Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Grupo de criativos nacionais queixa-se da macrocefalia lisboeta

 

 

O ano de 2008 começou como acabaram os anos anteriores - um pouco por todo o país os portugueses queixam-se do centralismo que transforma Portugal numa nação a duas velocidades.

Recebi uma carta de um grupo de jovens criativos com provas dadas em trabalhos para meios tão diversos como a Rádio Universidade de Coimbra e a Antena 3 , revista 365 , pftv e para empresas e instituições de renome como a EURO RSCG e o  TEUC que entendi dever reproduzir no Bússola.

Entre outras coisas para que os bussolistas sintam ou confirmem que o que por cá tem vindo a ser dito está a ganhar foros de dimensão nacionall. O grupo de criativos que assina a carta ( e que eu só não identifico porque não lhes pedi e seria por isso um abuso...) tem gente de Coimbra , Leiria , Guimarães, Constância e Porto

 

Aqui vai .

 

"Somos um grupo (oficioso) de jovens e guionistas que partilha, todo ele, do mesmo sentimento de indignação: parece-nos inusitado e até prepotente que a grande maioria da produção audiovisual seja oriunda de Lisboa. Não por ser natural que assim seja, mas antes porque TEM QUE SER. Começa as ser geralmente aceite que para se fazer alguma coisa com projecção nacional se tenha necessariamente de ir para a capital, onde os nativos “fazem o favor” de nos receber como se fossemos QUASE um deles.


Lisboa assemelha-se hoje, pelo menos em intenção, a um grande feudo cultural que emite cultura para todo o país. De certa forma compreende-se, é a capital, mas a coisa escorregou para o exagero: parece que Lisboa emite para si própria, para o próprio umbigo, porque Lisboa interessa a Lisboa; o resto do país acompanhe se quiser. (Há, claro está, espaço para a produção de cariz regional, mas temos de perceber a diferença entre uma e outra coisa).


Há ainda a questão do mercado viciado. Há monopólios em certa áreas, como se sabe. E os monopólios nunca são bons: acaba-se sempre por cair no erro da visão unilateral, que se torna vigente durante algum tempo e mais tarde apodrece, sem que os próprios se apercebam.


Falta, em nosso entender, uma lufada de ar fresco. Falta que o país se aperceba que existe mais além de Lisboa, que Portugal é riquíssimo em cultura e diversidade; falta dar a conhecer pessoas fantásticas de outros lugares; falta mostrar que cidades como Braga, Coimbra e Guimarães são grandes em todos os aspectos e também fervilham de actividade cultural. E claro, há que deixar bem claro que ténis é um desporto (e não um tipo de calçado) e que “imperial” não é senão uma marca de chocolates.


Haverá na cidade de Porto mercado e lugar para uma empresa que aposte na produção de conteúdos audiovisuais (apenas textos, ideias e guiões) abrangendo as áreas do teatro, TV, rádio, publicidade, imprensa, internet, etc.? A nós parece-nos o lugar ideal, não só por sair do raio de acção viciado da capital, como por gozar de outro espírito, com menos competitividade agressiva, com maior abertura de ideias, por viver o dia-a-dia com outros olhos.

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola reforçado com destacamento itinerante

Manuel Serrão

Conduzir um carro de olhos vendados?

 

Lembram-se do ar orgulhoso com que Cavaco anunciou que tínhamos ultrapassado a Grécia e já não éramos o país mais pobre da CEE?

 

Parece que foi há séculos esses tempos. Éramos, então, o bom aluno da Europa, apresentados como exemplo a seguir aos países candidatos à adesão.

 

De então para cá, com Guterres, Durão, Santana Lopes e Sócrates ao volante, tem sido sempre a descer. A Grécia voltou a passar-nos e, no entretanto, fomos também ultrapassados por quatro países do alargamento – Eslováquia, Chipre, República Checa e Malta.

 

Bruxelas prevê que neste ano que ora se inicia vamos ser ultrapassados pela Estónia a adverte de que devemos ter muito cuidado porque o pelotão constituído pela Eslováquia, Hungria, Letónia e Lituânia aproxima-se a grande velocidade e já aparece no nosso espelho retrovisor.

 

Claro que se trata apenas de um previsão – e por isso falível.

 

A minha frase favorita sobre previsões, cunhada por um professor de Economia da Nova, desfaz por completo estes exercícios de adivinhação do futuro próximo.

 

«Fazer previsões é como conduzir um carro de olhos vendados e seguir as instruções de quem está a olhar para a estrada pelo vidro de trás», garante José Ferreira Machado.

 

Voltaire também descria das previsões, aconselhando-nos a não insultar o futuro tentando prevê-lo.

 

O problema é que indiferente ao cepticismo de Voltaire e de Ferreira Machado, instituições tão respeitáveis como a Comissão Europeia, o FMI e o nosso Governo continuam a pisar as mesmas areais movediças que a astróloga Maya.

 

O optimismo do Governo contagiou os números do cenário macro-económico traçado no Orçamento para 2008 mas não logrou atravessar a nossa fronteira. Bruxelas e o FMI são bem mais pessimistas do que Lisboa e prevêm mais inflação, mais desemprego e menos crescimento. Lamentavelmente devem estar cheios de razão.

 

Churchill, cuja longa vida política lhe possibilitou deixar-nos em herança máximas sobre praticamente tudo, avisou-nos que «quanto mais se olhar para o passado, mais se saberá do futuro».

 

E os números do nosso passado recente, são um pesadelo, com excepção do défice abaixo dos 3%, o troféu a que o primeiro ministro se agarra como um náufrago, da mesma maneira que, antes do 25 de Abril, nos iludíamos com as proezas internacionais do nosso hóquei em patins.

 

Com um PIB per capita a valer 65,6,% da média comunitária, 14% dos trabalhadores com rendimentos inferiores ao limiar da pobreza e 120 mil chumbos por ano no ensino básico, com o desemprego a galopar (engrossado nos últimos dois anos com 167 mil profissionais qualificados) e o indicador do clima económico a despenhar-se todos os meses, Portugal é um país triste.

 

A frase de Ferreira Machado sobre as previsões é muito boa. Mas será muito mais perigoso conduzir um carro de olhos vendados do que prever que 2008 não vai ser o ano da retoma no nosso país. 

 

É mais provável o Benfica ganhar este ano o campeonato, do que o Portugal retomar a convergência com a União Europeia. È pena!

 

Jorge Fiel

 

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

 

PS. Esta crónica foi hoje publicada no diário económico Oje www.oje.pt

 

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub