Aqui está o quarto capítulo da prosa excelente do dr Manuel Cerqueira Gomes
Por lapso meu este deveria ter sido o terceiro , mas como verão a troca não é grave.
O EXEMPLO ESPANHOL
Não precisamos de ir mais longe na Europa para ver os efeitos positivos da descentralização – Olhemos para Espanha!
Em Espanha, a Expo 92 não foi em Madrid.
Foi em Sevilha.
E a próxima não vai ser em Madrid.
Vai ser em Saragoça, neste ano de 2008.
Em Espanha, os Jogos Olímpicos não foram em Madrid.
Foram em Barcelona em 1992.
Espanha não se desinteressou do projecto da fórmula 1 dos barcos pelo facto de Madrid não ser uma cidade costeira.
Valência candidatou-se e ganhou.
Nos anos 70 fui a Madrid, numa excursão de camioneta, ver uma corrida de fórmula1 a Jarama.
Hoje já ninguém fala de Jarama e de Madrid no que se refere a fórmula 1.
Está em Barcelona e em Valência.
Lembram-se daquela final dramática da Taça dos Campeões Europeus, em Sevilha, no ano de 1986, que o Steaua de Bucareste ganhou ao Super Barcelona?
A final da Liga dos Campeões de 1999, aquele fabuloso jogo entre o Manchester United e o Bayern de Munique, não foi em Madrid, foi em Barcelona.
Bom, poderíamos ficar aqui a encher folhas e folhas com o relato de grandes acontecimentos ocorridos em Espanha que não tiveram lugar na capital Madrid.
É nestes momentos que olho com admiração para a realidade autonómica de Espanha e muito particularmente para os Catalães.
Um jovem catalão que vai trabalhar para um banco não precisa de sair de Barcelona para chegar ao topo da hierarquia.
A La Caixa é um exemplo acabado do atrás referido.
Como, de resto, são todas as Cajas de Ahorros espalhadas por toda a Espanha.
Os meus amigos catalães e os seus filhos ligam as televisões e não têm de se submeter ao achincalhamento de ver nos noticiários as primeiras páginas dos jornais de Madrid, nomeadamente dos jornais desportivos, dizendo que o jogador x do Real Madrid está com dores de barriga, ou que o jogador Y vai com o cão ao veterinário.
Porque têm canais de televisão próprios na Catalunha.
E tem jornais desportivos próprios.
Já agora, para quando notícias a partir das 7h da manhã no Porto Canal?
Pelo que me disse um amigo catalão, caso o estatuto autonómico passe no Tribunal Constitucional, a Catalunha só fica dependente de Madrid das forças armadas.
E de Bruxelas das políticas macroeconómicas.
De resto é tudo com eles.
Até Supremo Tribunal de Justiça terão.
Li numa notícia no Expresso de 8 de Dezembro de 2007 que tinha como título o seguinte: “Galegos seguem exemplo dos bascos e catalães”. E no corpo do artigo referia “…A expressão “direito a decidir” está na moda em Espanha. É neste slogan que se apoiam, ultimamente, as reivindicações independentista latentes nas comunidades autónomas espanholas. A última expressão deste sentimento aconteceu no fim-de-semana em Barcelona, onde mais de 125 mil pessoas se manifestaram contra o caos nas infra-estruturas ferroviárias na Catalunha – atribuído à administração central – e reivindicaram o direito a decidir dos cidadãos sobre as obras públicas da região….”
Só através de uma organização de cariz político que alerte as pessoas para estes assuntos, as motive e interesse, é que poderemos alcançar, também, o direito a decidir sobre aquilo que nos diz respeito.
Para informar quem leu o post anterior que a TMN me contactou a dizer que me vai descontar os 18 euros mais o IVA correspondente, da conta que me enviou.
Isto só quer dizer uma coisa: a TMN não tem controlo nenhum sobre isto, pelo que qualquer reclamação tem provimento. Mas insisto que é a TMN que me cobra - se não tem meio de saber se é verdade, não o devia fazer. Pedi ao funcionário para a TMN me mostrar onde é que eu autorizei o dito "serviço", ou seja, pagar para receber mensagens sms.
