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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Filipa Guimarães

 

Ainda não fez 30 anos, mas já perdeu a conta aos empregos que teve, desde que começou a ganhar dinheiro, aos 16 anos, na Zara do Oeiras Shopping.  Um coup de foudre , em Dublin, na Páscoa de 2001, levou-a a viver três anos em Paris. Esteve ao balcão de uma perfumaria, fez coffrets de cosméticos, e angariou parceiros para as caixa prenda da Smartbox. Roída de saudades dos cafés Delta e da Super Bock, regressou a Lisboa. Preparava-se para voltar aos perfumes, quando lhe telefonaram de França, a desafiá-la a abrir a Smartbox em Portugal 

 

A psicóloga de 29 anos que já perdeu

a conta aos empregos que teve

 

Nome:  Filipa Guimarães

Idade: 29 anos  

O que faz: Country manager da Smartbox

Formação: Licenciatura em Psicologia Social pelo ISPA, com especialização em Psicologia do Consumo

Família:  Solteira

Casa:  Andar na zona da Expo

Carro:  Seat Ibiza, com 130 cavalos, que ela adora apesar de lhe dar alguns problemas – o último foi a suspensão partida

Telemóvel: iPhone

Portátil:  Lenovo

Hóbis:  Fica sempre sem jeito quando lhe perguntam como se diverte. Mas puxando por ela lá vai dizendo que gosta de conversar, ler, ir ao cinema, jantar em casa com uns amigos, de passar uns fins-de-semana por esse pais fora, em pousadas ou casas de turismo de habitação. Não perdeu um episódio de Friends, série de que tem em DVD todas as temporadas   

Férias: As últimas foram no Algarve, duraram 15 dias e ela não esteve parada num sítio, vagabundeando de Sagres até Vila Real de Santo António, com escala no Alvor. Em trabalho, viaja regularmente para Paris, Barcelona e Milão, mas nunca aproveita para ficar mais um dia de férias, apesar de ter 55 dias acumulados para gozar. “Vou e venho sempre a correr”, diz, acrescentando: “Deve ser por causa das saudades do café Delta”   

Regras de ouro: “As oportunidade perdem-se. Os erros corrigem-se. Aprendi com a minha mãe que devemos arriscar. Mais vale arrepender-nos do que fizemos do que ficar sempre na dúvida sobre o que poderia ter acontecido”

 

 

“Claro que sei!”, respondeu a Pierre Edoaurd, quando há três anos exactos o dono da Smartbox lhe perguntou se ela sabia fazer um business plan, depois de a ter desafiado a abrir a operação portuguesa desta multinacional líder no mercado do turismo de experiências.

 

Psicóloga, Filipa sabia diagnosticar uma depressão, vender perfumes, compor um atraente coffret de cosméticos e angariar parceiros para uma das caixas prenda da Smartbox (onde tinha trabalhado em Paris) - mas estava a milhas do que era fazer um business plan.

 

 “Tu és maluca! Não vais conseguir fazer um business plan numa semana. As pessoas passam cinco anos na faculdade a aprender a fazer um”, disse-lhe, quase em pânico, Arthur, o namorado licenciado em Gestão, quando ela chegou a casa e lhe pediu ajuda. “A faculdade é para nos divertirmos com os amigos e andar nos copos. Eu estou a falar de aprender mesmo”, retorquiu Filipa.

 

Como é bom de ver, fez o business plan, cujo sucesso é aferível em números: no primeiro ano facturou três milhões de euros e em 2010 vai fazer mais de 12 milhões, vendendo 200 mil caixas prendas, em mil pontos de venda espalhados do país.

 

O caminho de Filipa foi sinuoso, mas o seu horizonte é radioso. Filha de um bancário do Borges & Irmão e de uma directora comercial da Oracle que tinha 19 anos quando a trouxe ao mundo, herdou da mãe a precocidade e o carácter desempoeirado.

 

Em miúda quis ser professora (“Era uma figura de poder”, explica) antes de se lhe ter metido na cabeça de que queria ser psicóloga criminal. Inscreveu-se no ISPA, onde corrigiu a rota, do ramo clínico para o social, mal concluiu que não estava disposta a passar o resto da vida a ouvir os problemas de bipolares, deprimidos, esquizofrénicos e ofícios correlativos.

