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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Ser anjo da Guarda ,sem ser anjinho...

 

 

 

 

 Para aqueles , apesar de tudo poucos , que se queixam que só defendo o Porto e que não penso no resto do país , porque gostaria que o Porto pudesse ser uma outra Lisboa ,  tenho hoje uma notícia que não é animadora.

 

Na companhia de mais onze portugueses de proveniências várias  , tive ontem o grato prazer ( e na verdade a honra ) de assinar um compromisso pela Cidade da Guarda em que todos fomos investidos pelo seu Presidente de Câmara  como embaixadores da Guarda , prometendo colaborar activamente na promoção da região em parceria com os agentes e instituições locais.

 

Descontando o meu potencial contributo pessoal que será o melhor que eu puder , mas sempre menor do que o das altas individualidades que me acompanham nesta nobre missão  , este é o tipo de iniciativas porque me pelo.

 

Uma cidade e uma região que distam da capital praticamente o mesmo que o Porto , mas já são parte integrante da Região Centro e têm  as mesmas , ou ainda mais razões de queixa de um poder excessivamente concentrado na capital , são tudo o que me apetece defender e ajudar , nem que para isso seja preciso fazer , como fiz  , uma directa ,  para não faltar ao compromisso assumido.

 

Como disse e muito bem um dos directores do Clube Escape Livre , da Rádio Altitude ,  cujos 35 anos de emissões propiciaram esta ida à Guarda, ser anjo da Guarda é muito diferente de ser anjinho. Trata-se de  aproveitar as oportunidades para maximizar a promoção de uma Região que apesar  de ser  a mais alta do país continua a ser olhada de alto pelos senhores da capital.

 

No fundo pede-se a estes novos embaixadores da região da Guarda que nos seus terrenos pessoais e profissionais sigam o exemplo do Luis Celínio  ,  do Jorge Antunes e da sua equipa do Escape Livre que , estejam onde estiverem , defendem o bom nome da Guarda , dos seus produtos e das sua gentes , das suas empresas e das suas potencialidades turísticas , porque se não forem eles a fazê-lo , ninguém o fará por eles.

 

 

Como de resto acontece com toda a paisagem que é o resto do país que não é Lisboa....

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Posto avançado da Guarda

 

Manuel Serrão

 

 

EXPO 98 - Dez anos depois a estória dos paquetes continua por contar

 

 

 

Passam este ano 10 anos sobre aquela grande operação de promoção de Portugal no mundo, como rezava a publicidade oficial , mas que 10 anos depois só se consegue explicar como a grande mais valia que trouxe à capital do império.

 

Dez anos é muito tempo como cantava o Paulo de Carvalho e o que vemos hoje como grandes reflexos dessa operação em que o país investiu milhões de contos dos antigos são só vantagens para a nossa querida capital.

 

Dez anos depois Lisboa passou a ter um fluxo de turistas como nunca tinha tido antes da EXPO  e graças a ela conseguiu recuperar em tempo recorde e com custos impensáveis uma enorme zona degradada que é hoje uma das suas partes mais requisitadas e valorizadas para comprar habitação ou escritório.

 

Dez anos depois Lisboa tem hoje fama de ser uma das cidades da Europa que melhor combina tradição com modernidade numa operação relâmpago que resultou de um esforço nacional que se pode aplaudir , mas que ninguém nunca agradeceu.

 

Dez anos depois continua sem se perceber muito bem como acabou a estória dos paquetes que foram alugados para uns milhares de clientes que nunca por cá apareceram , nem se sabe muito bem o que aconteceu aos responsáveis pela graça. Muito menos se sabe onde páram os responsáveis pelos responsáveis dessa tramóia que lesou os cofres do Estado em milhões.

 

Por falar em obras e em dez anos o que é que seria se as intermináveis obras do túnel do Terreiro do Paço ( que são daquelas que continuam , mesmo depois de acabadas..)  em vez de serem à beira Tejo , fossem noutro qualquer terreiro deste nosso belo país à beira mar plantado ?

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Margem do Douro

 

Manuel Serrão

 

António Costa resolve!...

 

 

O assunto terá passado "ao lado" da esmagadora maioria das pessoas, mas tem um grande alcance em diversas comunidades e regiões do país.

Desde há muitos anos que os municípios "vizinhos" das infra-estruturas portuárias lutavam contra a lei de excepção que os privava de terem jurisdição nas praias e zonas marítimas e fluviais.

Essa Lei, verdadeiramente leonina, remontava ao tempo em que o actual Presidente da República, Cavaco Silva, era Primeiro Ministro.

Os casos mais flagrantes registavam-se nas zonas envolventes aos portos de Lisboa e Leixões.

Neste caso - Porto de Leixões - a área de influência estendia-se pelo Rio Douro acima e até Leça da Palmeira.

Na campanha eleitoral que o levou à Presidência da Câmara de Lisboa, António Costa várias vezes denunciou esta arbitrariedade que permitia às administrações portuárias fazerem o que entendessem dentro do seu território e "ditarem leis" nas zonas envolventes.

Eram assim como umas ilhas dentro das cidades...

A lei mudou e bem.

Mudou agora, só agora, porque o problema se levantou em Lisboa.

É bom que António Costa, que sempre "circulou" pelos corredores do Poder Central, tenha optado por gerir uma autarquia local.

Vai começar a perceber estes problemas que até aqui eram dos outros.

Dos autarcas.

Anos e anos a fio a denunciar esta situação, "incidentes" com Ministros e Secretários de Estado da tutela e...nada!

Nunca ninguém percebeu. Nunca ninguém ligou.

Até agora.

Foi bom que o problema tenha afectado Lisboa, foi excelente que António Costa tenha dado conta do absurdo, foi essencial que o Presidente da Câmara tenha percebido que uma das "franjas" mais nobres da sua cidade lhe escapava, para que o problema tenha sido resolvido.

Grupo de criativos nacionais queixa-se da macrocefalia lisboeta

 

 

O ano de 2008 começou como acabaram os anos anteriores - um pouco por todo o país os portugueses queixam-se do centralismo que transforma Portugal numa nação a duas velocidades.

Recebi uma carta de um grupo de jovens criativos com provas dadas em trabalhos para meios tão diversos como a Rádio Universidade de Coimbra e a Antena 3 , revista 365 , pftv e para empresas e instituições de renome como a EURO RSCG e o  TEUC que entendi dever reproduzir no Bússola.

Entre outras coisas para que os bussolistas sintam ou confirmem que o que por cá tem vindo a ser dito está a ganhar foros de dimensão nacionall. O grupo de criativos que assina a carta ( e que eu só não identifico porque não lhes pedi e seria por isso um abuso...) tem gente de Coimbra , Leiria , Guimarães, Constância e Porto

 

Aqui vai .

 

"Somos um grupo (oficioso) de jovens e guionistas que partilha, todo ele, do mesmo sentimento de indignação: parece-nos inusitado e até prepotente que a grande maioria da produção audiovisual seja oriunda de Lisboa. Não por ser natural que assim seja, mas antes porque TEM QUE SER. Começa as ser geralmente aceite que para se fazer alguma coisa com projecção nacional se tenha necessariamente de ir para a capital, onde os nativos “fazem o favor” de nos receber como se fossemos QUASE um deles.


Lisboa assemelha-se hoje, pelo menos em intenção, a um grande feudo cultural que emite cultura para todo o país. De certa forma compreende-se, é a capital, mas a coisa escorregou para o exagero: parece que Lisboa emite para si própria, para o próprio umbigo, porque Lisboa interessa a Lisboa; o resto do país acompanhe se quiser. (Há, claro está, espaço para a produção de cariz regional, mas temos de perceber a diferença entre uma e outra coisa).


Há ainda a questão do mercado viciado. Há monopólios em certa áreas, como se sabe. E os monopólios nunca são bons: acaba-se sempre por cair no erro da visão unilateral, que se torna vigente durante algum tempo e mais tarde apodrece, sem que os próprios se apercebam.


Falta, em nosso entender, uma lufada de ar fresco. Falta que o país se aperceba que existe mais além de Lisboa, que Portugal é riquíssimo em cultura e diversidade; falta dar a conhecer pessoas fantásticas de outros lugares; falta mostrar que cidades como Braga, Coimbra e Guimarães são grandes em todos os aspectos e também fervilham de actividade cultural. E claro, há que deixar bem claro que ténis é um desporto (e não um tipo de calçado) e que “imperial” não é senão uma marca de chocolates.


Haverá na cidade de Porto mercado e lugar para uma empresa que aposte na produção de conteúdos audiovisuais (apenas textos, ideias e guiões) abrangendo as áreas do teatro, TV, rádio, publicidade, imprensa, internet, etc.? A nós parece-nos o lugar ideal, não só por sair do raio de acção viciado da capital, como por gozar de outro espírito, com menos competitividade agressiva, com maior abertura de ideias, por viver o dia-a-dia com outros olhos.

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola reforçado com destacamento itinerante

Manuel Serrão

Lisboa e a Caixa Geral dos Impostos

 

 

 

 

500 milhões ou 400 milhões pouco importa. Não são estes 100 milhões ( coisa pouca...) que fazem a diferença.

 

Também o suposto aumento do endividamento da Câmara de Lisboa ( a Câmara mais endividada do país...) não é o que faz a diferença.

 

Quem tentou situar a polémica nestas duas vertentes sabia bem o que fazia , sabendo melhor que não é nada disto que está em questão e que é fortemente criticável.

 

400 ou 500 milhões que se pedem de empréstimo para pagar dívida vencida ( e não pagam toda , que Lisboa tem muitos mais credores...) claro que não contribuem para o aumento do endividamento da Câmara. Como até servem para fingir que o diminuem se se apresentarem engenharias fantasiosas sobre as taxas de juro do antes e do depois.

 

O que faz realmente a diferença  (e foi camuflado com a discussão estribada nas duas vertentes referidas...) é a forma como a Caixa Geral de Depósitos se prestou a esta habilidade do ex- ministro socialista e actual presidente da CML..

 

È nesta passadeira que a CGD ( que é de todos nós e não só dos lisboetas...) estendeu à Câmara de Lisboa ,  quando para o resto do país o que faz é tirar o tapete , que reside a grande diferença que nos choca a todos e que torna o negócio que deu à costa em Lisboa uma vergonha nacional.

 

Com as restantes Câmaras portuguesas enfiadas numa camisa de sete varas, há sempre um Vara em Lisboa disponível para abrir os cordões à bolsa aos amigos do partido capital.

 

Que falta nos faz um génio como António Silva capaz de reeditar hoje o Costa da Caixa como o remake do Costa do Castelo. Mas em termos do cinema português o que está a dar são obras primas como aquela em que dá a cara ( entre outras coisas ,  ao que me dizem...) a pequena actriz que foi mandatária  da juventude do António Costa na campanha de Lisboa.

 

Não é que isto anda tudo ligado ?

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Marisqueira do Miguel - Matosinhos City

 

Manuel Serrao

A propósito da bela princesa Zinaida Iussupova

 

Aproveitei o fim-de-semana para ir ver a exposição do Hermitage sobre a arte e cultura nos dois séculos dos Romanov. Dei o tempo por muito bem empregue.

 

Sai do Palácio da Ajuda hipnotizado pelo intensidade do olhar e pela desarmante e calma beleza da princesa Zinaida Iussupova, retratada por François Flameng, e convencido de que é boa a ideia da ministra da Cultura de instalar no nosso pais um pólo permanente do mais famoso dos museus russos, o Hermitage de S. Petersburgo.

 

Os museus representam nos tempos modernos o mesmo que as catedrais na Idade Média. São templos de culto, lugares de peregrinação, ícones de afirmação do orgulho das cidades.

 

E, nesta era da globalização, as marcas mundialmente reconhecidas e admiradas possuem uma enorme capacidade de atracção, como ficou demonstrado pelo estrondoso sucesso que o Guggenheim de Bilbau alcançou ao repetir a fórmula de sucesso que celebrizou o seu pai nova-iorquino. A saber, arte contemporânea enroupada por uma marca prestigiada e embalada por uma espectacular peça de arquitectura.

 

Há uma dúzia de anos não passava pela cabeça de ninguém ir passar um fim-de-semana a Bilbau. O Guggenheim foi a poderosa alavanca que colocou a cidade basca no mapa dos destinos turísticos europeus.

 

Apesar de essa não ser a opinião do «mainstream» português, que inveja os fundos que vão alocados a esse projecto, acho boa a ideia de Isabel Pires de Lima.

 

Já não acho boa a ideia do Governo de âncorar em Lisboa o pólo permanente do Hermitage em Portugal.

 

A Gulbenkian e a Colecção Berardo já são suficientemente atraentes para satisfazer os turistas, no segmento arte contemporânea, complementando a boa e variada oferta museológica de Lisboa, onde avultam pesos pesados, como o Museu Nacional de Arte Antiga ou o dos Coches, e pequenos museus de charme e nicho, como o Museu do Azulejo ou a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.

 

O exemplo do bom senso do Governo de Madrid, que escolheu Barcelona para receber os Jogos Olímpicos, Sevilha para a Expo e  Bilbau para o Guggenheim deve iluminar o Governo de Lisboa na hora de escolher onde instalar o Hermitage.

 

Não estou a pedinchar para o Porto o pólo do museu russo. Com Serralves, o Soares Reis e pequenas jóias como o Museu Romântico, a minha cidade está razoavelmente servida neste domínio.

 

Na incursão a Lisboa para ver a exposição da Ajuda, fiz uma escala nas Caldas da Rainha. E fiquei a pensar que a instalação na cidade de Bordalo do pólo português do museu russo seria um óptimo pretexto para recuperar os magníficos (e degradados) Pavilhões do Parque D. Carlos I. E que melhor companhia se poderia arranjar para o Hermitage do que o Museu José Malhoa?

 

As Caldas são uma ideia. Mas também pode ser Coimbra, Santarém, Guimarães, Beja, Bragança, Aveiro, Lagos, Évora, Viseu, Tomar ...

 

O que estou a pedir ao Governo é que deixe de teimar em meter os ovos todos no mesmo cesto (que ainda para mais está roto) e que no momento de decidir onde vai ficar o Hermitage não olhe para o mapa de Lisboa -  mas sim para o do Portugal.

 

Jorge Fiel

 

PS. Esta crónica foi publicada hoje no diário económico Oje www.oje.pt

 

A Ota está quase a chegar a Sacavém

 

O território de Portugal continental é, grosso modo, um rectângulo com cerca de 600 km de comprimento e 200 de largura, situado no lado mais ocidental da Europa. Penso haver um consenso geral no país sobre este resumo da nossa localização geográfica.

 

Mas este consenso volatiza-se quando se passa da teoria geral para a prática. No dia a dia, e vista de Lisboa, a geografia do nosso país modifica-se por completo, evoluindo do simples rectângulo para uma organização bem mais complexa com óbvias semelhanças ao Sistema Solar.

 

No centro, no lugar do Sol, está Lisboa (a região mais rica da Península Ibérica em termos de paridade de poder de compra) girando à sua volta três planetas: dois planetas anões, que lhe estão próximos, e um outro, enorme e distante como Neptuno.

 

Os dois planetas anões são o Alentejo (onde os lisboetas com contas bancárias mais desafogadas ou níveis de endividamento mais elevados têm o seu «monti») e o Algarve (destino de veraneio alternativo para as pontes e as férias da Páscoa e Verão). Trata-se de planetas poucos povoados, que dispõem de um clima agradável e têm uma serventia essencial de diversão.

 

A anos luz de distância está o terceiro planeta do Sistema Portugal, vulgarmente designado pelas expressões «lá em cima»  ou «província».  «Norte» é o nome politicamente correcto.