Claro que a TMN recebe a sua parte nisto e não quer saber de nada. Insisti junto do funcionário que, a partir da queixa de um cliente - e ele disse-me que havia mais reclamações... - não podem deixar de investigar este roubo. Não fiquei, porém, nada convencido que a TMN vá fazer alguma coisa. Não lhes interessa.
Já agora: contei o episódio à família e uma das minhas irmãs, ao notar que a conta era maior do que o costume, foi ver o extracto detalhado. Também ela tinha umas mensagens esquisitas, a 2 euros cada uma, que nunca tinha enviado - tinha recebido várias que imediatamente mandara para o lixo. Claro que também vai reclamar.
Quem tiver queixas destas tem aqui um amigo. Mandem para os comentários.
Fui ontem confrontado com mais uma tentativa de roubo organizado entre empresas de telefonia móvel e do chamado "mobile entertainement". Neste caso uma tal Wixawin que, pelos vistos, é holandesa. Mas parece que rouba em todo o mundo.
Verifiquei a minha conta do telemóvel e havia uma série de mensagens para o 3345 que eu não tinha enviado. Fui à TMN perguntar o que era até porque ao todo montava a 18 euros e uns pozinhos:
"Ah, o senhor deve ter respondido a uma mensagem e assim activou o serviço", responderam-me.
Só que a única coisa que eu tinha feito era responder a um daqueles inquéritos que aparecem na Net e que dão prémios. E devo ter posto (nabo!, reconheço) o meu nº de telemóvel. Mas nunca respondi a nenhuma mensagem para o telemóvel.
Ou seja: eles queriam que eu pagasse mensagens que recebi! Não eram mensagens que eu tivesse enviado, eram apenas recebidas, geralmentre duas no espaço de poucos minutos com perguntas estúpidas e três respostas possíveis. E que eu apagava imediatamente. E por isso disse ao empregado da TMN:
"A TMN se quiser pague as mensagens. Eu não pago. Digam lá aos senhores que vão receber a minha casa que eu logo lhes digo!".
Para já está feita uma reclamação e estou à espera que a TMN me diga alguma coisa. Mas pagar eu não pago. Estes roubos organizados são, pelos vistos, aceites pela ANACOM porque, dizem na TMN, a tal empresa Wixawin é legal.
Legal o... tanas! Que me mostrem a minha declaração a dizer que podiam cobrar por mensagens que me enviam.
Só me faltava mais esta. Mas pelos vistos é preciso ter cuidado. Até porque, se o telemóvel fosse da empresa, como no meu caso era até há alguns meses, ninguém iria verificar e lá se pagava. E nos vossos filhos, para jogos e toques, é muito fácil roubar assim.
Aqui têm o terceiro capítulo do texto do meu amigo Manuel Cerqueira Gomes. Como se diz nas séries televisivas , quem só agora chegou ao blog , mão deve perder os dois fascículos anteriores que continuam disponíveis mais abaixo. É um conselho de amigo.
AQUILO QUE EU GOSTARIA QUE ACONTECESSE
Que enchêssemos a Avenida dos Aliados sempre que tivéssemos que reclamar contra uma injustiça do governo central.
Não tivéssemos de aturar os tiques de grandes senhores, dos Senhores Ministros, que de forma sobranceira nos vêm dar esmolas. Ora, com correctivos arrogantes, dizendo que gastámos muito no Metro (já esqueceram as derrapagens da Expo e agora do Metro de Lisboa) quando estão a meio da legislatura, ora com patéticas inaugurações e promessas quando perto das eleições
Pudéssemos ser nós, no Norte, a decidir, por vezes juntamente com Bruxelas:
·Da oportunidade da construção de mais uma linha de metro;
·Da passagem do TGV pelo aeroporto Sá Carneiro;
·Do estabelecimento de condições aeroportuárias diferentes para um low cost;
·Da apresentação pelas forças políticas da nossa região, juntamente com empresários do Norte, da candidatura a um grande evento internacional;
Como eu gostaria de sair de casa ao fim-de-semana e comprar o semanário da minha região, dispensando a compra dos que falam da politiquice dos corredores de Lisboa.
