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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Dez anos é muito tempo

Foi inaugurada mais uma linha do Metropolitano de Lisboa. Uma linha que liga o centro de decisão do país, o Terreiro do Paço a Santa Apolónia.

 

A obra demorou e muito. Foram 10 anos. Não tem um túnel mas dois. Um dentro do outro.

 

Custou o dobro do previsto. Mas houve festa. Todos os presentes, pelo que vi e ouvi, estavam muito felizes. O que lá vai, lá vai.

 

Vem isto a propósito do livro que Custódio Oliveira, um amigo meu, editou sobre o metro da Porto. No seu livro, e peço desculpa por ainda não o ter lido, contam-se algumas estórias " que envolveram este investimento desde a ideia, passando pelo projecto até à concretização da obra.

Foram muitas as "tricas", contos e ditos, mais as constantes desconfianças e até uma certa "chacota". Acompanhei este processo desde a ideia de Fernando Gomes, à altura a dar "os primeiros passos" como Presidente da Câmara do Porto, até ao dia que entrou em funcionamento..

 

Devo acrescentar que para mim Fernando Gomes foi desde o 25 d'Abril o melhor Presidente que a cidade do Porto teve. Foi uma pena ter-se deixado "queimar em lume brando" em Lisboa.

 

Nas notícias de ontem Ferreira do Amaral aparecia muito feliz. A ideia da linha até tinha sido dele e foi pensada para a Expo 98. Lá estão os tais 10 anos! Apresentava-se assim como uma espécie de "pai da coisa"!

 

Foi este mesmo Ferreira do Amaral, na mesma Ministro de Cavaco, que poucos anos antes e em resposta à ideia dos autarcas do Grande Porto, dizia que o Metro do Porto não passaria dum"metro de papel".

Chegou mesmo a dizer, em jeito de brincadeira, mas depreciativamente de que se a "coisa" se concretizasse até "mandava" erguer um busto a Fernando Gomes no final da linha.

 

O assunto fez correr muita tinta. Será que Ferreira do Amaral não acreditava na capacidade de concretização dos autarcas? Ou seria porque a ideia não era sua?

Nem sei se este episódio vem no livro do Custódio.

 Não sei.

 

O que sei é que o Metro funciona. Tem muita gente. Revolucionou a circulação no Grande Porto. Foi feito em tempo recorde. Teve as suas "derrapagens" financeiras, mais pela renovação urbana, por ser de superfície , do que por outra coisa.

 

A coisas difíceis de conquistar sabem muito melhor na hora de saborear o êxito.

 

O Metro do Porto é um êxito, mas foi "arrancado" a ferros.

Nota 1: Não estou sensível para coisas do tipo. Aquilo não é um metro é um centímetro . Aquilo não é um metro é um eléctrico..., etc, etc.

Nota 2: Feliz Natal a todos

 

 

 

 

 

 

 

 

Notícia de um divórcio

 

Chegou ao fim o meu casamento de 17 anos com o Expresso.

 

Teve, como todos os casamentos, os seus momentos de glória e as suas fases mais rotineiras, aqui e ali interrompidas por pequenos conflitos domésticos, rapidamente sarados. No geral, foi bom enquanto durou.

 

Em 1990, quando nos casámos, eu tinha 34 anos, dois filhos, bigode, 80 quilos e onze anos de jornalismo, durante os quais vivera três relações mais ou menos estáveis (Norte Desportivo, Comércio do Porto e Semanário) e um número bastante razoável de escapadelas (Jornal do Comércio, Gazeta dos Desportos, Tripeiro, Diabo, Crime, entre outras).

 

Em 1990, quando nos casámos, o Expresso estava lamber as feridas da dolorosa e traumatizante separação do grupo de jornalistas liderado por Vicente Jorge Silva, que o tinha traído, primeiro às escondidas, depois à luz do dia, indo para a cama com Belmiro de Azevedo, relação de que resultaria um filho: o Público.

 

Tenho muito orgulho de ter integrado a legião de jornalistas (na sua maioria oriundos do Jornal e do Diário de Notícias) contratados pela dupla José António Saraiva/Joaquim Vieira para ajudar a cicatrizar as feridas abertas pela partida do grupo de Vicente.