 

O primeiro dinheiro já o tinha ganho na Zara do Oeiras Park, ainda adolescente de 16 anos: 40 contos/mês em troca da energia e boa vontade de fazer tudo com boa cara e eficiência, desde atender ao balcão até dobrar a roupa, lavar o chão e tratar dos inventários.

 

A vida dela levou uma volta na Páscoa de 2001, quando se meteu num avião para Dublin, para visitar a mãe (que a Oracle destacar para a Irlanda) e se apaixonou por um colega dela, o francês Arthur. Foi coup de foudre. Voltou, acabou o curso, fez um estágio na Publicis e assim que o namorado conseguiu a transferência, juntaram-se em Paris.

 

Arranjou emprego numa perfumaria de uma brasileira, na rue de Rivoli e desatou furiosamente a aprender francês. Em casa, fazia ditados, lia o jornal e seguia as novelas. No metro, estudava a gramática. Como não é de estar muito tempo parada num sítio, durante os seus três anos parisienses ainda fez coffrets de perfumes para a Lancaster antes de ir angariar parceiros para as caixas prenda da Smartbox.

 

Farta de uma vida metro/boulot/dodo, de ganhar mal, habitar num cubículo num 6º andar sem elevador – em que era um pesadelo levar as compras para cima e e esquecer-se de alguma coisa em casa era um drama – e roída de saudades dos cafés Delta e da Super Bock, regressou a Lisboa, onde passou por uma agência de marketing (“Não tinham andamento para mim”, explica) e estava de ir trabalhar na Clarins (“Adoro a indústria de cosméticos”, confessa) até que o telefone tocou. Era Pierre Edouard a desafiá-la para abrir a Smartbox em Portugal – e a perguntar-lhe se ela sabia fazer um business plan.

 

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias 

 

 

Tirem-me deste filme!

Esta minha vida de biscateiro consome-me tanto tempo que me tem privado do prazer de aproveitar a hora do almoço para ver um filme nas melhores salas do cinema do país –  as 20 da UCI (ex-AMC) no Arrábida Shopping,

Tenho por isso de me contentar a ver em versão compactada, ao sábado à tarde, as minhas séries preferidas - Good Wife, Lie to Me, Closer e Crash –, bem como alguns documentários dos canais História ou Travel, que deixo a gravar durante a semana. A gramática e tempo de duração das séries são bem mais adequadas ao ecrã de televisão do que um filme.

Mas nestes últimos dias,. eu e a generalidade dos meus infelizes compatriotas tivemos  de nos sujeitar a assistir um filme péssimo, completamente destituído de suspense, co-realizado por Sócrates e Passos Coelho. Não era preciso o professor Marcelo (que acrescentou à sua condição de comentador político a de oráculo, quem sabe se herdada do falecido polvo Paul …) nos ter sossegado a dizer que o Orçamento ia passar – já todos tínhamos adivinhado isso.

Este grotesco sucedâneo daqueles filmes de série B, recheados de aventura e acção, que durante a minha adolescência me divertia a ver no Carlos Alberto, foi protagonizado por dois actores, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga, que representaram muito mal os seus papéis num dramalhão pior que as outrora célebres novelas radiofónicas patrocinadas pelo detergente Tide – e  que só pode acabar mal.

Trata-se de uma fita que nos ficou caríssima (apesar de inverosímil, a cena da ruptura custou-nos 133 milhões de euros de juros suplementares na colocação de dívida publica) e, como seria de esperar num filme realizado por dois tipos saídos das fábricas partidárias e com dois artistas de cabelos brancos nos principais papéis, estava enxameado de ideias com rugas e não teve sequer a arte de rentabilizar aquela espécie de product placement involuntário da foto de assinatura do acordo tirada por telemóvel – ao menos deviam ter tido o discernimento de por a Blackberry a pagar a conta!

O filme “Salvem o Orçamento 2011” marcou o arranque de campanha eleitoral para as legislativas, que António Nogueira Leite, numa hábil manobra de antecipação ao seu correligionário Marcelo, nos informou que serão na Primavera. “Não vale a pena salvar o Governo a partir de Março”, declarou o conselheiro económico de Passos.

Enquanto não surge a sequela, fica-nos na boca o amargo de estarmos a ser tratados como súbditos, e não como cidadãos que somos, por dois partidos que em tudo são iguais e nos meteram num filme de terror tão pesado que ao pé dele o Funeral, de Abel Ferrara, é recomendável como programa para uma matinée infantil. Não andará por aí alguém capaz de nos tirar deste filme?

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

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