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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Silvia Ribeiro

Por amor ao lobo, Sílvia, uma bióloga de 38 anos, dedicou os últimos 15 anos da sua vida a seleccionar e criar cães de gado para proteger os rebanhos dos ataques dos lobos. Parece contraditório, mas não é.

Na década de 70, havia lobos no Alentejo, mas hoje em dia estão, no seu essencial, acantonados entre o Gerês e Trás os Montes. De acordo com o último censo, há cerca de 300 lobos no nosso país, agrupados em 63 alcateias, das quais 54 a norte do Douro, e apenas nove a sul, onde a espécie está mais ameaçada – o rio é uma barreira importante.

Ameaçado pelo ódio ancestral dos pastores (que não lhes perdoam os prejuízos dos seus ataques aos rebanhos), pelas auto-estradas e parques eólicos que lhe invadem o habitat, e, ainda, pela escassez da sua alimentação tradicional (veado e corço), o lobo ibérico muito provavelmente já estaria extinto em Portugal se não fossem os esforços para o proteger desenvolvidos pelo Grupo Lobo, uma ONG fundada há 26 anos por Francisco Petrucci-Fonseca, professor Faculdade de Ciências de Lisboa.

“Não temos qualquer tipo de apoio regular por parte do Ministério do Ambiente”, esclarece Silvia Ribeiro, que mal acabou o curso de Biologia, em Lisboa, se mudou para Vila Real, onde está o quartel general do programa Cães de Gado do Grupo Lobo - que vive dos prémios que ganha (um dos mais recentes foi o Biodiversidade, atribuído pelo BES) e dos projectos que consegue aprovar.

Silvia - que acaba de ser distinguida pelo prémio europeu Terre des Femmes 2011, instituído pela Fundação Yves Rocher para premiar mulheres empreendedoras na área do ambiente - nasceu e cresceu no Seixal, onde se habituou a lidar com animais, pois os avós tinham cães de caça e criavam coelhos, porcos, burros e vitelas.

Sempre teve animais em casa, sobretudo cães  (que prefere aos gatos), como o Dique (um pastor alemão que morreu velhinho), o Ameijoeira (um castro laboreiro vitimado em 2004 por um ataque cardíaco). Agora tem uma cadela serra da Estrela, que, “para ser original”, baptizou Estrela. Não espanta por isso que na hora de escolher o curso o seu coração tenha balançado entre Veterinária e Biologia.

Demonstrar que é possível a coexistência pacífica entre lobos e pastores é a cruzada da Silvia. Ressuscitar o método tradicional de uso de cães de gado para proteger os rebanhos, é a sua principal arma para aumentar a tolerância das comunidades rurais face ao lobo.

“Não é fácil ver um lobo. Em 15 anos só os vi três vezes. O lobo tem um comportamento furtivo. Não arrisca um ferimento e por isso não entra à maluca num rebanho  guardado. Se pressentir um cão, tem o cuidado de se por contra o vento, para o cheiro não denunciar a sua presença. E só ataca pela certa, apanhando uma ovelha ou cabra, doente ou coxa, que fica para trás”, explica Silvia, que escolheu almoçarmos na Proa, o único edifício desalinhado do plano riscado a régua e esquadro por Siza Vieira para revitalizar Matosinhos Sul, uma zona à beira mar outrora ocupada por fábricas conserveiras e armazéns.

Bebeu apenas um copo de Evel branco, a acompanhar a entrada de polvo e o arroz de peixe, partilhamos, e acabou com uma sericaia (desprovida de ameixa e de molho) uma refeição em que falou do seu trabalho de criação de cães de gado e de diplomacia em favor do lobo junto dos pastores.

São quatro as raças nacionais adequadas para cão de gado. Castro Laboreiro, Serra da Estrela, Rafeiro Alentejano e Cão de Gado Transmontano. Silvia selecciona os cães, adquire-os (cada um pode custar entre 350 e 500 euros), coloca-os nos pastores, ajuda a educá-los e nunca os perde de vista.

“É preciso tempo e dedicação para criar um cão de gado. Por volta dos dois meses, logo após o desmame, o cachorro é posto a viver no curral com o rebanho, para criar laços sociais com o gado, evitando-se o contacto desnecessário com pessoas, em especial crianças. Só depois de um período de habituação nunca inferior a 15 dias é que pode começar a acompanhar o pastoreio”, conta Silvia, que sabe de cor o nome de 300 cães de gado que colocou, mas admite que por vezes não se recorda à primeira do nome de um pastor.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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Proa

Rua Sousa Aroso 22, Matosinhos

Couvert … 4,00

Água … 1,50

Polvo com molho verde…  3,50

Arroz de peixe … 19,00

Evel branco … 8,00

Sericaia … 3,10

2 cafés … 2,20

Total … 41,30 euros

 

Curiosidades

“Na montanha, os cães são muito felizes”, garante Silvia, co-autora do livro Cães de Gado, uma edição Bizâncio, e que após se ter licenciado em Biologia (Faculdade de Ciências de Lisboa) e feito um mestrado em Etologia (ISPA) está a doutorar-se no ICBAS com uma tese sobre o comportamento dos cães, nomeadamente os aspectos endocrinológicos subjacentes ao processo de vinculação social

Vila Real é a base das operações de Silvia que ao volante de uma Citroen Berlingo cinzenta (“Não é branca para não se confundir com a do padeiro e a do peixeiro”, explica), percorre regularmente toda a zona de habitat do lobo ibérico, para acompanhar os cães de gado que colocou e falar com os pastores

Farrusco, Dique, Pastor, Laica, Benfica e Mantorras são alguns dos nomes com que os cães de gado são baptizados. Para um rebanho de dimensão normal (150 a 200 animais) são necessários dois cães de gado. Mas há rebanhos com 400 a 600 cabras…

 

Miguel Guedes

Não deve ser nada fácil andar por aí pelo país a convencer donos de bares, ginásios ou supermercados a pagarem por uma coisa que estão habituados a usar de borla. E accionar judicialmente as rádios que se esquivam a pagar os direitos devidos pelas músicas que emitem pode não ser exactamente o melhor caminho para o líder de uma banda se tornar popular no meio radiofónico. Mas alguém tinha de o fazer.

“Uma discoteca sem música não existe. Da mesma maneira que paga pelas bebidas que vende e remunera os seus empregados, o dono de uma discoteca começa a ficar sensibilizado para pagar pela música que passa”, explica Miguel Guedes, 38 anos, líder dos Blind Zero e um dos rostos da PassMúsica, a marca da cruzada para trazer para uma plataforma legal toda a gente que utiliza a música em beneficio da sua actividade comercial.

Se estivéssemos no tempo das vacas gordas, como em 2002 – ano em que as vendas de CD em Portugal atingiram os 100 milhões de euros -, autores, artistas e editores podiam fechar os olhos à pequena pirataria, como a da cabeleireira que põe como música de fundo o Love the way you lie, de Rihanna, para tornar o ambiente do seu salão mais agradável. Mas as receitas das vendas de discos estão em queda livre (30 milhões de euros, em 2010) pelo que se tornou urgente diversificar as fontes de receitas.

Não é difícil simpatizar com a causa de que Miguel é o cavaleiro andante. Não parece justo que uma estação de rádio ganhe dinheiro a passar músicas como (só para citar um exemplo)  Perto , dos Movimento, e não pague por isso. E a verdade é que os grandes grupos privados nacionais de rádio estão em conflito judicial com a PassMúsica porque não pagam um tusto sequer de direitos pelas canções que passam.

Músico, dragão notório  - é o representante portista no Trio de Ataque, da RTPN, e no Grandes Adeptos, da Antena 1 -,  e director da PassMúsica (marca que agrupa os artistas, reunidos na GDA, e os editores, agrupados na Audiogest), Miguel começou a construir um sistema de licenciamento e cobrança sustentável que este ano vai, pela primeira vez de uma forma significativa, remunerar os artistas pela execução pública da sua música.

“Sinto que estamos no bom caminho. Dos 12 mil estabelecimentos que nos solicitaram licenciamento, já emitimos oito mil licenças que estão pagas”, conta Miguel, à mesa do Casa d’oro  (um dos oito mil licenciados!) o restaurante italiano instalado na única casa da marginal fluvial do Porto que fica em cima do rio e foi construída para albergar o estado maior de Edgar Cardoso, durante os trabalhos de construção da ponte da Arrábida.

A Casa d’oro funciona a duas velocidades. Em cima servem-se pizzas e pastas. No andar inferior, a uns dois ou três metros acima das águas do Douro, a lista é mais sofisticada. Miguel cresceu e vive na outra margem do rio (Gaia), mas é cliente frequente deste restaurante, pelo que me recomendou a Tagliata al aceto balsamico (bife de lombo com vinagre, que pedi mal passado). Como não estava em dia para vinagres, ele optou por um Filletto gratinato com zucchini e mozarella, rematando com a Mousse de chocolate com morangos uma refeição regada por um tinto siciliano escolhido pelo empregado.

“Tudo isto está em ebulição. Agora a maior receita dos músicos são os espectáculos ao vivo, o que em Portugal, na esmagadora maioria dos casos, não dá para viver”, comenta o líder dos Blind Zero, que após cinco anos sem um novo álbum de originais editaram em 2010, em etiqueta própria, o álbum Luna Park, que vendeu cinco mil exemplares (“pagou-se à justa” ) - que, à luz da actual conjuntura do mercado discográfico, Miguel considera comparáveis com os 30 mil vendidos em 1995 por Trigger, o álbum de estreia que foi o primeiro disco de rock de uma banda portuguesa a  ser Disco de Ouro.

Miguel sente-se confortável com o lado legal da sua actividade como gestor da PassMúsica porque fez o curso de Direito, em Coimbra (a ideia inicial era fazer Relações Internacionais em Braga, mas falhou a entrada por décimas…), e o estágio para advocacia. “A frase é batida, mas o que eu gosto mesmo é de comunicar”, concluiu.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Casa d’oro

Rua do Ouro 797, Porto

Zucchini … 16,50

Tagliata all’aceto … 16,00

2 coperto … 3,50

1 Làvico rosso da Sicilia … 16,00

Musseline … 4,50

4 cafés … 4,00

Total … 60,50

 

Curiosidades

A introdução de Miguel na música foi feita através de um álbum dos Queijinhos Frescos que o pai, empregado de escritório, lhe deu quando ele era miúdo. As suas preferências foram amadurecendo com a idade, à medida que lhe foram sendo apresentados Bob Dylan, Tom Waits, Xutos e Pontapés, Suzanne Vega e David Bowie, entre outros. A Rádio Energia contribuiu muito para a educação do seu gosto musical. Hoje, segue o trajecto de alguns artistas e bandas. Segue, por exemplo, Bruce Springsteen, que começou a fazer música no ano em que ele nasceu, e confessa que também aprecia os seus trabalhos menos conseguidos, como Human Touch ou Lucky Town

 

Miguel tinha 20 anos quando se constituíram os Blind Zero, que apesar de serem uma banda portuguesa a cantar em inglês beneficiou de um sucesso praticamente instantâneo. “Não somos um produto de consumo fácil. Entre o alternativo e o mainstream, somos claramente mais alternativo. Somos muito agarrados às nossas ideias. Para fazer coisas que nos impõem, vou trabalhar por conta de outrem…”, explica

 

Após ter completado o secundário em Canidelo (Gaia), Miguel foi estudar Direito para Coimbra, que ele classifica como “uma cidade bipolar” pois vive de uma produção cultural externa que desaparece nas férias. No final do curso fez o estágio, mas não encarou a hipótese de ser advogado (”Acho o tribunal muito interessante como micro-cosmo, mas não me apetecia lidar com determinadas coisas e conviver com conceitos em que não me revejo”) ou juiz – “Tenho uma enorme dificuldade em condenar. Só isso iria ser um grande problema”

 

Lídia Serras

O único pequeno incidente a registar tem a ver com o tempo de fritura da dourada, cujos pequenos lombos se apresentavam mais para o cru do que para o cozinhado. O pormenor não escapou ao olhar de lince do professor Abel Matos, que logo instruiu Safik, o aluno investido na função de chefe de sala, para me sugerir a substituição do peixe.

Como não queria dar maçada, agradeci a gentileza mas disse-lhe que não valia a pena. Apesar desta minha declaração de boa boca, não demorou mais que uns minutos até Safik estar a proceder à delicada operação de troca de um bocado de dourada com a carne raiada de vermelho por um outro muito branquinho. Serviço é serviço!

Para nós era um almoço mas para o profe Abel Matos e o Safik foi uma aula de Técnica de Serviço de Restauração e Bebidas. Na cozinha, decorria uma aula de Técnicas de Cozinha e Pastelaria, em que os alunos do 3º ano A confeccionaram a refeição, sob a orientação do professor Vasco Alves.

“O objectivo é aprender e treinarem a servir clientes reais”, explica Lídia Serras, a directora da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (EHTL), que escolheu almoçar em casa, no restaurante da escola, que está aberto ao público e onde se pode usufruir de um pequeno banquete (o nosso compreendeu cinco pratos e duas bebidas) a 15 euros por cabeça (dez euros para convidados).

“O tomate liga muito bem com a manga, não acham?”, perguntou Safik depois de servir a sopa fria de tomate com manga e camarão, que antecedeu a dourada e sucedeu aos secretos de porco preto – um saboroso pedacinho dos ditos, em cima de uma tosta de broa de milho barrada com uma mousse de cogumelos com molho vinagrete (“a sua acidez ajuda a equilibrar os sabores”), acompanhada por uma folha de alface carvalho. Estava delicioso!

O tomate liga bem com a manga, da mesma maneira que se revelou muito feliz o casamento do espumante com o sumo de maracujá no aperitivo que abriu o almoço com Lídia, nascida em Água das Casas (aldeia do concelho de Abrantes, que fica na margem da albufeira da barragem de Castelo de Bode) no ano em que Eusébio e os Magriços brilharam no Mundial de Inglaterra.

Filha de agricultores, que também criavam cavalos, Lídia veio para Lisboa estudar Relações Internacionais, no ISCSP, porque “tinha vontade de conhecer mundo”. Começou logo a conhecê-lo no final do curso, em 1990. O primeiro emprego, na área de cooperação internacional da AIP, deu-lhe a conhecer Tanzânia, Gabão, Angola, África do Sul, Moçambique, na preparação e acompanhamento de missões empresariais.

Apaixonou-se por Moçambique, para onde foi viver em 97, dirigindo o programa de formação da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional. Em Maputo apaixonou-se por um holandês, com quem casou e é o pai das suas duas filhas (Hanna, de dez anos, e Miguel, de sete). Trabalhou ainda para Banco Mundial, em África, para a Shell, em Amesterdão, e montou a área de formação do Tribunal Penal Internacional, em Haia. Há três anos, já contente com o mundo que conhecera, regressou a Lisboa e instalou-se com a família numa casa ao pé da praia, em Santo Amaro de Oeiras.

Lídia está orgulhosa das novas e magnificas instalações da EHTL, que ainda cheiram a novo, após as obras de reconversão de um edifício em Campo de Ourique outrora ocupado pela Escola Industrial Machado de Castro, que permitiram a criação de um Hotel de Aplicação (o Hotel da Estrela), concessionado ao grupo Lágrimas, onde os alunos treinam com clientes reais o que aprenderam.

“A nossa taxa de empregabilidade ronda os 90%. Ser chef é uma profissão com glamour”, diz a directora da escola, que este ano lectivo começou a leccionar totalmente em inglês um curso de Gestão e Produção de Cozinha (Culinary Arts).

Relativamente ao episódio da dourada, a coisa tem que se lhe diga. Não fiquem a pensar que foi por distracção que ela veio para a mesa disfarçada de sushi. No final do almoço, o profe Abel Matos esclareceu-nos que a opinião dominante na cozinha é a de que os alimentos devem ser cada vez menos cozinhados, para não perderem qualidades...

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Restaurante da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

Rua Saraiva Carvalho 41, Lisboa

Cocktail de champanhe com maracujá

Casa de Santar (Dão) branco

Secretos de porco preto

Sopa fria de tomate e manga

Dourada com compota de maçã, tomate e cenoura baby

Lombo de porco com molho de cogumelos e cerejas

Pêra bêbada gratinada com crocante de frutos silvestres

2 cafés

Total … 20,00

 

 

Curiosidades

 

 

Certificada internacionalmente pela mais prestigiada escola do mundo (a de Lausanne), a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa tem cerca de 400 alunos nos três cursos que lecciona: Gestão e Produção de Cozinha (que confere o grau de cozinheiros de 1ª), Gestão Hoteleira-Alojamento e Gestão Hoteleira- Alimentação de Bebidas

 

O último seminário diplomático, que reuniu no Palácio das Necessidades 150 representantes de Portugal no estrangeiro, foi servido pelos alunos da EHTL. “Esta ano espero conseguir 30% receitas com aluguer de espaços, venda de cursos, organização de sessões de team bulduing. A sustentabilidade é um valor importante”, explica Lídia, que além de formar profissionais qualificados para um dos sectores mais dinâmicos da economia também está empenhada em dar a conhecer a escola à comunidade

 

Lídia adorou viver em Maputo, onde tinha um casa, na avenida Friedrich Engels, com vistas para o Índico: “Foi a única vez na vida que tive cozinheiro”

António Balha e Melo

Falhar não é uma opção para António Balha e Melo, 56 anos, que há oito anos dirige a Servilusa, que, sem falsas modéstias, considera ser “a melhor empresa de serviço funerário da Europa”.

“Na nossa carta de valores estamos proibidos de falhar. Ninguém morre duas vezes. Qualquer coisa desagradável que possa acontecer durante o serviço ficará para sempre na memória dos familiares”, explica este gestor formado no ISCEF (1976),  que após o primeiro emprego numa auditora (BDO) passou pelos negócios de ferramentas (Wurth), máquinas agrícolas (Galucho), bebidas (Martini Rossi), catering (Catermar) e revistas (Impala) até que, aos 49 anos, aceitou o desafio de um caçador de cabeças (Rafael Mora) para tentar salvar da morte a Servilusa.

Na viragem do século, a calma, paz e sossego que caracterizam o sector funerário foram perturbadas pela febre aquisitiva das duas maiores companhias norte-americanas do sector, que desataram a comprar agências na Península Ibérica.  Foi uma passagem de cometa. Ao cabo de dois anos, venderam a uma companhia espanhola (agora controlada pela 3i, um gigante britânico do capital de risco) o que tinham concentrado.

Assim nasceu a Servilusa, que tinha um ano e estava moribunda quando, impregnado do pragmatismo pombalino (cuidar dos vivos, enterrar os mortos) António tomou conta desta companhia resultante da fusão de 26 agências e dotou-a de identidade e cultura próprias, fazendo o funeral das respectivas marcas (Magno, Barata, Salgado) e tiques.

Oito anos volvidos, sentado à mesa do Sabores do Atlântico, no Parque das Nações (onde ele mora), nota-se que está satisfeito. A Servilusa factura 25 milhões de euros e  lidera um sector cada vez mais fragmentado – nos últimos cinco anos o número de agências cresceu de 986 para 1400.

Em Portugal, morrem anualmente cerca de 100 mil pessoas (óbitos e nascimentos equivalem-se), um número em regressão devido ao aumento da esperança de vida. A Servilusa é líder, com os 5 500 funerais/ano (média de 15 por dia), sobrando uma média de 1,3 funerais/semana para as outras agências, o que pressupõe uma disputa titânica pelos restantes mortos.

Dignidade, respeito e humanismo são o mantra do director geral da Servilusa, que apesar do peculiar sector em que actue acaba de ser eleita a quarta melhor empresa para trabalhar em Portugal. Enquanto comia o cherne, cozinhado no papelote com amêijoas e camarão, que empurrou com água (deixou no copo metade do vinho), António deu as pistas para compreender esta escolha.

António Ramos, o director operacional, começou como motorista e fez o 9º ano nas Novas Oportunidades. Vítor Sebastião, o director dos Recursos Humanos, trabalhava no call center. “Quem entra não sai. O nosso grande valor são as pessoas. Pagamos as propinas a quem anda na universidade – não podem é chumbar”, diz.

A forma como encaramos a morte tem evoluído desde que ele trocou a Nova Gente e a Maria (os navios almirantes do grupo Impala) pelo sector funerário. Para começar os funerais ecológicos, com urnas de madeira, revestidas a verniz aquoso (“com o sintético os bichinhos têm de trabalhar mais para conseguirem entrar, o que atrasa o processo de decomposição”), rendas de pano (e não em nylon), nada de plásticos, tudo materiais biodegradáveis.

A opção pela cremação está a subir de uma forma exponencial. Mais que duplicou em dois anos, passando de 4% para 9% do total nacional (em Lisboa já são mais que 50%), que ainda são o valor mais baixo de toda a Europa, muito longe dos 36% espanhóis.

E há mais pompa nos funerais. O mercado está a acolher bem os novos produtos lançados pela Servilusa, como usar as cinzas para ajudar a crescer uma árvore, que eterniza a presença do ente falecido, ou transformar em diamante de uma madeixa do cabelo do morto. E há a música, um extra que pode ser fornecido. Harpa ou violino durante o velório, ou um coro quando o caixão baixa à terra. “É uma coisa muito linda, com toda gente a chorar”, conclui António Balha e Melo, que, como é cada vez mais corrente, já contratou em vida o serviço funerário que quer (optou por ser cremado).

Jorge Fiel

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Sabores do Atlântico

Rua da Pimenta 47,  Parque das Nações, Lisboa

2 cherne em papelote … 30,00

Água 0,5  l … 1,50

Azeitonas …  2,50

Cesto de pão … 2,00

½ vinho da casa branco … 3,00

1 café … 1,00

1 descafeinado … 1,00

Total … 41,00

 

Curiosidades

 

O protocolo é muito rigoroso. Logo após a recepção da chamada no call center, que funciona 24horas por dia nos sete dias da semana, é mobilizado um dos 36 técnicos comerciais que fardados com de fato cinzento, pin da Servilusa na lapela, camisa branca, gravata verde alface, se desloca ao local do óbito num Ford Focus castanho.  Mostra à família o catálogo que leva no portátil e aconselha nas opções. Assinado o contrato, é logo digitalizado e enviado por email para o coordenador do serviço, que imediatamente  destaca uma assistente, uma rapariga jovem com formação em Humanísticas, vestida com calças e casaco cinzentos, camisa branca e lenço azul, que toma conta da operação até ao seu final

 

Malangatana, Saramago e Ernâni Lopes saíram deste mundo pela mão da Servilusa, que apesar de ser a preferida da elite se orgulha de também oferecer os funerais mais baratos do mercado. Para a Misericórdia faz uns 400 a 500 todos os anos, a um preço especial (270 euros cada). Para o mercado, o mais barato é de 328 euros, com um só transporte (ou seja o morto vai directamente para o cemitério, sem velório). Se for cremado, a despesa pode subir para cerca de 1200 euros. O serviço médio ronda os 3500/4000 euros. Como a Segurança Social contribui com uma verba até 2460 euros, António observa que “na maior parte dos serviços é o morto que paga o funeral”. O mais caro jamais feito pela empresa custou 50 mil euros.

 

“Em média, há um óbito de oito em oito anos em cada família”, conta António. A fidelização da clientela é uma das preocupações da Servilusa, que todos os anos promove missas em memória dos defuntos de cujo serviço funerário se encarregou. Em Lisboa, a missa enche sempre os Jerónimos

 

Teófilo Leite

“O dinheiro deve seguir o doente. Dar ao cidadão o poder de escolher onde quer ser tratado é um exercício de democracia económica, que estimula a eficiência e a qualidade da oferta porque obriga os prestadores a serem competitivos para captar o cliente. Financiar as instituições vicia o sistema”. Quem fala assim é Teófilo Leite, um engenheiro mecânico com uma visão económica do sector da saúde.

Teófilo, que acaba de tomar posse em Berlim como presidente do lóbi europeu dos privados da saúde (União Europeia de Hospitalização Privada -UEHP), tem uma agenda baseada em três princípios: acesso universal, sem qualquer tipo de descriminação (mesmo económica); elevada qualidade (“sem infecções hospitalares e doentes operados ao membro errado”); e sustentabilidade.

Toda a gente sabe que a saúde é cara. Em Portugal já consome mais do que 10% da riqueza nacional e continua a subir. Teófilo estima que se não houver um inflexão, rapidamente atingirá 1/3 do PIB. Para ele o farol é a Holanda, onde a saúde não é financiada pelo Orçamento mas sim pelos seguros de saúde obrigatórios – “tal como acontece cá com o seguro automóvel”.

Com um avô materno que fabricava formas para calçado, um avô paterno que fazia calçado por medida para os seminaristas de Felgueiras, e um pai comerciante de couros e calçados, estava escrito nas estrelas que Teófilo, 62 anos (“Ando nos 63, como se diz em Serzedo, Guimarães, onde nasci”) e seis filhos (a mais velha tem 36, o mais novo tem um), iria parar à indústria dos sapatos.

Nono de uma fornada de onze filhos, fez o secundário no Porto, no Liceu Alexandre Herculano, após o que rumou a Coimbra, onde o curso de Engenharia Mecânica foi interrompido pela Crise Académica de 69, que o atirou para Mafra, na companhia de Alberto Martins, Barros Moura e outros dirigentes estudantis.

Estava na tropa quando casou, em 1971, com uma filha do dono da Campeão Português. Acabou o curso no Porto, no ano seguinte, aproveitando as facilidades concedidas aos militares. O primeiro emprego foi como monitor na FEUP, mas quando passou à peluda foi logo mobilizado pelo sogro para o ajudar a gerir a maior fábrica portuguesa de calçado, que rapidamente pôs a produzir 12 mil sapatos/dia.

Em 1986, andava nos 38 anos, decidiu seguir o seu próprio caminho, deixando a Campeão Português e criando, também em Guimarães, uma empresa industrial, que baptizou ICC Indústria e Comércio de Calçado, especializada em calçado profissional de segurança (fornece o exército holandês, a IBM, Volvo, Mercedes, etc), que factura 15 milhões de euros anos e emprega 150 trabalhadores, que por ocasião do 25ª aniversário da fábrica receberam um seguro de saúde de prenda do patrão.

Foi parar à saúde por causa da conjugação no espaço e no tempo de uma série de acasos em que a vida é fértil. Primeiro foi um jovem médico que ajudara o seu pai nos últimos anos de vida e lhe propôs entrar no projecto que viria a ser a Casa de Saúde de Guimarães. Depois foi obrigado a perceber o sector por dentro durante os quatro anos (94-98) em que apoiou a mulher na sua luta inglória contra um cancro.

“A saúde é um sector estratégico para a nossa economia. Portugal deve ser a Florida da Europa. Temos muitos dias de sol e todas as condições para atrair os reformados do Norte da Europa”, afirma Teófilo, que escolheu almoçarmos no restaurante do Camélia Hotel & Homes, em Guimarães, o seu mais recente investimento, que ainda está a funcionar em regime de soft opening.

Vindo da sua hora de exercício diário no spa desta unidade, Teófilo atacou o bife enquanto manifestava o seu desagrado pela “visão mesquinha e corporativa” dos que querem aplicar à formação de médicos os princípios bolorentos do condicionamento industrial:

“É inadmissível que o país esteja a gastar dinheiro com os universitários que estão a estudar Medicina em Cuba, Espanha e República Checa, e a importar médicos de outros países. As nossas fábricas de saber têm de produzir médicos em quantidade não só para os dez milhões de portugueses mas também para os 30 milhões dos Palop, que vão precisar de cem mil médicos. Saúde é riqueza!”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Camélia Hotel & Homes

EN 105, 787, Covas, Guimarães

Sopa de legumes

Bife com batatas alouradas e esparregado

Água

Vinho verde Gavinha Dourada

Fruta laminada (morango, ananás, laranja,uva)

Nota: O restaurante ainda não está aberto ao público. Como ainda não tem lista, o almoço foi oferecido

 

 

Curiosidades

 

Teófilo lidera um grupo na área da saúde, onde trabalham cerca de 250 médicos espalhados pela Casa de Saúde de Guimarães (30 quartos), Hospital Privado de Guimarães (96 quartos), Clihotel de Gaia (96 quartos), clínicas em Vizela, Urgezes, Pevidém e Taipas, a que acaba de juntar o Camélia Hotel & Homes (62 quartos)

 

Pensado inicialmente para acolher seniores, nacionais (calcula-se que 1/3 dos portugueses terão, em 2050, mais de 65 anos) e estrangeiros, o Camélia Hotel & Homes corrigiu o seu alvo e vai também funcionar como um hotel de saúde e aproveitar o facto de Guimarães ir ser, em 2012, Capital Europeia da Cultura, para captar turistas

 

O sector público continua a ser maioritário na saúde em Portugal, com um volume de negócios anual de cerca de seis mil milhões de euros, contra mil milhões dos privados. Teófilo chama a atenção para os 25% de desperdício na saúde pública, apontados pelo Tribunal de Contas, e defende que os privados devem subir a sua quota de mercado até 50%: “Já não há a desculpa de que os privados só são melhores em hotelaria e os casos difíceis têm de ir para o público. Neste momento, os equipamentos mais avançados estão nos privados”

Vasco Falcão

Assim como quem não quer a coisa, a fotocopiadora saiu do canto do escritório onde estava arrumada. Além de duplicar documentos, passou também a digitalizá-los e a imprimir os ficheiros que lhe enviamos do nosso computador. Deixou de estar isolada e passou a estar integrada em rede num local bem central dos sistemas de informação das empresas. Está tão inteligente e útil que tem memória, não se limita à passividade de receber documentos (também os expede ou classifica e organiza, é questão de nós querermos) e pode estar equipada com teclado e ecrã. A fotocopiadora, cuja manutenção estava a cargo das secretárias, emigrou para o domínio dos informáticos -  e ficou tão esperta que foi rebaptizada, passando a responder pelo nome de multifuncional.