Como eu gostaria de estar às 7h da manhã a tomar o pequeno almoço com os meus filhos, antes de os levar à escola, e não ter de gramar nas televisões, ditas nacionais, a leitura das primeiras páginas dos jornais desportivos que, invariavelmente, trazem em letras garrafais que o treinador do Benfica está com uma unha encravada, que o jogador tal do Sporting tem joanetes e, agora só em rodapé e em letras minúsculas, que o Porto é cada vez mais primeiro, ou que o Porto teve mais uma grande vitória europeia.
Como eu gostaria de ver todas as manhãs os portuenses com o Comércio do Porto e/ou com o Primeiro de Janeiro debaixo do braço.
Como gostaria de ver todos os passageiros dos voos da companhias nacionais pedirem o livro de reclamações de cada vez que nos desviassem um avião do Porto para Lisboa. Ou quando nos vendessem um Porto/Milão Milão/Porto, este com uma escala técnica em Lisboa. Só que a escala técnica transforma-se, invariavelmente, no fim da viagem, obrigando todos os passageiros do Porto a saírem do avião, tirarem os pertences, atravessarem o aeroporto e entrarem num voo Lisboa/Porto. Para mais tudo isto entre as meia-noite e a uma da manhã.
Como eu gostaria que os nortenhos batessem o pé e exigissem que os seus problemas fossem decididos no norte e não nos corredores do governo central ou à mesa dos restaurantes da capital.
Como eu gostaria que os nortenhos continuassem a ter orgulho na sua pronúncia do português. Emocionando-se de cada vez que os seus filhos trouxessem da rua alguns “bês” que os pais já não foram capazes de lhes transmitir. Porventura não os incitando a tal, mas, seguramente não os perseguindo com constantes correcções.
Como eu gostaria de não ter razões para não ter vontade de visitar a bonita cidade de Lisboa.
Nas minhas leituras de fim de semana ancorei num artigo de opinião do Professor Catedrático Jubilado da faculdade de Medicina da U.P Levi Guerra sobre um pessoa que muito estimo e admiro.
"Portuense que se tornou figura internacional", "cidadão indissociável da freguesia de Nevogilde"; advogado "por paixão", defensor da liberdade, homem de cultura mas, acima de tudo, do culto "no sentido ciceriano" dos amigos, foi galardoado com a a Ordem de “Officier National du Mérite” pelo Cônsul Geral de França no Porto, Senhor Philippe Barbry, foi um acto de grande distinção hoje ocorrido nesse magnífico espaço que é a Casa do Roseiral nos vergeis do Palácio de Cristal e onde a razão do acontecimento foi muito bem explicada pelo Senhor Cônsul Geral, é Miguel Veiga, de seu nome.
Tendo simultaneamente aprendido o francês e o português, Miguel Veiga fez da França, Pátria de sua Mãe, a sua Mátria, como sublinhou, não se estranhando que o seu luculente discurso de agradecimento tivesse sido bilingue e onde o homenageado alternou o brilho dum Vítor Hugo e dum Montesquieu com o dum Vieira ou dum Eça.
“A liberdade foi sempre uma das minhas fidelidades”
“Causídico ilustre”, como o classificou o Presidente Cavaco Silva na homenagem promovida pela Junta de Freguesia de Nevogilde em sua honra, a que presidiu há cerca de um ano (Junho de 2007), tem tido uma intervenção política de grande mérito enquanto membro do PSD, tendo revelado uma singular coerência de pensamento ao longo dessa sua vida política, até hoje.
É um “homem de afectos e de paixões”que felizmente hoje a nossa sociedade já não anatematiza:”Reivindico as contradições: o direito de ser outro de mim próprio e até estranho à minha própria imagem ou à definição que faço de mim mesmo…declaro-me humanista personalista, heterodoxo, sujeito de razões e emoções, de convicções, de sentidos, de valores ético-sociais, pautado por referências normativas, embora desamparado de deuses e avesso às gramáticas de obediência e às cartilhas dogmáticas…Pareço-me com um político de vez em quando, mas, mesmo quando intervenho politicamente, advogo causas. Quase sempre de cidadania…
A sua paixão pela arte espelha-se neste seu desabafo: “Nasci, cresci e tenho vivido no meio de miríades de livros e de centenas de pinturas…as letras são a minha respiração, a literatura é a prova de que a vida não chega…”
“Com o correr dos anos a poesia foi-se-me tornando tão necessária como o pão de cada dia para a boca…”
A sua grande acção de cidadania esteve, talvez antes e acima da política, no exercício da advocacia. Disse:”Fui fundamentalmente um advogado togado…Enquanto existirem advogados a ideia de cidadania terá conteúdo…a cidadania exerce-se também no cumprimento diário de um trabalho profissional sério, decente e competente… Sobretudo nestes tempos em que a escola fácil não prepara para a vida difícil.”
”A amizade é o essencial, o sal da vida…”
O Dr. Miguel Veiga foi feito Oficial de Mérito de França. Ele é, entre nós, verdadeiro símbolo do Mérito, e o Governo Francês, honrando justamente o cidadão, honra, ao mesmo tempo, o Porto e Portugal. É assim, sobretudo, que as Pátrias se aproximam…
O Presidente da República, Cavaco Silva, acaba de anunciar o seu primeiro Veto a uma medida do Governo de Sócrates.
O Veto surgiu aos 3 anos anos da mandato facto que prova uma boa sintonia e cooperação institucional entre Belém e S. Bento.
Não é para falar do três anos de Governo - que até teve direito a comício aqui no Porto - que escrevo estas linhas.
Não se sabe ao certo porque é que o Presidente vetou a lei que "devolvia" zona ribeirinha de Lisboa à cidade ou seja à Câmara Municipal.
Aqui no Bússola , na altura da pomposa cerimónia de transferência de posse do "governo" para António Costa, levantei este problema.
Aplaudi, estranhei e reprovei.
Aplaudi porque é um absurdo que se arrasta há dezenas de anos e nunca nenhum Governo, apesar das promessas, resolveu o assunto.
Não faz sentido que as administrações portuárias detenham importantes zonas costeiras e ribeirinhas que nada têm a ver com o seu "negócio".
António Costa percebeu isto - como escrevi - logo que chegou à Câmara.
Uma das zonas mais nobres e mais nucleares da cidade estava nas mãos de entidades que a cidade não sufragou!...
São como disse uma espécie de "enclaves" estranhos dentro das cidades!...
Estranhei a pressa. Foi tudo muito rápido. Costa chegou. Viu. Protestou. Sócrates aceitou e legislou.
Reprovei. Reprovei porque achei, como acho agora, que o problema não podia ser "reduzido" só a Lisboa.
E o Porto?
E Matosinhos?
E Viana do Castelo?
E Aveiro?
E Vila Nova de Gaia?
E?E E?E E?E E?E E?....
Cavaco mostrou estar atento.
Não tenho dúvidas que o VETO teve só a ver com isto.
Não é necessário nem obrigatório ser jurista para saber que as Leis têm de ser gerais e abstractas. Esta não era.
Era uma Lei casuística e feita à medida de satisfazer a vontade do Presidente da Câmara de Lisboa. Não pode ser...
Agora resta ao Governo fazer a sua obrigação que é legislar para o país e duma vez por todas acabar com absurdo.
PS: Achei lamentáveis as declarações do Presidente da APL-Administração do Porto de Lisboa onde se regozijava com a decisão e logo levantava o "fantasma" da especulação imobiliária e das autarquias locais.
Convidado pelo próprio fui ontem ao Pavilhão Atlântico ver o concerto de Tony Carreira. Em dois dias esgotou aquele espaço. 15 mil pessoas em cada um dos dias. Não há muitos cantores que o possam fazer. Do staff disseram-me que se tivessem disponibilidade tinham solicitações para encher num terceiro dia o pavilhão o atlântico .
Havia gente de todo o país, e muitas que vieram de propósito do centro da Europa e até da África do Sul.
Para dizermos se gostamos ou não de alguma coisa temos de ir ver. Francamente, gostei do que vi.
Uma produção gigantesca, um palco arrasador , uma qualidade de som como poucas vezes tenho visto e ouvido, e um cantor que sabe o pé que tem para a bota que quer calçar.
O género musical não é o meu preferido mas há musicas que entram imediatamente no ouvido. E que até aprecio. Mas o mais importante é quem em duas horas e meia de espectáculo ,as 15 mil pessoas acompanharam de pé e com a cantar todas as letras que sabiam de cor.