 

Durante os 17 anos que durou o nosso casamento, tive o prazer, a liberdade e a oportunidade de fazer um pouco de tudo. Redigi notícias e escrevi reportagens sobre quase todas as faces da vida – economia, sociedade, desporto e política. Por três vezes fui editor – do Porto (cinco anos), da saudosa Revista (dois anos) e, finalmente, da Economia (três anos).

 

Tenho muito orgulho de ter dito que sim sempre que a direcção precisou de mim em Lisboa e me seduziu com desafios novos, apesar de isso me obrigar a viver emigrado.

 

Como me gabo de me conhecer razoavelmente bem e me esforço por compreender e antecipar o futuro, fiz sempre questão de sair pelo meu próprio pé das funções que fui chamado a desempenhar.

 

Sempre preferi agir a reagir, Sei que sou viciado em adrenalina, arrebatamentos e entusiasmos. Gosto de agarrar grandes empreitadas e de não descansar enquanto não atinjo os meus objectivos.

 

Mas também sei que deixo de ser a melhor opção para capitanear um navio assim que a rotina se apodera do meu dia-a-dia e que o projecto que comando entrou em velocidade cruzeiro.

 

Não sou daquelas marinheiros que aprecia navegar em mar chão. Prefiro as águas revoltas. Nunca enjoei com a turbulência.

 

Tenho muito orgulho nos quatro pontos cardeais que foram a marca de água da minha atitude durante os 17 anos que durou o casamento com o Expresso:

 

 

1.     Sempre soube o que estava a fazer

 

Admito (um pouco de modéstia fica sempre bem…) que por vezes a minha estratégia até podia não ser a mais acertada. Mas tive sempre uma estratégia. Antes de começar a navegar tirei sempre um azimute, tracei com cuidado a rota a seguir e apetrechei-me com rotas alternativas;

 

2.     Nunca tive medo de decidir

 

Ser director, editor ou jornalista significa estar permanentemente a escolher, a avaliar, a decidir. Escolher os temas que tratamos e os que deixamos cair. Avaliar as matérias que merecem destaque. Decidir os assuntos em que empenhamos as nossas forças. Nunca fui contaminado pelo vírus da indecisão. Nunca tive medo de falhar.

 

3.     Sempre gostei de arriscar

 

Após um Porto-Sporting comparei as estatísticas de Raul Meireles e João Moutinho. O médio portista tinha falhado quase metade dos passes. O sportinguista praticamente não tinha falhado nenhum. À vista desarmada, Moutinho tinha jogado muito melhor do que Meireles. Não foi verdade. Moutinho não falhou passes porque sempre que tinha a bola repassava-a, para trás ou para o lado, para o colega que estava mais perto. Meireles falhou mais porque fez muitos passes a 30 metros de distância, de ruptura, procurando entregar a bola a um colega  desmarcado e assim criar uma situação de golo.

Num momento em que o factor escasso é a défice de atenção humana, o empate não chega. Acho criminoso passar para o lado, com medo de arriscar e de ser assobiado pelos adeptos. Para ganhar é preciso não ter medo de fazer passes de 30 metros. E não marcamos golos se não arriscarmos atirar à baliza.

 

4.     Nunca perdi o leitor de vista

 

Nunca na minha vida perdi de vista que neste negócio vivemos em função do nosso cliente: o leitor. E tenho muita pena alguns colegas com menos memória esqueçam por vezes esta verdade de sangue.

Sempre que escolho um tema, penso no título, selecciono o ângulo de ataque, preparo a maneira como matéria vai ser apresentada em página, e, finalmente, me sento a escrever, tenho sempre presente que não estou a trabalhar para brilhar juntos dos meus colegas jornalistas ou das minhas fontes. Estou a dar o meu melhor para seduzir e satisfazer o meu cliente leitor.

 

Não acho que haja motivo de espanto por o nosso casamento de 17 anos ter chegado ao fim. A relação estava emocionalmente desidratada. Eu e o Expresso já estávamos um bocadinho fartos um do outro. E o Tom Jobim estava carregadinho de razão quando disse que «a única coisa que importa é ser feliz».

 

Neste mundo efervescente, abundante em novas novidades de vidas e de costumes, manter um casamento profissional de 17 anos é pouco comum.

 

Uma das grandes lições de vida, que o Expresso me proporcionou, aprendi-a com Guterres. Numa campanha para as legislativas que acompanhei como jornalista, o antigo primeiro ministro analisou com esta simplicidade a evolução das relações laborais.