Os multifuncionais são o negócio de Vasco Falcão, 35 anos, director geral da Konica Minolta Portugal, eleita em 2010 a melhor subsidiária europeia da multinacional japonesa que em 2004 vendeu à Sony a tecnologia da área de equipamentos fotográficos para se concentrar nos sistemas de informação.

Os 20 milhões de euros que a Konica Minolta Portugal facturou no ano passado, dividem-se, em partes iguais, entre venda de equipamentos e de serviços, mas a tendência vai no sentido desta última parcela ir ganhando um peso cada vez maior.”Queremos criar valor para os nossos clientes. Ajudá-los a ser mais eficientes e optimizar o seu parque de equipamentos”, diz Vasco, acrescentando que a tendência vai no sentido da sua empresa passar fazer a assistência e manutenção não só dos multifuncionais mas também do conjunto dos sistemas de informação dos clientes.

“Ao fim de uma semana, propomos uma solução que baixa em 30% os custos”, garante Vasco, para demonstrar que o know how é tão importante como a qualidade dos equipamentos. “Há quem tenha um Mini e precise de um Ferrari. E quem tenha um Ferrari e precise apenas de um Mini. Adequando os equipamentos às necessidades e racionalizando o seu uso, conseguem-se enormes poupanças”, diz este gestor, que nasceu em Castelo Branco mas cresceu e estudou, até aos 17 anos, no Entroncamento, pois o seu pai, sargento paraquedista, foi colocado em Tancos.

A série televisiva Quem Sai aos Seus, em que Michael J.Fox faz o papel de Alex P. Keaton, um jovem ambicioso que adora dinheiro, influenciou-o a escolher Gestão. “Sempre me senti atraído pelo dinheiro”, confessa, acrescentando que esta Tio Patinhas foi decisiva na opção da Arthur Andersen (“Uma grande escola, uma faculdade com prática”) para seu primeiro emprego. “Sempre fui muito ambicioso. Não gosto de estar parado”, explica e a vida dele está aí que não o deixa mentir. Após cinco anos como consultor, um head hunter levou-o para director financeiro da Minolta e, quatro anos volvidos, já era director geral, comandando 170 pessoas, apesar de ainda não ter idade para se candidatar a PR.

Comer e beber não é o forte de Vasco, que normalmente almoça a correr num self service, em frente à sede da Konica-Minolta no Prior Velho. “Não acredito em negócios à mesa. Não sou um bom garfo”, diz. Empurrou com água as tranches de pescada e deixou ficar mais de metade do sorvete de limão, no Água e Sal, que escolheu por simbolizar a resistência em condições adversas – o restaurante é uma ilha no meio do grande estaleiro de obras de ampliação do Oceanário.

“São sobreviventes como nós, que num ano em que o mercado caiu 15%, conseguimos crescer”, afirma, com orgulho, Vasco que passou o almoço a contar as habilidades dos novos multinacionais da sua marca. Sabia que estão programados para não duplicarem notas? Sabia que é possível atribuir a cada trabalhador um tecto mensal de impressões e cópias (a preto e branco e a cores)? Sabia que o multifuncional pode identificá-lo, digitando um código, lendo o seu cartão de identificação ou a impressão digital? Sabia que pode impedir que um documento possa ser impresso ou duplicado? Sabia que cada cópia ou print leva uma marca de água e a Konica Minolta pode identificar a máquina onde foi impressa? Chegados a esta altura, concordará comigo. As velhas fotocopiadoras estão cada vez mais espertas.

Jorge Fiel

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Água e Sal

Esplanada D. Carlos I, Oceanário de Lisboa

2 couvert … 2,50

Olho de bife com batatas à provençal … 13,00

Verduras assadas … 4,25

Tranches de pescada com creme de espargos e amêndoas gratinadas com migas de ervas frescas e parmesão … 14,00

Água 1 litro … 2,00

2 copos tinto Quinta Farizoa … 5,00

Sorvete de limão com frutos exóticos … 4,75

2 cafés … 2,00

Total… 47,50 euros

 

Curiosidades

 

Vasco casou com a Minolta a 20 de Maio de 2003 e três dias depois com a sua mulher (uma médica, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, que já lhe deu duas filhas, de cinco e três anos). Quando voltou da lua de mel, no México, a Minolta tinha-se fundido com a Konica e a a sua primeira tarefa foi regista o novo nome da empresa:  Konica Minolta Business Solutions Portugal

 

A quantidade de documentos impressos no nosso país está estável mas apenas devido à crise, já que, de acordo com Vasco Falcão, tem tendência para crescer: “Quanto mais informação é distribuída e está a circular, mais será impressa”. A tendência vai no sentido de o número de impressões ser cada mais maior que o de cópias”  

 

Vasco atribui ao marketing de uma loja, que ficava em frente ao Centro Cultural do Entroncamento, a origem da expressão fenómenos do Entroncamento. “Lembro-me de passar por essa pequena loja e ela ter sempre na montra abóboras gigantes e outras anormalidades deste tipo, que os agricultores da Golegã lhe faziam chegar e eram usadas como chamariz”  

Luciano Vilhena Pereira

Luciano, com dois anos, no meio das vinhas da quinta do pai em Chaves

 

As nuvens da crise não mancham o céu do Douro, que brilha tão azul que até parece acabado de lavar. Em 2010, pela primeira vez neste século desgraçado, as vendas do Porto aumentaram. E o Douro continua a deixar os críticos de boca aberta, como é demonstrado pela dúzia de vinhos da região que constam da lista dos 100 melhores do ano divulgada pela Wine Spectator..

“O Douro tem melhores condições que Bordéus”, declara, definitivo, Luciano Vilhena Pereira, 64 anos, que  há pouco mais de dois anos preside ao Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), o que equivale a dizer que é o guardião da mais antiga região vinícola demarcada e regulamentada do Mundo e o responsável pela promoção dos vinhos nos mercados internacionais, onde luta com armas desiguais. “Eu tenho 2,5 milhões de euros para a promoção. Bordéus tem 40”, refere.

Luciano sabe do que fala. Nascido em Chaves, mais velho de quatro filhos de uma família de agricultores, que tinham vinho, batatas, cereais, cortiça e algum gado, cresceu no meio das vinhas. E, desde 1999, produz vinho do Douro na quinta da mulher, em Freixo de Espada a Cinta.

“Temos os custos de produção mais caros do Mundo. Há dificuldade em encontrar mão de obra e as características do vale do Douro não favorecem a mecanização. Em regiões como o Alentejo, Napa Valley ou a Argentina, as grandes extensões de vinha permitem-lhes podar com tractor, adubar com tractor, vindimar com tractor”, descreve Luciano, um advogado que iniciou a sua intervenção política ainda estudante de Coimbra, antes do 25 de Abril, e depois foi vice-governador do Porto, presidiu ao Ateneu Comercial do Porto durante uma dúzia de anos e liderou a Comissão Inter-profissional da Região do Douro.

