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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Que faria o Faria ….

Luis Filipe Menezes, em nome de benefícios mais higienicamente repartidos pelos partidos do bloco central, reclamou para Presidente da Caixa Geral de Depósitos um homem da sua Família politica. Deu ainda, nessa sua exigência de “divisão de benesses”, o exemplo de um seu conterrâneo, Miguel Cadilhe, como homem de perfil adequado ao cargo em questão, sugestão que julgo genuína e inocente.

 

O Governo, pouco tempo depois, veio fazer-lhe meia vontade, ao nomear Faria de Oliveira, militante do PSD e ex-Ministro de Cavaco:

Concordou que estava na altura de “dar algum” à oposição, que a alternância existe e é preciso aconchegar e acautelar o futuro.

 

Não concordou que um homem do Norte pudesse aceder ao apetecível privilégio de presidir ao maior Banco Português.

 

O que sinceramente me aflige é que tenhamos chegado a este ponto de clientelismo e egoísmo partidário – os tachos existem e são só para nós!

 

Na dita sociedade civil pode haver gente muito competente, experiente, qualificada e íntegra, mas nenhum deles passou pela estopada de pertencer e militar anos a fio, com assíduo fervor, no aparelho de um dos grandes partidos, abdicando muitas vezes de uma formação escolar e profissional condigna e compatível com as exigências do mercado e do futuro.

 

O que francamente me preocupa também é que de entre a classe politica os tachos de maior boca ou brilho, “saiam” quase invariavelmente a gente do sul.

 

A República comemora daqui a 2 anos o seu centenário e julgo que nunca como agora, com mais de 30 anos de Democracia, o Estado nos faz recordar tanto esse ambiente cortesão e “clientelar” dos agitados primórdios do regime que haveriam de acabar numa longa, empobrecedora mas correctiva ditadura.

 

Apesar dos indícios, espero sinceramente que saibamos desta vez reinventar e qualificar a nossa Democracia.

 

Para já fica apenas a dúvida - se o Faria faria o que vai fazer se não tivesse feito o que fez!

 

António de Souza-Cardoso

Devemos ou não apoiar a campanha de Paris Hilton a favor dos elefantes indianos viciados em cerveja?

 

 

Mão amiga e indignada fez-me chegar à mão o recorte de um artigo publicado há um mês no Expresso em que Miguel Sousa Tavares gasta uma página nobre do primeiro caderno do prestigiado semanário a destilar ódio contra a Regionalização.

 

Antes de expressar o meu ponto de vista sobre esta matéria, devo clarificar o que penso sobre o Sousa Tavares.

 

Apenas me cruzei com ele uma vez, num Verão, durante uma noite de poker aberto, no Zavial.

 

No geral, aprecio a forma coloquial das suas prosas, que, apesar de excessivamente extensas, são de fácil consumo uma vez que ele escreve tal como estivesse connosco à mesa do café.

 

Quando eclodiu a polémica a propósito do lançamento do «Rio das Flores» entre os mais dois notórios e vaidosos fumadores da imprensa portuguesa (outro é o Vasco Pulido Valente) fui logo a correr ler o «Equador».

 

Gostei. Escrita escorreita, intriga bem urdida e desenvolvida – e um magnífico e inventivo desfecho. Merece a porrada de exemplares que vendeu.

 

Sempre que, por algum acaso, me dispus a ler as crónicas de MST, habituei-me a concordar sempre que ele opinava sobre matérias que eu desconhecia - e a achar ignorantes, pobres e mal amanhados os argumentos que ele alinha sobre assuntos em que eu me sinto bem informado.

 

A prosa anti-regionalização não é uma excepção a esta regra.

 

Ao declarar que não acha indispensável a realização de um referendo para a realização do referendo, Elisa Ferreira foi o gatilho desta crónica anti-regionalista.

 

Tavares vê nesta inocente e justa declaração de Elisa a ponta do iceberg da conspiração dos regionalistas que, na sombra, «congeminam um golpe de Estado anti-democrático».

 

Parece-me óbvio que MST está a ver perdizes nas pereiras, o que apenas seria desculpável se ele fumasse outro coisa que não tabaco produzido pela Philip Morris.

 

A Regionalização está prevista na Constituição da República.

 

Sócrates obteve a maioria absoluta apresentando ao eleitorado um programa onde constava a Regionalização.

 

Menezes venceu as directas do PSD usando a Regionalização como umas das suas mais queridas bandeiras.

 

Dito por outras palavras, a Regionalização pode ser referendada, se calhar deve ser referendada, mas não tem obrigatoriamente de ser referendada.

 

Pessoalmente acho que o referendo é um pretexto de líderes fracos e inseguros para não assumirem decisões polémicas, escondendo-se atrás do voto popular.

 

Ora a essência da democracia representativa consiste em eleger pessoas, com base em programas e promessas, para governarem o país (ou uma região, ou uma autarquia) durante um determinado de período pré-estabelecido, e que serão julgadas no final do mandato pelo voto popular.

 

O recurso ao referendo, que consiste em transferir para as mãos do eleitorado a decisão (e o ónus dessa decisão…), apenas deve ser usado em circunstâncias excepcionais e com matérias que não tenham sido previamente debatidas na campanha eleitoral.

 

Sócrates passou a campanha eleitoral a repetir que as Scuts iriam manter-se sem custos para os utilizadores e que não iria subir os impostos.

 

Chegada a hora da verdade, nem sequer lhe passou pela cabeça fazer referendos antes de voltar atrás com a palavra ao aumentar o IVA e introduzir portagens nas Scuts.

 

Decisões nucleares como a independência das nossas colónias africanas, a adesão à CEE e a substituição do escudo pelo euro foram tomadas por Governos democráticos sem nunca ter passado pela cabeça de ninguém submetê-las a um referendo.

 

Por todas estas razões, acho vergonhoso, desonesto e delirante falar numa «conspiração dos regionalistas» e etiquetar como «golpe de Estado anti-democrático» a hipótese legítima de fazer a Regionalização sem referendo.

 

Mais acrescento que os maluquinhos dos referendos deveriam ocupar o seu tempo a promover consultas populares sobre temas mais divertidos. Aqui ficam três sugestões

 

Qual é a melhor solução para o novo aeroporto de Lisboa? Ota, Alcochete ou Portela+1? (fazer uma cruzinha no quadrado correspondente)

 

Deve ser autorizada a entrada nos restaurantes e casas de pasto a jovens com menos de 16 anos?

 

Deve o Governo português contribuir financeiramente para a campanha internacional liderada por Paris Hilton de defesa dos elefantes indianos viciados em cerveja de arroz?

 

Jorge Fiel

 

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

 

 

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