Vibraram e saíram de coração cheio e feliz, algumas com lágrimas tal a emoção por terem a oportunidade de desfrutarem de horas de intensa e imensa satisfação.
Tony Carreira mantém uma humildade invencível . 20 anos depois de ter iniciado a carreira e que ontem festejava em tão gigantesco cenário, trata os fãs como se fossem da família.
No final do concerto faz o que a grande maioria não é capaz ou não quer fazer: Em vez de fugir por um corredor de óculos escuros e casaco comprido protegido por seguranças rumo a um qualquer topo de gama que o leve de regresso ao hotel, Tony Carreira, mantém-se no pavilhão o só sai quando der o ultimo autografo de uma interminável fila de fãs. Na véspera tinha saído do pavilhão atlântico duas horas depois do concerto acabar. Foi quando deu o último autografo.
Perguntei-lhe porque o fazia e disse com toda a sinceridade que só tem 20 anos de carreira de sucesso porque se não fossem os espectadores ele não existia.
Para além do espectáculo , sinceramente acho que não nos faz mal nenhum por vezes vermos estes exemplos que escapam ao nosso dia a dia.
Como o prometido não é de vidro aqui fica o segundo fascículo do texto do meu amigo Manuel Cerqueira Gomes que tenho a certeza que vão continuar a gostar. Os que pensam como nós , claro, porque os outros já se sabe que vão continuar a ladrar....
A MENTIRA EM QUE VIVEMOS
Acho, muito sinceramente, que vivemos num país de mentira permanente.
Existe uma capital que ainda olha para o seu umbigo como capital do Império.
Criadora de burocratas.
Que usa os recursos de todos nós para se promover.
Tudo aquilo que de importante se passa neste país, por decisão dos burocratas, tem de passar pela capital.
Mega construção do Centro Cultural de Belém nos finais dos anos 80, princípio dos anos 90.
Lisboa capital europeia da cultura em 1994.
Expo 98 Lisboa, onde se fizeram obras estruturais que foram pagas por todos nós. Como por exemplo o pavilhão Atlântico que agora serve de palco aos grandes eventos do mundo do espectáculo.
Em 2001, porque Lisboa não podia repetir, tivemos a capital europeia da cultura no Porto, embora “a meias” com Roterdão.
Já se fala numa candidatura aos Jogos Olímpicos de Lisboa de não sei quando. Isto porque, pelo que me disseram, só o facto de haver a candidatura obriga a que se façam uma série de obras prévias.
A capital (mais precisamente a zona de Oeiras) candidatou-se àquilo a que se chama a fórmula 1 dos barcos. Que iria obrigar a avultados investimentos na zona marginal que, por certo, não iriam sair do orçamento da Câmara Municipal de Oeiras.
O Senhor Primeiro-ministro inaugurou há pouco tempo o Museu Berardo, em Lisboa, regozijando-se com o facto pois, até aí, segundo ele, em matéria de arte contemporânea, só havia Madrid, esquecendo-se, de forma imperdoável, do Museu de Serralves no Porto.
O autódromo do Estoril, onde se fazem os grandes eventos automobilísticos, está na zona da grande Lisboa.
A final da Taça dos Campeões Europeus de 1967 entre o Inter de Milão e o Celtic foi no então Estádio Nacional em Lisboa.
A final do campeonato do Mundo sub 21 em futebol foi em Lisboa.
A final do Campeonato da Europa de 2004 de futebol foi em Lisboa.
A final da Taça UEFA de 2005 em Lisboa.
No resto do país não houve qualquer final importante.
Bom, mas há quem diga que muitos dos grandes eventos são feitos na zona de Lisboa pela iniciativa particular. O Estoril Open; o próprio autódromo do Estoril. Mas o problema é sempre o mesmo. O centralismo obriga a que a maior parte das pessoas válidas do país vão viver para Lisboa. Onde constituem família e por lá ficam.
Quem é que, não ouviu já falar de coisas deste género – “agora se quiser subir mais na estrutura (do banco, ou da empresa) tenho de ir para Lisboa”. Não é assim, Júlio Magalhães?
Até o raio do Tratado tinha-se que chamar de Lisboa… Neste particular lembrei-me logo de Nice e de uma belíssima terra na Holanda que se deu a conhecer ao mundo porque deu nome a um grande Tratado – o de Maastricht.