O reverso da medalha dos altíssimos custos de produção são um clima e solos únicos no Mundo e é disso que o Douro está a tirar partido.”Temos vinhos fabulosos, com personalidade própria, diferentes de todos os outros. A nossa aposta é na qualidade, para podermos pedir preço, pois o Douro faz parte do lote restrito de regiões onde se fazem os melhores vinhos do Mundo, ao lado de Bordéus, Borgonha, Rioja e de algumas de Itália, como a Toscana que tem o Brunello de Montalcino”, garante Luciano, que escolheu almoçarmos na Grade, um pequeno restaurante da Ribeira que dista a não mais de 500 metros (a subir no regresso …) da sede do IVDP.

À nossa chegada, a mesa já estava posta com um data de petiscos, sardinhas de escabeche, bolinhos de bacalhau, polvo em molho verde, bola de carne, presunto, que por si só chegavam e sobravam. Apesar disso, cometemos a imprudência de encomendar um polvo à lagareiro que estava divino, o que só agravou o pecado de termos deixado ficar quase metade da travessa.

Como Luciano é freguês da Grade, o sr Ferreira - que em parceria com a sua mulher (D. Helena) gere o restaurante – sugeriu que acompanhássemos a refeição com um Vale de Rotais de 2006, o vinho que o presidente do IVDP produz em Freixo de Espada a Cinta.

Sugestão acertadíssima, que permitiu apreciar ainda melhor as estatísticas sobre o excelente desempenho do sector no ano passado, com as vendas dos Douro DOC a situarem-se na casa dos 40 milhões de euros e as de Porto nos 370 milhões de euros. “64% do total dos vinhos que exportamos são do Porto”, precisa Luciano, que desfilou com orgulho durante o almoço a estatísticas, que vistas de qualquer lado, atestam o bom momento do vinho do Porto: subida do preço médio (3%), das exportações (5,2%), do mercado interno (5%) e das categorias especiais (18%).

Luciano é um apreciador de tawnies velhos (de 20 anos para cima). No final do almoço, subimos até à sede do IVDP -  um instituto financiado pelo sector, onde trabalham 170 pessoas, instaladas num palacete novecentista, do outro lado da rua do Palácio da Bolsa -, onde, refastelados em sentados em sofás de couro antigo, apreciamos um delicioso tawnie da garrafeira do instituto. “Como envelheceu no Douro, e não aqui nas caves de Gaia, apanhou mais calor, mais variação térmica. É mais forte. Menos lotado. Mais próximo da colheita”, legendou o nosso convidado.

Jorge Fiel

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Grade

Rua de S. Nicolau 9, Porto

Entradas  … 10,00

Polvo à lagareiro…  30,00

Vale de Rotais 06 … 25,00

Café … 2,00

Total … 67,00 euros

 

Curiosidades

 

O vinho produzido  em Chaves pelo pai de Luciano ganhou um Prémio da Junta Nacional de Vinhos. Ele cresceu no meio das vinhas, como o demonstra esta fotografia quando tenha dois anos, que é uma das mais antigas do seu álbum familiar

 

É a partir de uvas de duas vinhas velhas (um com 90 anos e outra com 50) da quinta da sua mulher, em Freixo de Espada a Cinta, que produz os seus vinhos, o Vale de Rotais (uma produção de 3000 garrafas, comercializadas a 18 euros cada)  e o Bardo (sete mil garrafas, 6,5 euros), que distribui por restaurante, garrafeiras e amigos . “Não dá para viver, mas ganha-se algum”, diz 

 

Luciano estava sentado atrás de Alberto Martins, quando o então dirigente da AAC, no momento mais emblemático da Crise Académica de 69, se ergueu no Anfiteatro das Matemáticas e pediu a palavra a Américo Tomás. Um coronel ainda tentou impedir Alberto de falar, mas Luciano pôs-lhe a mão no ombro, sentou-o e confundiu-o ao dizer-lhe enigmaticamente: “Está tudo sob controlo”

 

Tiago Queiroga

 

A secretária de Greg Carr telefonou-lhe. O multimilionário norte-americano, que está a financiar a recuperação do Parque da Gorongosa, ia fazer uma escala no Porto. Será que ele poderia indicar-lhe um imóvel na cidade susceptível de lhe interessar comprar?

O partner e director executivo da Sotheby’s Realty Portugal pôs-se em campo e enviou para o outro lado do Atlântico imagens e informações detalhadas de uma penthouse requintadamente recuperada num prédio da av. Boavista, no valor de um milhão de euros. A resposta veio carregada de ironia. Se o melhor que ele tinha para oferecer era aquilo, Mr Carr pernoitaria num hotel – e se gostasse dele até o poderia comprar… Tiago contrapropôs um palacete de seis milhões de euros, na zona da av. Boavista em que já se sente a maresia. “Sim, é uma coisa desse estilo que Mr Carr quer”, aprovou a secretária.

“Muitos dos nossos clientes mantêm casas em diferentes pontos do globo”, explica Tiago, que após concluir o curso de Gestão no ISEG, fez escalas na banca (analista financeiro no BFE), informática (Ensitel) e vestuário de alta gama e luxo (geriu as 80 lojas de marcas como a Burberrys, Timberland, Tods, Furla, Sebago, do grupo Brodheim) antes de 2007 deitar âncora no imobiliário de luxo.

Tiago escolheu almoçarmos no Rio’s, com vista para a Marina de Oeiras e a meio caminho entre dois (Estoril e CCB) dos quatro escritórios da Sotheby’s Realty Os outros são no Ritz Lisboa e em Vilamoura. A rede vai ser acrescentada com um segundo escritório no Algarve (Carvoeiro) e outro no Porto.

Ele estava inclinado para a asa de raia mas mudou de ideias quando reparou que o havia rucola no arroz de vieiras. Ele adora rucola. E foi-nos iniciando nos pequenos segredos da imobiliária de luxo enquanto fazíamos a refeição que sepultou com um prato de fruta laminada (morango, ananás, amoras e kiwi) e um descafeinado.

No princípio foi um bocado complicado. O subprime já era tema de conversa na festa da inauguração da actividade, realizada em Outubro de 2007, na embaixada americana em Lisboa, tendo como anfitrião o embaixador Hoffman que a Wikileaks viria a celebrizar.  

“Uma loja de roupa, é muito fácil encher as prateleiras. No imobiliário andamos entre seis meses a um ano a angariar produtos”, explica, acrescentando que o preço (elevado) não é critério para a Sotheby’s. Uma vista fantástica, uma localização privilegiada, ser uma casa com história ou de arquitecto são factores que contam. “ Um T1 no Estoril, com uma vista fantástica, que custa 400 mil euros, pode interessar-nos. Um prédio de dois milhões de euros na Amadora já não nos interessa”, diz.

Quando foi para o mercado, estava a Lehman a ir à falência, o que não facilitou a partida mas não o impediu de prosperar. “Não vejo ameaças. Só vejo oportunidades. O que é preciso é estar atento e trabalhar”, explica Tiago que vive num apartamento em Algés, e se pudesse ir viver para um dos 1600 imóveis da sua carteira (só a Sotheby’s USA tem mais) escolhia uma casa de 500 m2 na Costa da Caparica, com 5000 m2 de terreno, com uma vista deslumbrante do estuário do Tejo (preço: seis milhões de euros).

