Alta Velocidade
Ainda anda o país entretido " com o frenético Sporting-Benfica de ontem - quarta-feira - e nem se deu conta que hoje já estão a ser anunciadas as obras de adaptação da Gare do Oriente para receber o rapidíssimo TGV.
Tal como ontem, no Estádio de Alvalade XXI, é tudo a alta velocidade na região de Lisboa!
Ainda não se tinha o país "recomposto" da terceira travessia do Tejo Chelas-Barreiro e já se anuncia outro grande investimento na zona do costume para beneficiar os mesmo de sempre.
Está bem!
Claro que é preciso dotar a zona de transportes rápidos, é lógico que as acessibilidades são fundamentais, etc , etc .
Mas serão estas as prioridades.
Então vejamos.
Um estudo Europeu muito recente apresenta a zona de Lisboa - só podia ser!- como das mais bem servidas de auto-estradas/vias rápidas da União.
Supostamente devia ser um motivo de satisfação.
Mas não é.
Os lisboetas continuam a "penar" diariamente horas e horas nas filas de trânsito e com a qualidade de vida verdadeiramente atormentada.
Confesso que deve ser horrível antes de sair de casa pela manhã o facto de pensar que se tem de enfrentar o "inferno" do trânsito.
Um caos.
Que Lisboa está "cheia" de carros é uma verdade.
Até já se fala em portagens, além das existentes, para desincentivar os automobilistas a demandarem, quase todos de forma individual, a cidade.
Será que estas são as prioridades?
A nova ponte, em vez de ser uma solução, não vai ser mais um problema?
Claro que sim. A urbanização vai crescer, os fluxos de carros e de pessoas vão aumentar.
Não tardará muito e vamos começar a falar de mais uma travessia e outra e outra...
Este o problema típico da concentração.
O país debate-se com um problema grave que é a quase ausência de cidades médias competitivas, atractivas e apetecíveis .
Isto só será possível se o investimento público for descentralizado solidariamente pelas várias regiões do país.
Só dessa forma se acaba com o isolamento, com a depressão e se atrai investimento.
Nessa altura pode ser que os portuguesas comecem a pensar de forma diferente.
No actual quadro as oportunidades "moram" em Lisboa e é para lá que "alegremente" todos emigramos ou quase somos obrigados a faze-lo.
Tudo isto se faz com Planeamento que é muito mais difícil de pensar e fazer do que encontrar, ou tentar encontrar, soluções para os problemas imediatos.
O país tem de ser pensado como um todo, que o é, e não de forma parcelar como tem sido.