Assusta-me a falta de visão global do país por parte das pessoas que nos têm governado!
Os burocratas de Lisboa mais parecem aqueles meninos caprichosos e mal-educados que têm sempre de ter os melhores brinquedos, esquecendo-se de os repartir, tanto mais que aqueles que deveriam ser contemplados com a repartição são, afinal, seus irmãos.
Mas enquanto durou a presidência portuguesa da UE, lá foram os ministros fazer umas reuniões pelo país fora, para calar as gentes da província.
Mas o Tratado, esse, jamais se chamaria de Guimarães, ou de Braga, ou de Faro, ou do Funchal.
Tinha de ser de Lisboa.
Tanto provincianismo têm os burocratas de Lisboa…
Alguns vêm dizer que o País é muito pequeno pelo que é natural que tudo se concentre em Lisboa…
Só que,
É unanimemente reconhecido que Portugal é o um dos países mais centralizados na UE.
Lisboa, embora sendo a capital, é apenas uma cidade entre muitas outras do país, inserida numa região/zona entre muitas outras.
Falta uma voz política que se faça ouvir e que ponha tudo isto a nu.
Que interpele o governo central.
Que exija que este evento, aquela obra, ou aquele empreendimento, venha para o Norte ou para qualquer outra zona do país.
Que, concertadamente com os banqueiros do Norte, nomeadamente com aqueles que fundaram os dois maiores bancos pós 25 de Abril, batam o pé e exijam que a bolsa de valores fique no Porto (olhem, por exemplo, para Frankfurt e para Milão), ou pelo menos que também fique no Norte.
Que ajude a criar condições para as sedes dos bancos e seguradoras, que muitas delas historicamente são do norte, tenham efectivamente as administrações, os departamentos de estudo e os principais quadros no Norte.
Que proteja os empresários do Norte.
Mas que também lhes peça explicações quando estes vão anunciar a um hotel de Lisboa um grande negócio, quando o deveriam fazer num hotel do Porto, ainda que só tivessem presentes os jornalistas do JN, do Comércio do Porto e do Primeiro de Janeiro.
Que articule com as Universidades e as empresas os meios necessários para criar uma grande escola de negócios no Norte, impondo-se quando algumas pessoas, por pequenas questões de vaidade, entopem o processo.
É que há situações incompreensíveis neste país.
Por que raio é que ainda há pessoas do norte que acham bem ir tratar de assuntos a Lisboa?
Serão masoquistas?
Porque raio não podemos tratá-los no Norte?
Porque razão é que há grandes empresas do Norte que têm as sedes operativas no Sul?
É mais barato?
Porque razão, tendo nós no Norte os 2 maiores empresários pós 25 Abril, é que um nortenho que tira um curso relacionado com publicidade tem de ir para Lisboa?
Se os 2 maiores grupos privados portugueses pós 25 de Abril são do Norte porque é que não há grandes empresas de publicidade no Norte?
Não me digam que é porque no Sul podem fazer anúncios no Guincho!
Façam-nos na praia “Emília Barbosa”, ou noutra qualquer de Matosinhos, na Foz ou em Leça, ou então nesse maravilhoso vale do Douro…
Ouvi, outro dia no Porto Canal uma entrevista com um afamado estilista nortenho que dizia que o grande acontecimento de Moda do nosso País é, PASME-SE, a Moda Lisboa.
Se isto continuar assim, qualquer dia ainda levam o Museu do Vinho do Porto para Lisboa. Acho que já faltou mais…
Olho para o nosso País e sinto-me envergonhado com este centralismo.
Mas quando constato o que se passa aqui ao lado ainda mais revoltado fico.
Sem o envolvimento activo dos professores é impossível reformar o sistema educativo
Tenho para mim que uma pessoa tem de se agarrar a sólidas normas orientadoras para se desembrulhar nesta vida, que está cada vez mais complicada.
Um dos princípios que sempre me norteou, sintetiza-se numa pequena frase: «Se queres ganhar ao Boris Becker não vás jogar ténis com ele».
Esta frase orientadora é filha directa da filosofia fundadora da guerrilha. Devemos evitar entrar em batalhas que à partida sabemos que vamos perder e, em alternativa, esforçar-nos por atrair o adversário para um terreno que nos seja favorável.