No segmento em que a Sotheby’s trabalha, o “asking price” (preço pedido) não caiu. Mas ele reconhece que há uma maior elasticidade na negociação. “O poder está do lado dos compradores”, afirma, pelo que se eles fazem ofertas 20% ou 30% abaixo, compete ao mediador convencer o vendedor a baixar o preço

Para já, a Sotheby’s Realty Portugal tem conseguido duplicar o negócio todos os anos. Em 2010, as vendas foram 110% acima das de 2009. E para este ano o crescimento previsto é de 133%. “Ainda estamos na volta de aquecimento”, afirma Tiago para entusiasmar a equipa de 50 pessoas, das quais 35 comerciais, cada um com uma área a seu cargo (Birre, Monte Estoril, Chiado, Príncipe Real, etc), onde têm de saber tudo quanto se passa, frequentando cafés, cabeleireiros e lojas, de maneira a saberem quem se está a divorciar, a quanto está a ser transaccionado o m2, etc, etc. A recompensa deste trabalho de espionagem é boa. Em 2010, os vendedores de top levaram para casa 70 mil euros em comissões…

Jorge Fiel

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Rio’s

Complexo Turístico da Piscina Oceânica de Oeiras

2 couvert … 2,00

1 Risotto de vieiras com rucola estufada e óleo de trufa … 19,50

1 Polvo confitado em azeite perfumado de alecrim … 17,75

1 Água sem gás 0,75 … 3,10

1 Quina Cabriz branco… 14,00

1 prato fruta laminada … 7,00

1 café … 1,60

1 descafeínado … 1,60

Total.. 66,55

 

 

Curiosidades

 

A Sotheby’s nasceu em Londres em 1744, começando por leiloar livros, que à época eram objectos raros. Um dos seus mais famosos leilões foi o da biblioteca que Napoleão leu durante o seu exílio na ilha de Santa Helena. Em 1976 iniciou-se no imobiliário, numa lógica de cross selling. “Os clientes entregavam a sua colecção de arte para leilão e começaram a perguntar, já agora não querem também vender o palácio?”, explica Tiago.

 

O ramo do negócio imobiliário autonomizou em 2004, contando neste momento com cerca de 1500 escritórios espalhados pelo Mundo

Uma boa parte dos clientes da Sotheby’s Realty Portugal são estrangeiros (a maioria no Algarve e quase metade em Lisboa), o que até se compreende. “Com 300 dias de sol e luz natural somos um destino apetecível para um estrangeiro”, diz Tiago, acrescentando que Chiado e Príncipe Real são as duas zonas com mais procura no centro de Lisboa. A comissão cobrada pela Sotheby’s (6%) é superior à média do mercado (5%  das grandes redes mediadores e 3% das tradicionais) o que ele justifica pelo serviço personalizado que presta. “Vamos buscar o cliente ao aeroporto, levamo-lo a jantar fora, resolvemos-lhe todos os problemas relacionados com a sua instalação – água, electricidade, etc. ainda recentemente tratamos da inscrição do Liceu Francês dos cinco filhos de um cliente francês”, conta

 

Erich Brodheim, o judeu austríaco que se refugiou em Portugal e fundou o grupo Brodheim (onde Tiago trabalhou durante oito anos), foi o responsável pela introdução no nosso país do fecho eclair

Vicente Termote

Se o director geral ibérico da Nespresso vai almoçar contigo e trás na mão um quilo de arroz para te oferecer é porque leva na cabeça uma mensagem para fazer passar. O saco de arroz extra longo carolino branqueado é igual a um dos sete mil oferecidos ao Banco Alimentar contra a Fome e é parte integrante do ramo de oliveira estendido aos ecologistas, em resposta às acusações sobre o impacto ambiental das cápsulas coloridas, após terem sido usadas para fazermos em casa um bom café expresso.

A Nestlé não correu o erro de fazer ouvidos de mercador à crítica dos ambientalistas e começou a montar operações de recolha das cápsulas, para reciclagem, acalmando a consciência sustentável dos consumidores e a fazendo baixar o volume de som dos protestos ecologistas.

Vicent Termote, o belga de 47 anos que dirige a operação ibérica da Nespresso, conseguiu ir mais longe no compromisso com a sustentabilidade, talvez devido à sua formação académica (licenciou-se em Agronomia, em 1986, em Louvaine),  ao operar o suave milagre de transformar em arroz as cápsulas velhas. Bem, a rainha Santa Isabel pode ficar sossegada, pois este resumo é um pouco exagerado.

A operação consiste em recolher as cápsulas, separar o alumínio (que será refundido) das borras de café, que são uma excelente matéria prima para adubo, usado na produção de arroz na herdade ribatejana do Monte das Figueiras.

“A borra de café é um acelerador do processo de compostagem”, explica Vicent, que se escolheu Agronomia a pensar alistar-se no exército da FAO e ir combater a fome em África: “Sempre fui um idealista e romântico, que gosta de flores e ajudar os necessitados”.

Para convencer os consumidores a entregarem as cápsulas para reciclagem, a Nespresso compromete-se a dar 1,5 kg de arroz ao Banco Alimentar contra a Fome por cada 100 cápsulas recolhidas. No ano 2 desta operação, foram oferecidas sete toneladas de arroz, o que dá para 140 mil refeições. O objectivo é chegar às 50 toneladas, ou seja um milhão de refeições.

Ao almoço nem passamos fome nem comemos arroz. Deixamos a escolha ao cuidado do Miguel Reino, que no ano passado deslocalizou o Aqui há Peixe da Comporta para o coração do Chiado. O irmão do não menos célebre Gigi começou por nos trazer umas deliciosas Amêijoas à Bolhão Pato, seguidas de um esplêndido pregado (que suscitou a velha questão de apurar se trata de um primo do rodovalho ou tão só uma diferente denominação do mesmo peixe), tudo acompanhado por um Dona Maria 2009.

“Os meus colegas suíços, habituados a comer aqueles peixes do lago Leman que não sabem a nada, ficam doidos quando os trago aqui”, confidenciou-nos Vicent, que se expressa num perfeito português aprendido no Brasil, uma das escalas de uma vida quase tão aventurosa como a do mais famoso dos seus compatriotas (o repórter Tintin): começou na IBM, na Califórnia, passou pelo marketing da Exxon Chemical (“a petroquímica é uma indústria pouco sexy”) até que, quase por acaso, quando, em 1997, estava de férias em S. Paulo e “andava como um peixe à procura do seu aquário”,  tropeçou numa oferta de emprego (da companhia de cosméticos Natura) e numa brasileira, com sangue italiano e americano a correr-lhes nas veias, que lhe viria a dar um filho no ano 2000.

Foi o filho (não queria que ele crescesse no meio da insegurança brasileira), que em 2003 o trouxe de volta para a Europa. Sente-se feliz a voar entre Lisboa (onde tem casa, comprada, no Príncipe Real), Madrid e Barcelona (onde tem casa alugada), a comer bom peixe enquanto dirige a bem sucedida operação ibérica da Nespresso (Portugal é o 8º maior consumidor).

