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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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O estranho caso da média de 17,9 valores

 

Sempre adorei romances policiais. A estante de uma das paredes do meu escritório está quase coberta, de cima abaixo pelas lombadas  -coloridas, as mais antigas, e pretas, as mais recentes - da Colecção Vampiro.

Devorei centenas (talvez milhares!) de policiais. Mas se perguntarem qual o melhor mistério que me foi apresentado não hesito um segundo antes de responder foi  “O Assassinato de Roger Ackroyd”, por razões que quem já leu seu este romance da Agatha Christie perceberá à primeira – e o quem não leu deve ler, pelo que não explico o porquê da minha resposta.

Foram muito úteis as horas felizes passadas na companhia de escritores tão talentosos como George Simenon, Erle Stanley Gardner e Rex Stout. Aprendi a desvendar mistérios com mestres com métodos tão diversos como o comissário Maigret, o advogado Perry Mason (e Della Street, a sua bela e despachada secretária confidencial) e o excêntrico produtor de orquídeas Nero Wolfe  (e o seu inseparável adjunto Archie Goodwin)

Todo este treino adquirido ao longo dos anos se revela insuficiente para perceber porque é que o Bruno, de Viana do Castelo, que teve 19,5 valores no exame nacional de Matemática e concluiu o secundário com a média de 17,62 valores, foi obrigado a matricular-se na Faculdade de Medicina de Santiago de Compostela, por não ter conseguido entrar nos cursos portugueses de Medicina.

O Bruno não é um caso único. Há mais de uma centena de portugueses a estudarem Medicina em Santiago de Compostela. E a Galiza não é o único destino dos enjeitados pelo nosso sistema ensino, que exige uma média de 17,9 valores (está a subir pois no ano passado 17,75 davam para entrar) para um aluno poder estudar para médico no seu pais. Há largas dezenas de compatriotas nossos a cursar Medicina em sítios tão improváveis como a  República Checa.

Se usarmos a velha lei da oferta e da procura como ferramenta, somos tentados concluir que a escassez de vagas disponíveis nos cursos de Medicina deriva da existência de excessos de médicos no nosso mercado.

Mas tratar-se-ia de uma conclusão precipitada.  Como há falta de médicos portugueses tivemos de recorrer à importação de estrangeiros. Há 4.287 médicos estrangeiros a exercer no nosso país –  mais de 10% do universo de 38.538 clínicos inscritos na Ordem. E vai ser preciso importar mais. Cuba e a América do Sul são os mercados alvo.

Ora se há uma tão grande falta de médicos, se há privados com credenciais no ensino da saúde (caso da CESPU)  interessados em leccionar Medicina, se há excelentes alunos que querem (e não podem) estudar para médicos no nosso país, não consigo desvendar o mistério da manutenção da aflitiva escassez da oferta de vagas nos cursos de Medicina.

A única explicação que arranjo para este mistério é que uma das premissas da equação esteja viciada (como fez Agatha Christie no “magistral Assassinato de Roger Ackroyd”). Se calhar no ensino na Medicina não funcionam as regras do mercado e subsiste uma variante da Lei do Condicionamento Industrial que proteger os interesses dos médicos que já estão estabelecidos…

Jorge Fiel

www.lavandaria.blosg.sapo.pt

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

 

2 comentários

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    Anónimo 12.10.2008

    Uma entrevista a João Rocha muito interessante
    Uma entrevista a João Rocha muito interessante

    João Rocha em 2006 deu uma entrevista bastante interessante ao jornal Record que passo a citar:

    A dada altura da entrevista o jornalista pergunta a João Rocha:

    Jornalista do Jornal Record – Um projecto totalmente falhado no seu ponto de vista Porquê?

    João Rocha (antigo presidente do Sporting) – É muito simples.
    José Roquette (outro antigo presidente do Sporting) julgava quer o Sporting era uma operação tão fácil como a do Totta, (era um Banco) em que ele numa operação ilegal ganhou 20 milhões de contos sem pagar um tostão de impostos e, ainda por cima, acabou por comprometer aquele que foi recentemente eleito Presidente da Republica, Cavaco Silva.

    Jornalista do Record – Uma forte acusação. O que sabe do processo?

    João Rocha – Não quero falar nisso neste momento, porque me interessa mais o Sporting.

    Jornalista do Record – Lembro-me que durante o mandato de José Roquette, você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FCPorto. Quer revelar pormenores em relação a isso?

    João Rocha (antigo presidente do Sporting) – Havia um projecto com o Fcporto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira do Sporting e Fcporto estarem sempre representados na Liga dos Campeões.

    Jornalista do Record – Vái concretizar ou continuar a guardar trunfos?

    João Rocha – Não digo mais nada sobre isso, Foi falado no Conselho Leonino e eu disse ao líder da AG para mandar calar sobre essa informação, que foi longe de mais. Disse-lhe ainda que o resumo do acordo com o Fcporto devia ser gravado de tão grave que era, porque talvez fosse necessário que essa gravação viesse a ser publica na defesa dos interesses do Sporting e dos seus sócios. Não vejo o desporto assim.

    Nota:
    Agora digo eu, são tão amigos ou não são?
    O Sporting com o Fcporto/corruptos assumidos!!!

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