 

No tempo dos nossos pais, era normal uma pessoa ter um único emprego durante toda a sua vida. 

 

(O meu pai conheceu apenas um patrão: o STCP. Entrou para a empresa de transportes colectivos do Porto no final da sua adolescência, como escriturário, e por lá se demorou até ser atirado para a reforma antecipada pela revolução tecnológica da máquina de escrever que tornou dispensável e obsoleta a sua bonita caligrafia)

 

Na nossa geração, é normal uma pessoa trabalhar em diferentes empresas mas manter a sua profissão.

 

No tempo dos nossos filhos já não será possível atravessar a vida usando como ferramenta uma única profissão.

 

Nesta hora em que estou a concluir o divórcio, ainda não sei como vou continuar a minha carreira profissional. Para já, vou agravar a estatística dos desempregados qualificados, que é uma das maiores dores de cabeça para Sócrates.

 

Não sei se vou continuar a tentar manter-me no paradigma da minha geração, seguindo como jornalista. Ou se, em alternativa. Vou dar o salto para o da geração dos meus filhos e mudo de profissão.

 

No ocaso de 2007, nesta hora em que me estou a divorciar do Expresso, tenho 51 anos, três filhos, 94 quilos e 28 anos de jornalismo – e já não uso bigode.

 

Estou com um bocadinho de medo do vazio. Às vezes sinto-me como quando na recruta na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, fazia o salto para o escuro – em que saltamos sem ver se o chão está a 20 centímetros ou a dois metros de distância.

 

Mas a outra face deste salto do escuro é a injecção de adrenalina que ele desperta. Sinto-me excitado por estar de novo livre. Sinto-me orgulhoso por não ter deixado o meu casamento com o Expresso arrastar-se para o pântano (achei que uma imagem guterrista ficava bem, qual é a vossa opinião?).

 

Não sei ainda bem como vou continuar a ganhar a vida. Mas estou certo que no final deste sobressalto serei melhor jornalista e ainda melhor pessoa. 

 

No trabalho, como na vida, prefiro viver apaixonado – e exijo que a paixão seja correspondida.

 

FIM

 

 

PS. A interrupção deste blogue é um dos efeitos secundários deste divórcio.

Agradeço, curvado e emocionado, a todas as preclaras e preclaros que através da sua presença activa fizeram do Roupa para Lavar o blogue mais visitado e comentado do Expresso durante o seu curto mas trepidante ano de vida. Sinto muito, mas mesmo muito, orgulho em ter sido o vector deste espaço de contracultura, de ter sido capaz de não estar na linha e de ter tido a coragem para escrever coisas que destoam do cânone e do «mainstream».

Este filme acaba aqui, mas garanto-vos uma sequela. Como ainda anda por aí muita roupa suja a precisar de ser lavada, vou continuar a centrifugar e inauguro na véspera de Natal uma nova lavandaria, num novo endereço:  lavandaria.blogs.sapo.pt.

 

PS2. Este texto esteve durante o dia ontem no ar na página de blogues do Expresso. Republico-o agora aqui para que possa ser lido por todas as pessoas que não tiveram oportunidade de visitar ontem, pela última vez, o Roupa para Lavar

O Dr Pacheco Pereira é intelectual e abruptamente desonesto

O Dr Pacheco Pereira  , no seu "Abrupto" ,  foi intelectualmente desonesto quando perorou sobre as ligações perigosas entre a claque dos Superdragões e os mais recentes acontecimentos na noite do Porto.

Segundo este distinto político que não vai a nenhum sufrágio de jeito há longos anos, a melhor forma de acabar com a violência no Porto é extinguir a claque portista .

Este subido raciocínio deste intelectual que se diz do Porto porque cá terá nascido ,  mas que de portuense e nortenho nada tem há muitos anos,estriba-se no facto superveniente que se resume em poucas palavras. Todos os males que vêm ao Porto ( e daí talvez ao resto do país...) têm origem no F. C Porto e nas seus adeptos organizados em claques.

Mesmo dando de barato que possa existir algum membro de uma claque dos SuperDragões que venha a ser julgado culpado por qualquer crime  , esta generalização é tão abusiva como intelectualmente desonesta.