 “Só 1% do café produzido em todo o Mundo corresponde aos nossos requisitos de qualidade. Isso a ajuda a explicar o sucesso. O português é um enólogo do café. Um verdadeiro apreciador como só encontramos em Itália e numa parte da Hungria”, afirma Vicent, que se desembrulha da vida agitada que leva com a ajuda dos cinco cafés que toma durante o dia (o Roma e o Indrya são os seus preferidos); à noite só toma o descafeinado intenso que, elogia, “tem o corpo e alma de café”.

Jorge Fiel

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Aqui há Peixe

Rua da Trindade 18 A, Lisboa

Couvert … 5,00

Grissini…  1,50

Ameijoas à Bulhão Pato … 19,00

Pregado … 40,00

Água com gás … 1,50

Dona Maria 2009 … 17,00

2 cafés … 2,50

Total … 86,50 euros

 

Curiosidades

 

George Clooney foi escolhido para cara da Nespresso na sequência de um complexo processo de selecção de uma figura internacionalmente conhecida pessoa que representasse os valores e a atitude da marca. Monica Belucci fez parte da short list final, mas acabou por ser preterida devido ao elevado índice de rejeição que despertou junto da componente feminina dos focus group

 

O Ristretto (cápsula preto) é o café Nespresso preferido dos portugueses, seguido do Roma (cinzento) e o descafeinado intenso (vermelho escuro). A venda reparte-se, em partes iguais de 40%, pelas oito lojas e a Internet, sendo que 20% das encomendas são feitas pelo telefone  

 

Todas as chávenas Nespresso existentes no Mundo são produzidas em Portugal pela Vista Alegre, a companhia vencedora de um concurso internacional

 

Joana Moura e Castro

O NorteShopping tem uma árvore de Natal. À partida não é uma ideia muito original, pois nesta altura do ano todos os centros comerciais têm uma. A diferença é que a do NorteShopping nem sempre está iluminada. As luzes estão apagadas e são os visitantes do centro que as podem acender, produzindo a energia necessária ao pedalarem nas bicicletas dispostas em círculo à volta do pinheiro.

“Dantes, no Natal, ligava-se apenas ao aspecto lúdico. Agora, temos também a preocupação da responsabilidade social. E a árvore de Natal sustentável alia essas duas vertentes. Crianças e adultos divertem-se a pedalar para acender as iluminações, fazem exercício e ficam sensibilizadas para a questão da eficiência energética”, explica Joana Moura e Castro, 37 anos, Marketing Manager Portugal da Sonae Sierra, acrescentando que esta iniciativa é acompanhada de acções, feitas com a Quercus, para evangelizar os visitantes do NorteShopping a baixarem o consumo de energia.

Joana foi buscar a Copenhaga esta ideia da árvore de Natal sustentável. “O Natal de 2010 começa a ser planeado no Natal de 2009. Todos os anos é assim”, avisa esta licenciada em Relações Internacionais, que após um ano no departamento de comunicação do Instituto do Vinho do Porto se mudou para a Sonae Sierra, onde está há 12 anos – começou a carreira no MaiaShopping, passando pelo Via Catarina e GaiaShopping até desembarcar na estrutura central, em cujo vértice está, sendo a principal responsável pelo marketing dos 22 centros comerciais (com 2924 lojas) espalhados pelo país.

Há coisa de um ano, Joana andava a viajar pela Europa, de olhos bem abertos, bloco de notas em punho, a máquina fotográfica na carteira (pronta a ser usada para registar um detalhe), à cata de ideias. “Temos de ver o que os outros fazem para copiar o que corre bem e para não fazermos o que corre mal”, diz, traduzindo para português corrente a expressão “trabalho exaustivo de benchmark”. 

Esteve na Puerta del Sol (Madrid) e nas Galerias Lafayette (Paris). Espreitou o ambiente natalício no Mónaco. Mas a ideia inspiradora foi encontrá-la no Reino da Dinamarca, onde descobriu uma árvore de Natal gigante iluminada pelo esforço de ciclistas (todos sabemos que os dinamarqueses são doidos por bicicletas) no meio da Radhuspladsen, a enorme praça em frente à Câmara de Copenhaga, ladeada pelas estátuas de Hans Christian Andersen e de uns trompeteiros, cujas trompas nunca se fizeram ouvir nunca se ouviram (reza a lenda que só soarão quando passar por eles uma virgem…)

O coração da Sonae Sierra bate na Maia, mas Joana escolheu almoçarmos no Pasta Caffé do NorteShopping (o centro comercial que usa para fazer as compras, pois vive relativamente perto), em Matosinhos, para podermos apreciar a árvore de Natal. Apenas molhou os lábios no copo de tinto italiano (mas bebeu a água toda) e deixou no prato quase metade da pizza La Regina (molho de tomate, queijo mozarella, bacon, cogumelos, tomate fresco, queijo extra e orégãos), apesar de garantir que estava boa – a causa provável é o efeito conjugado das preocupações com a linha e o não ter podido comer sossegada pois eu estava sempre a fazer-lhe perguntas.

“No Natal, queremos ver nos espaços públicos o que temos em casa, a árvore de Natal, as bolas, estrelas, iluminações, o presépio e o azevinho. O Natal não pode ser futurista. Tem de ser tradicional. As pessoas querem ver o que lhes faça lembrar a infância e reviver esses momentos despreocupados. Esta é a grande conclusão de todos os estudos que fazemos para podermos proporcionar momentos memoráveis aos nossos clientes e visitantes”, afirma Joana, que no Natal de 2008 andou em missão de espionagem nos Estados Unidos (“Nova Iorque é uma inspiração”, comenta), averiguando o que andavam a fazer trend setters como o Saks, o Macy’s e o Rockefeller Center.

Resumindo e baralhando. No Natal a tradição continua a ser o que era e as pessoas não embarcam em modernices. Na consoada, não vamos comer sushi, mas sim um posta enorme posta de bacalhau cozido, regada generosamente com azeite e acompanhada por couves, batatas, ovo, cebola e cenoura. Mais nada!

Jorge Fiel

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Pasta Caffé

NorteShopping, Matosinhos

Água com gás … 1,30

Àgua sem gás… 1,20

Azeitonas com feta … 1,25

Pizza la Regina … 7,50

Pizza Calzone … 7,50

2 copos Sangiovese tinto … 4,20

2 cafés … 1,70

Total … 24,65 euros

 

Curiosidades

 

A Sonae Sierra é uma multinacional de origem portuguesa que tem 51 centros comerciais em Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Grécia, Roménia e Brasil, com uma área total de dois milhões de metros quadrados, que em 2009 foram visitados por 436 milhões de pessoas

 

“Não é bom deixar para a última hora as compras de Natal”, reconhece Joana, depois de ter confessado que ainda não tinha (o almoço foi na 3ª feira) começado a fazer as suas… Mas já sabe o que vai comprar para os filhos. O Diogo, quatro anos, vai receber um veleiro ou um cargueiro (ele é doido por barcos) enquanto a Maria, um ano, será contemplada com um brinquedo didáctico que “a faça sentir especial neste Natal” (palavras da mãe)

 

O grupo Sonae acumula os títulos de maior empregador português nas categorias absoluta e de Pais Natais. Neste momento tem largas dezenas de Pais Natais sob contrato, para animar a criançada nos seus centros comerciais. “O recrutamento de Pais Natais é de uma enorme responsabilidade. Têm de ser pessoas que gostem de crianças e saibam lidar com elas”, conta Joana, acrescentando que apesar de ninguém estar à espera de um Pai Natal anoréctico, quando aparece um candidato bom mas magrinho a coisa resolve-se com umas almofadas

 

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