca tive medo de decidir

 

Ser director, editor ou jornalista significa estar permanentemente a escolher, a avaliar, a decidir. Escolher os temas que tratamos e os que deixamos cair. Avaliar as matérias que merecem destaque. Decidir os assuntos em que empenhamos as nossas forças. Nunca fui contaminado pelo vírus da indecisão. Nunca tive medo de falhar.

 

3.     Sempre gostei de arriscar

 

Após um Porto-Sporting comparei as estatísticas de Raul Meireles e João Moutinho. O médio portista tinha falhado quase metade dos passes. O sportinguista praticamente não tinha falhado nenhum. À vista desarmada, Moutinho tinha jogado muito melhor do que Meireles. Não foi verdade. Moutinho não falhou passes porque sempre que tinha a bola repassava-a, para trás ou para o lado, para o colega que estava mais perto. Meireles falhou mais porque fez muitos passes a 30 metros de distância, de ruptura, procurando entregar a bola a um colega  desmarcado e assim criar uma situação de golo.

Num momento em que o factor escasso é a défice de atenção humana, o empate não chega. Acho criminoso passar para o lado, com medo de arriscar e de ser assobiado pelos adeptos. Para ganhar é preciso não ter medo de fazer passes de 30 metros. E não marcamos golos se não arriscarmos atirar à baliza.

 

4.     Nunca perdi o leitor de vista

 

Nunca na minha vida perdi de vista que neste negócio vivemos em função do nosso cliente: o leitor. E tenho muita pena alguns colegas com menos memória esqueçam por vezes esta verdade de sangue.

Sempre que escolho um tema, penso no título, selecciono o ângulo de ataque, preparo a maneira como matéria vai ser apresentada em página, e, finalmente, me sento a escrever, tenho sempre presente que não estou a trabalhar para brilhar juntos dos meus colegas jornalistas ou das minhas fontes. Estou a dar o meu melhor para seduzir e satisfazer o meu cliente leitor.

 

Não acho que haja motivo de espanto por o nosso casamento de 17 anos ter chegado ao fim. A relação estava emocionalmente desidratada. Eu e o Expresso já estávamos um bocadinho fartos um do outro. E o Tom Jobim estava carregadinho de razão quando disse que «a única coisa que importa é ser feliz».

 

Neste mundo efervescente, abundante em novas novidades de vidas e de costumes, manter um casamento profissional de 17 anos é pouco comum.

 

Uma das grandes lições de vida, que o Expresso me proporcionou, aprendi-a com Guterres. Numa campanha para as legislativas que acompanhei como jornalista, o antigo primeiro ministro analisou com esta simplicidade a evolução das relações laborais.

 

No tempo dos nossos pais, era normal uma pessoa ter um único emprego durante toda a sua vida. 

 

(O meu pai conheceu apenas um patrão: o STCP. Entrou para a empresa de transportes colectivos do Porto no final da sua adolescência, como escriturário, e por lá se demorou até ser atirado para a reforma antecipada pela revolução tecnológica da máquina de escrever que tornou dispensável e obsoleta a sua bonita caligrafia)

 

Na nossa geração, é normal uma pessoa trabalhar em diferentes empresas mas manter a sua profissão.

 

No tempo dos nossos filhos já não será possível atravessar a vida usando como ferramenta uma única profissão.

 

Nesta hora em que estou a concluir o divórcio, ainda não sei como vou continuar a minha carreira profissional. Para já, vou agravar a estatística dos desempregados qualificados, que é uma das maiores dores de cabeça para Sócrates.

 

Não sei se vou continuar a tentar manter-me no paradigma da minha geração, seguindo como jornalista. Ou se, em alternativa. Vou dar o salto para o da geração dos meus filhos e mudo de profissão.

 

No ocaso de 2007, nesta hora em que me estou a divorciar do Expresso, tenho 51 anos, três filhos, 94 quilos e 28 anos de jornalismo – e já não uso bigode.

 

Estou com um bocadinho de medo do vazio. Às vezes sinto-me como quando na recruta na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, fazia o salto para o escuro – em que saltamos sem ver se o chão está a 20 centímetros ou a dois metros de distância.

 

Mas a outra face deste salto do escuro é a injecção de adrenalina que ele desperta. Sinto-me excitado por estar de novo livre. Sinto-me orgulhoso por não ter deixado o meu casamento com o Expresso arrastar-se para o pântano (achei que uma imagem guterrista ficava bem, qual é a vossa opinião?).

 

Não sei ainda bem como vou continuar a ganhar a vida. Mas estou certo que no final deste sobressalto serei melhor jornalista e ainda melhor pessoa. 

 

No trabalho, como na vida, prefiro viver apaixonado – e exijo que a paixão seja correspondida.

 

FIM

 

 

PS. A interrupção deste blogue é um dos efeitos secundários deste divórcio.

Agradeço, curvado e emocionado, a todas as preclaras e preclaros que através da sua presença activa fizeram do Roupa para Lavar o blogue mais visitado e comentado do Expresso durante o seu curto mas trepidante ano de vida. Sinto muito, mas mesmo muito, orgulho em ter sido o vector deste espaço de contracultura, de ter sido capaz de não estar na linha e de ter tido a coragem para escrever coisas que destoam do cânone e do «mainstream».

Este filme acaba aqui, mas garanto-vos uma sequela. Como ainda anda por aí muita roupa suja a precisar de ser lavada, vou continuar a centrifugar e inauguro na véspera de Natal uma nova lavandaria, num novo endereço:  lavandaria.blogs.sapo.pt.

 

PS2. Este texto esteve durante o dia ontem no ar na página de blogues do Expresso. Republico-o agora aqui para que possa ser lido por todas as pessoas que não tiveram oportunidade de visitar ontem, pela última vez, o Roupa para Lavar

O Dr Pacheco Pereira é intelectual e abruptamente desonesto

O Dr Pacheco Pereira  , no seu "Abrupto" ,  foi intelectualmente desonesto quando perorou sobre as ligações perigosas entre a claque dos Superdragões e os mais recentes acontecimentos na noite do Porto.

Segundo este distinto político que não vai a nenhum sufrágio de jeito há longos anos, a melhor forma de acabar com a violência no Porto é extinguir a claque portista .

Este subido raciocínio deste intelectual que se diz do Porto porque cá terá nascido ,  mas que de portuense e nortenho nada tem há muitos anos,estriba-se no facto superveniente que se resume em poucas palavras. Todos os males que vêm ao Porto ( e daí talvez ao resto do país...) têm origem no F. C Porto e nas seus adeptos organizados em claques.

Mesmo dando de barato que possa existir algum membro de uma claque dos SuperDragões que venha a ser julgado culpado por qualquer crime  , esta generalização é tão abusiva como intelectualmente desonesta.

Aceitando este raciocínio como válido seríamos obrigados a pensar que uma pessoa intelectualmente tão dotada como o dr Pacheco

Pereira ,  também acha que é imprescíndivel acabar com a raça dos benfiquistas para devolver a segurança ao país ,  depois de se ter descoberto que o cabo Costa ,o famoso serial killer de Santa Comba Dão  , era não só adepto ferrenho do SLB... como até presidente da Casa do Benfica de Santa Comba Dão. !

Caro ex-conterrâneo Pacheco Pereira : por amor de Deus , não finja que é estúpido , ou no mínimo  , não faça de nós estúpidos. Deixe -se ficar na Marmeleira a gozar a reforma que a política lhe arranjou e não fale do que não sabe !

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola

Destacamento Roberto Ivens

 

Manuel Serrão

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