Aceitando este raciocínio como válido seríamos obrigados a pensar que uma pessoa intelectualmente tão dotada como o dr Pacheco

Pereira ,  também acha que é imprescíndivel acabar com a raça dos benfiquistas para devolver a segurança ao país ,  depois de se ter descoberto que o cabo Costa ,o famoso serial killer de Santa Comba Dão  , era não só adepto ferrenho do SLB... como até presidente da Casa do Benfica de Santa Comba Dão. !

Caro ex-conterrâneo Pacheco Pereira : por amor de Deus , não finja que é estúpido , ou no mínimo  , não faça de nós estúpidos. Deixe -se ficar na Marmeleira a gozar a reforma que a política lhe arranjou e não fale do que não sabe !

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola

Destacamento Roberto Ivens

 

Manuel Serrão

O escarrador do presidente Mao

 

Sherlock Holmes era viciado em ópio, que era legal na Inglaterra vitoriana.

D. João IV restaurou a independência de Portugal mas nunca na vida tomou banho.

 

Mao Tse Tung  posava para a fotografia, no Palácio do Povo em Pequim, com os dignatários estrangeiros que recebia, confortavelmente instalado num sofá ladeado por um escarrador – que não tinha funções decorativas... 

 

Na Roma Antiga, os patrícios sodomizavam alegremente os seus jovens discípulos, prática a que apenas punham termo (por passar a ser publicamente mal vista) quando lhes começavam a crescer pelos.

 

Na Europa Central, durante a Idade Média, os senhores feudais tinham o direito de pernada sobre as mulheres dos seus vassalos – ou seja, estavam legal e moralmente habilitados a usufruir sexualmente delas sempre que tal lhes aprouvesse.

 

A expressão «água vai» tem a sua origem no grito de advertência aos transeuntes lançado pelas donas de casa antes de despejaram pela janela os penicos para a via pública.

 

O relativamente recente movimento de importação das casas de banho para o interior das residências enfrentou uma feroz resistência de fundamentalistas que clamavam ser pouco higiénico colocar debaixo de um mesmo tecto as divisões onde se come, dorme e defeca.

 

Esta mão cheia de exemplos está aí a demonstrar a enorme amplitude das mudanças de cânone em questões de higiene e comportamento social e é citada a propósito da legislação anti-tabaco que finalmente vai ser posta em prática.

 

Em primeiro lugar, devo declarar que já não era sem tempo. Os franceses, que nestas coisas de costumes são bem mais tolerantes do que nós, já a têm em vigor desde 1 de Fevereiro uma legislação anti-tabaco bem mais dura que a nossa.

 

Neste dossiê, revelou-se a costela guterrista de Sócrates, que durante três anos manteve em «banho Maria« a legislação que herdou de Durão, só lhe mexendo para a amaciar. Ou será que o primeiro-ministro demorou este tempo todo porque esteve a arranjar coragem para deixar de fumar?

 

Em segundo lugar, saúdo a repressão do consumo de tabaco. Hoje é claro para todos que o tabaco é pernicioso para a saúde, não só dos fumadores activos mas também dos passivos.

 

Não percebe o banzé e constestação que alguns tentam atear a este propósito. Não demorará muito até que um fumador de tabaco seja olhado da mesma maneira que opiónamo detective de Conan Doyle - e que os cinzeiros malcheirosos e cheios de beatas merecem o mesmo olhar reprovador que o escarrador do presidente Mao.

 

Espero que o Governo tenha a coragem de usar a repressão para fazer cumprir a lei, seguindo o exemplo de Paris que enviou para o terreno 175 mil para fazer respeitar a interdição de fumar em lugares públicos.

 

Espero, também, que nos aviões fretados pelo Governo para visitas oficiais as leis da República passem a ser integralmente observadas.

 

Espero, por último, que as acções das tabaqueiras deixem de ser um valor refúgio nos tempos de crise e passem a ter um desempenho inferior ao mercado.

 

Jorge Fiel

 

Esta crónica foi hoje publicada no diário económico Oje (www.Oje.pt)

 

 

Começar a Ibéria pelo futebol

 

 

Não é para me gabar, mas esta minha crónica foi publicada há três meses, a 25 de Setembro, ainda a Bússola era apenas um projecto, no diário económico Oje

 

Como portista fiquei satisfeitíssimo com a vitória do meu clube, no domingo, em Paços de Ferreira. Estamos há dois anos consecutivos na liderança da Liga. E após uma série de cinco vitórias em cinco jornadas, temos cinco pontos de vantagem sobre o Sporting e seis sobre o Benfica – que, como agravante, vão defrontar-se no sábado e, por isso, destruir pontos.