Vem esta história a propósito do braço de ferro entre professores e Governo, que a mega manifestação de sábado atirou para um beco que aparentemente não tem saída.
A peregrina ideia do PS de responder à impressionante demonstração de força e unidade dos professores através de um comício nacional de apoio a Sócrates, sábado, no Porto, equivale a uma vâ tentativa de ganhar ao Boris Becker desafiando-o para a medir forças num court de ténis. É uma atitude estúpida e suicidária.
Domingo, cem mil professores (a grande maioria num universo total de 140 mil) inundaram o centro de Lisboa, desfilando do Marquês até ao Terreiro do Paço.
É patético que o PS, que governa com maioria absoluta, escolha responder na rua à revolta dos professores. Não é preciso ser um Einstein para adivinhar que o Governo ser goleado na comparação.
Alguém no aparelho do PS já deve ter percebido isso e , prudentemente, ordenou a transferência do local da manifestação da praça D. João I para o mais aconchegado pavilhão do Académico, que não será difícil de lotar pois é uma sala à medida da capacidade de mobilização do Bloco de Esquerda.
É à mesa e não na rua que o Governo pode ultrapassar esta crise. Mas para vencer, Sócrates tem de ter a humildade de perceber que não lhe basta ter razão e que avaliou mal a situação quando em Outubro declarou que não confundia professores com sindicatos.
O gigantesco esforço de democratização do ensino que se seguiu ao 25 de Abril já deu alguns frutos. Prova disso é o facto de, em 20 anos, a taxa de escolarização no secundário ter aumentado 50%. Mas ainda há muito longo caminho a percorrer . Os 17% de alunos repetentes no secundário estão dramaticamente longe demais dos aceitáveis 3,9% que constituem a média de repetentes neste escalão de ensino nos países da OCDE.
Os 120 mil alunos que chumbam anualmente no básicoe os 46% que abandonam a escola no 12º ano são números que gritam por uma urgente reforma do nosso sistema educativo.
Sócrates tem razão quando diz que não se pode adiar por muito mais tempo esta reforma. Mas tem de ter a lucidez de perceber que não a pode fazer contra a vontade dos professores, que são os principais intérpretes e a peça chave do sistema educativo.
A pífia remodelação de 29 de Janeiro retirou ao primeiro ministro a margem de manobra para deixar cair Maria de Lurdes Rodrigues. A única bóia de salvação que ele tem ao alcance é agarrar-se à proposta de mediação apresentada por João Lobo Antunes, o ex-mandatário nacional de Cavaco.
A pensar na Semana Santa que aí vem , muito propícia à reflexão e ao lazer , começo hoje a publicação de um notável ensaio do meu amigo Manuel Cerqueira Gomes , ilustre advogado portuense.
Para conforto dos leitores mais ocupados e também para criar um suspense que o texto merece , a publicação será dividida em 8 posts incluindo o de hoje que estarão disponíveis no vosso Bússola até à Páscoa.
Numa opinião que também subscrevo, Cerqueira Gomes acha que o problema não é de Lisboa enquanto cidade, bonita por sinal, o problema é da gentinha, talvez a mais provinciana de todo o Portugal, que tornou uma cidade, que deveria ser só a capital de Portugal, num monstro macrocefálico e asfixiante.
AS RAZÕES DA SITUAÇÃO
AUSÊNCIA DE VOZ POLÍTICA ORGANIZADA
O estado a que tudo isto chegou tem culpados que são facilmente identificáveis – TODOS NÓS NORTENHOS.
É verdade que houve sempre uma certa subserviência relativamente à capital.
Se recuarmos na História verificamos que sempre nos sacrificámos pelo país, muitas vezes em proveito de Lisboa.
A história das tripas, na célebre expedição a Ceuta, é paradigmática.
Tripas essas que, de restos menores do animal, se transformaram num dos ex-libris da gastronomia portuense.
Mas tudo mudou.
Já há muito concluímos que não há mais razões para sermos subalternizados relativamente a Lisboa.
De resto, acho que não há, na maioria das pessoas do Norte, qualquer complexo de menoridade relativamente a Lisboa.