 

Estou satisfeito como adepto mas alarmado como observador da evolução desta divisão da indústria portuguesa do entretenimento.

 

A hegemonia do Porto é perniciosa para o negócio.

 

A ausência de «suspense» não é boa para as audiências da Sportv e vendas do Record e da Bola (que se despenham sempre que o Benfica não ganha, como o seu director já confessou).

 

E as receitas da venda de camisolas e lugares na Luz e em Alvalade caem a pique a partir do momento em que sportinguistas e benfiquistas se convencem que o clube da sua paixão não será campeão.

 

Ganhar sempre o mesmo (e ainda para mais um clube antipático, periférico e minoritário) não só é mau para o negócio como, ainda por cima, aumenta a crispação na sociedade portuguesa, faz subir a tensão Norte/Sul e agrava os ódios regionais.

 

Tem ainda efeito secundário de conferir uma dimensão despropositada a epifenómenos como o Apito Dourado ou a atribulada vida sentimental do presidente portista – que não mereceriam 5% do espaço que os Media lhes concedem se o Benfica fosse bicampeão e liderasse a Liga com uns confortáveis seis pontos de avanço sobre o FC Porto.

 

Ainda recentemente, no consulado Schumacher, a Fórmula 1 sofreu na pele as mortíferas consequências para o negócio da ausência de surpresa quanto ao desfecho desportivo das provas. Reagiu, mudando as regras do jogo para garantir um maior equilíbrio competitivo. 

 

Para combater o veneno do tédio, a NBA fundou-se sobre um conjunto keynesiano de regras, que compreendem um tecto salarial e um sistema de recrutamento de novos valores que concede a primazia na escolha aos piores classificados da época anterior.

 

As soluções inventadas pela NBA e Fórmula 1 não podem ser  mecanicamente transpostas para o negócio do nosso futebol, condicionado à  observância da gramática da UEFA.

 

Não é fácil a tarefa de impedir o longo bocejo dos adeptos e estimular a competição, tanto mais que a hegemonia portista é apenas um das faces do problema neste negócio centralista e que rola a duas velocidades.

 

Em 73 campeonatos, só por duas vezes a vitória escapou ao trio do costume: em 1946 (Belenenses) e o Boavista (2001). Em Portugal, só cinco clubes foram campeões. Em Espanha foram nove, em Inglaterra 23, em Itália 16, na França 19, na Holanda 26 e na Alemanha 28.

 

As consequências deste afunilamento estão à vista. O Porto teve mais adeptos no seu último jogo no Dragão (39.200 espectadores no jogo contra o Marítimo)  do que o Paços de Ferreira em todos os 15 jogos da última época (32.392 espectadores).  

 

A solução para este negócio desconchavado e sem suspense, ferido pelo centralismo, é começar a construir a Ibéria pelo futebol - e adicionar Porto, Benfica e Sporting à liga espanhola.

 

Jorge Fiel

 

Afinal, a PJ não estava distraída

Estou de volta com o assunto "Violência na Noite do Porto". Como se verificou neste fim de semana, afinal nem a PJ/Porto nem  o Ministério Público estavam parados ou distraídos. A operação "Noite Branca" levada a cabo na madrugada de domingo foi minuciosamente preparada e planeada durante semanas e, pelo menos neste primeiro momento, permitiu a detenção de vários suspeitos de envolvimento nos assasinatos dos últimos meses e o desmantelamento do chamado "gangue da Ribeira".

Como diz o editorial do "JN" de hoje, foi uma "bofetada de luva branca" a Pinto Monteiro, "que parece ter na criação de equipas especiais para isto e para aquilo, encabeçadasdempre por magistrados de Lisboa, a poção mágica para a resolução de problemas".