Noto, isso sim, algum desconforto e dor de cotovelo de muita gente de Lisboa quando o nome do Porto se começa a ouvir cada vez mais e pelas melhores razões, nomeadamente quando se fala:
·do esmagador êxito, Nacional e Internacional, do FC Porto;
·dos dois maiores bancos portugueses pós 25 de Abril terem sido fundados no Porto;
·dos dois maiores empresários do país, no pós 25 de Abril, serem do Norte;
·de Serralves, como uma referência mundial na gestão de Museus;
·das ruas do Porto e das estradas do norte cheias de turistas trazidos por companhias estrangeiras (não pela TAP);
·que os arquitectos do Porto são repetidamente galardoados nos melhores prémios da arquitectura mundial; etc.
Muitos, geralmente do sul, dizem que nós estamos sempre a dizer mal de Lisboa, por isto e por aquilo.
Não nos preocupa o que Lisboa tem. O que verdadeiramente nos preocupa é aquilo que não temos e que deveríamos ter caso este país fosse, conforme todos nos prometeram, descentralizado.
Mas se é evidente que já se nota um despertar das gentes do norte relativamente às injustas assimetrias deste país, também não deixa de ser verdade que ainda não nos insurgimos com a determinação que a situação justifica.
Pergunto:
Quantas pessoas vieram para as ruas no Porto, ou em Braga, por causa do traçado e dos timings TGV?
Na verdade,
Causa-me grande incomodidade verificar que as Injustiças causadas pela macrocefalia não provocam, ainda, qualquer reacção organizada.
A não ser uma cobarde resignação de todos nós.
Por um lado, sofremos para dentro.
Não explodimos como os espanhóis.
Por outro, não somos devidamente orientados por uma referência, por um líder, que assumidamente nos defenda.
Já viram que ao longo de tanto tempo ainda não fomos capazes de criar um líder político que defendesse os nossos interesses?
Dos políticos que aqui nasceram, muitos deles brilhantes, não houve um sequer que nos dissesse aquilo porque ansiosamente aguardamos: “Sou político, sou do Norte, quero defender a causa dos meus conterrâneos e, sosseguem, a última coisa que quero é ir para Lisboa”.
Infelizmente todos eles tiveram a mesma tentação fatal, isto é, não descansaram enquanto não chegaram a Lisboa, uns para deputados, outros para o governo…
E o Norte sente muito isso, só que sofre para dentro, pelo feitio próprio das nossas gentes.
Para se ver como sofre e não esquece, está o caso paradigmático do castigo que o povo do Porto infligiu ao Dr. Fernando Gomes que, incompreensivelmente, trocou a Presidência da Câmara do Porto pelo ministério da polícia de Lisboa. Como foi possível ter acontecido?
Acho que as gentes do Porto ficaram desiludidas, sentiram-se atraiçoadas.
Verificámos que não era aquela a pessoa que precisávamos.
Com todo o respeito pelo vosso trabalho e com o que é feito noutras iniciativas, julgo que não chegaremos a lado nenhum sem que tenhamos um canal político próprio que possa, de forma sistemática e organizada, defender os interesses do Norte.
Podem dizer: mas estamos todos fartos dos políticos e dos partidos! Também eu, e é por isso que faz falta quem faça política de forma diferente, uma politica próxima do eleitor e em que este se reveja.
Já viram o que seria um partido político do Norte que elegesse deputados?
Que forçasse uma verdadeira regionalização!
Temo, contudo, que tal não possa ser levado a cabo por impossibilidade legal/constitucional.
Alguém ainda tem dúvidas que o crescimento de Espanha se deve, em grande parte, à força das regiões autónomas e da vontade que têm de se afirmar?
A cumplicidade positiva entre as forças vivas de uma determinada zona com o poder político regional que as representa tem sido um dos segredos do crescimento de Espanha.
Repugna-me ter de continuar a eleger deputados que vão confortavelmente para o hemiciclo dizer que sim a tudo aquilo que o partido impõe, esquecendo, pura e simplesmente, que estão lá para defender os interesses das pessoas que os elegeram.
Não temos, em conclusão, um verdadeiro sistema representativo!
Manuel Cerqueira Gomes
Próximo capítulo " A mentira em que vivemos " a postar brevemente