Já agora, atentem os bloguistas neste naco do comentário do prestigiado "PÚBLICO", publicado hoje sob o curioso título "O Procurador também dará os parabéns à PJ?" e assinado por José Augusto Moreira:

"À bravata em que se envolveu no interior do MP, o procurador-geral somou esta semana a antipatia da PJ, o que não deixa de ser um mau presságio para quem tem entre as principais funções a direcção e coordenação da investigação criminal.
O mais estranho, no entanto, é que tudo isto era desnecessário. Não só porque se torna agora claro que avançou para a nomeação duma equipa especial antes de saber o que se estava a ser feito, como a anunciou mesmo antes de qualquer contacto com os visados. E não foi por falta tempo ou oportunidade.
Face aos factos, torna-se agora difícil acreditar que a decisão de Pinto Monteiro tenha resultado de um genuíno acto de direcção e não de mera reacção perante a pressão dos noticiários. Por precipitação ou induzido? Essa é a chave da questão."

Não me vou sem manifestar a minha satisfação por ter levantado aqui, no post anterior, uma questão que afinal pareceu pertinente  a tanta gente e também não resisto à questão "Rui Rio também dará os parabéns à PJ?"

A polícia do Porto não presta?

Saúdo todos os participantes nesta Bússola e faço-o na consciência de uma ausência relativamene longa e pela qual começo por me penitenciar... Assim sendo, também teria que ter um motivo forte para recomeçar a minha "postulação" - prometo que serei assíduo - e ele foi-me dado hoje pelo presidente da Câmara do Porto.

Pois o edil atira-se de "faca nos dentes" à Polícia Judiciária portuense - "não é a primeira vez que a PJ/Porto falha", afirma. De facto, não é a primeira vez que Rui Rio mostra desagrado pela actuação das autoridades policiais do Porto, seja porque não tratou os arrumadores tão severamente como pretendia quer porque noutros casos as suas investigações não foram tão longe como desejaria...

O que me faz impressão não é propriamente a crítica à autoridade policial que, desde que seja legítima e dentro do enquadramento cívico necessário, é obviamente aceitável e até ´alutar. O que me incomoda é que seja o presidente da Câmara do Porto, o presidente da Junta Metropolitana do Porto, a trazer para a praça pública uma crítica tão mordaz e claramente excessiva a quem tentará o melhor que pode cumprir a sua missão. Parece-me até que caberia a quem representa o poder político autárquico do distrito o papel de "estranhar" que para resolver casos tão difíceis e mediáticos como este da "Violência ligado aos negócios da noite" ou até do Apito Dourado seja preciso entregá-los a alguém da capital... O problema é relativamente simples: ou no Porto não há polícias capazes ou eles são de algum modo coniventes com a situação. E, então, há que pedir responsabilidades a quem ao longo dos anos foi montando a máquina policial no distrito, lhe foi nomeando responsáveis e formando agentes... Não foi no Porto que isto aconteceu nem é sua a última responsabilidade. De certeza.

O que há que exigir é mais e melhores agentes e inspectores, mais meios e condições, e melhor direcção. Atacá-los, humilhá-los na praça pública não me parece razoável e muito menos proveitoso... A não ser politicamente, especialmente junto da opinião pública mais a Sul sempre pronta a juntar a sua voz a quem critique o Porto e o Norte.

Parabéns jovem Manoel de Oliveira

 

Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no Porto, a 12 de Dezembro de 1908, no seio de uma família da burguesia industrial.

Interessou-se desde muito novo pelo cinema, graças a seu pai, que o levava a ver fitas de Charles Chaplin e Max Linder, despertando-lhe o interesse para a sétima arte. Fez os primeiros estudos no Colégio Universal, no Porto, e posteriormente, no Colégio Jesuíta de La Guardia, Galiza.

Ganhou notoriedade também como desportista  de ginástica, natação, atletismo e automobilismo.

 

Quer se goste ou não, Manoel  de Oliveira que completou 99 anos, é o mais premiado cineasta português de todos os tempos, estando ainda determinado a realizar todos os filmes que ainda tem em projecto. Estamos a falar de um jovem com 76 anos de cineasta, o mais "jovem" realizador de cinema do Mundo em actividade.

 

"Douro, Faina Fluvial"1931 ;" Aniki Bóbó" 1942 ; "Benilde ou a Virgem Mãe" 1974;" Amor de Perdição" 1979;" Francisca" 1981;" Le Soulier de Satin" 1985; " Os Canibais" 1988; "Vale Abraão" 1993; " O Quinto Império" 2004; são alguns dos mais de 40 filmes que realizou.

 

As obras mais recentes  são  " Belle Toujours" e " Cristóvão Colombo - O Enigma." (este último com estreia marcada para 10 de Janeiro).

 

Como projecto " O estranho caso de Angélica" e adaptação para cinema do conto de Eça de Queiroz " Singularidade de uma rapariga loira".É OBRA!!

 

Por tudo isto e pelo que virá deste grande Senhor no Norte os nossos parabéns!

 

 cena de Aniki Bobó, de 1942

No País dos Auto Rádios

Auto Rádio Multimídia Gotec 5993 MP3 200W RMS com USB

Manuel Pinho anunciou recentemente aos portugueses, os muitos milhões que o Governo decidiu gastar em Marketing Interno e Internacional, na promoção da imagem do País como o local de excelência e qualidade da Costa Oeste da Europa.

 

Depois da bronca do L dobrado na igualmente milionária campanha de promoção do ALLgarve o Governo português volta a pôr o pé na poça com erros, já reconhecidos pela empresa contratada, nos dizeres do cartaz que leva a imagem de Portugal (e de Mariza) ao Mundo.

 

Num País que tantos sacrifícios têm pedido aos portugueses, em nome do rigor e do mérito, não fica bem tanta ligeireza e desperdício no uso de dinheiros públicos de tão grande expressão.

 

Assisti há pouco tempo a uma excelente iniciativa da AMIGAIA – empresa constituída para fazer o marketing externo e a atracção de investimentos a Vila Nova de Gaia, numa apresentação de muito boa qualidade que Luis Filipe Menezes e Martins da Cruz têm levado com sucesso às principais capitais mundiais. Suponho que este tão meritório trabalho de promoção não exigiu os avultados meios públicos, quer da enganada campanha de “Mariza”, quer da outra que achinesava o Algarve por geração espontânea da letra L.

 

No Porto tem que ser a sociedade civil a juntar-se para comemorar e promover o aniversário da elevação da cidade a Património Mundial. O Douro, como destino especifico de excelência, continua esquecido na burocracia de uma pequena unidade de missão.

 

Enfim, os critérios do costume….

No meio de tudo isto o único sorriso vai para o discurso (talvez feito pela mesma empresa) de Manuel Pinho na apresentação da milionária campanha.

 

Para que todos soubéssemos mesmo que Portugal é muito, muito bom, Manuel Pinho foi categórico: “Somos os líderes mundiais, dos esquentadores, dos semi-condutores e dos auto-rádios. Apetece dizer – então e das cassetes pirata?

 

António de Souza-Cardoso

Universidade do Porto entre as melhores do Mundo

Universidade do Porto-Praça dos Leões

 

Tinha para mim que se justificava a edição dum post sobre a Universidade do Porto pela sua brilhante 459ª posição a nível Mundial e 195ª na Europa.

É um motivo de orgulho e um "certificado" de qualidade que honra todos os que ao longo dos anos ajudaram a construir esta escola de grande prestigio nacional e internacional.

Pensei mas tardei. Num comentário a um, mais um, excelente post do "preclaro" Jorge Fiel o bussolista Chacal já disse quase tudo. (ler comentário no post sobre o BCP ).

A Universidade do Porto foi criada a 22 de Março de 1911, ou seja logo a seguir à Implantação da República. No entanto as suas origens remontam a 1762 com a criação da Aula de Náutica por D. José I à qual se seguiram uma sucessão de "aulas" com o intuito de dar respostas às "necessidades de pessoal qualificado nas áreas naval, comércio, industria e artes".

Este ranking tem por base aspectos que fazem toda a diferença e que têm a ver com a "excelência de investigação", com o "impacto da investigação produzida" e ainda com a "produtividade".

A "nossa" Universidade - a maior do país - tem crescido muito e bem e tem "produzido" para o país e mundo "inteligência" que nos dignificam a todos.

Refira-se que, neste ranking "divulgado pela autoridade independente de avaliação e acreditação de Taiwan", não aparece mais nenhuma universidade portuguesa.

É bom que num país deprimido, no Porto onde só se fala de criminalidade associada à vida nocturna, onde a educação anda em bolandas com reformas e mais reformas, surjam notícias de coisas que estamos a fazer bem e duma forma competente

Parabéns à Universidade do Porto.

 

 

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