 

O planeta Norte é densamente habitado por gente que fala com uma pronúncia parola, tem um clima horrível (é frio e húmido e está sempre a chover) e muitas fábricas onde abusam do trabalho infantil – em vez de andarem na escola as criancinhas passam o dia a coser sapatos e roupas para a Zara.  O pessoal «lá de cima» diz muitos palavrões e tem a mania do futebol, onde só ganham devido às trampolinices do Pinto da Costa (mas isso vai acabar).

 

Não é simples estabelecer os contornos exactos do planeta Norte. Eles são realmente bastante difusos e alargados.

 

Durante os cinco anos em que chefiei a Redacção no Porto do Expresso recebi dezenas de telefonemas de colegas meus de Lisboa perguntando-me se era possível mandar um jornalista «dar uma saltada» a locais tão diversos como Vieira de Leiria, Monção, Tomar, Guarda, Mirandela, Termas de Monfortinho, Régua, Arganil, Fundão, Cantanhede, Viseu ou Alcafache.

 

Ou seja, tudo quanto está fora de Lisboa e não é Alentejo ou Algarve, integra o planeta Norte, cuja órbita está cada vez mais larga, afastando-se lenta mas inexoravelmente do Sol. E a força de gravidade exercida por atrai pequenos asteróides que se soltaram do grande planeta.

 

É o caso da Ota, que há muitos anos não passava de um satélite do planeta Norte, do qual se soltou entrando em rota de colisão com Lisboa. Quando a questão da localização do novo aeroporto foi recolocada, a Ota distava 66 km de Lisboa. Nos últimos estudos já estava só a 50 km. Não tarda nada, fica ali mesmo à saída de Sacavém…

 

Jorge Fiel

 

PS. Se quer poupar-se às maçadas sofridas por Galileu, deve abster-se de insistir com os lisboetas dizendo-lhes que o rectângulo Portugal faz parte do sistema Europa, com centro de gravidade em Bruxelas.

 

 

Como se destrói em 15 linhas o mito da Lisboa grande produtora de riqueza

 

  

Muita e boa gente está convencida, por deficiente interpretação das estatísticas do INE, que Lisboa é a região do país que contribui com a fatia de leão para a riqueza nacional.

 

É mentira!, digo eu, citando a expressão que está sempre na boca do meu colega e amigo Manuel Queiroz, desde que se levanta até que se deita.

 

Às vezes, os números são como as pessoas – e mentem.

 

Lisboa não produz um único kWh de electricidade.

 

Lisboa não fabrica um quilo de cimento.

 

Lisboa não transforma pasta em papel.

 

Lisboa não refina um litro de gasolina.

 

Mas Lisboa contabiliza como sua a riqueza produzida em todo  o país (e nalgumas partes do Mundo) pela EDP, Cimpor, Portucel e Galp, porque é na capital que essas grandes companhias têm a sede e pagam os impostos.

 

Jorge Fiel

 

 

O esparregado da capital

 

Uma das preocupações que tenho devidamente registado na maioria dos comentários que alguns lisboetas têm feito na Bússola, é a de saber se não há nada que eu goste em Lisboa.

 

Tirei a noite de hoje para sossegar esses espíritos..  Há de facto pelo menos uma coisa que eu acho que em Lisboa é muito bem feita : o esparregado.

 

Penso que o meu primeiro contacto com o esparregado lisboeta data de finais dos anos 70 , No palco do restaurante António , pertinho do velhinho Sheraton, a dois passos do Imaviz , a coisa mais parecida com um shopping  que eu me lembro de conhecer e onde existia uma discoteca à moda antiga em que tive o privilégio de participar em 2 ou 3 festas da Gente do Expresso.

 

O esparregado , como se sabe ,. não é carne, nem é peixe. nem é bem vegetal. É uma espécie que vegeta entre os verdes,  de que herda a cor e os farináceos com quem comunga a consistência. O melhor esparregado tem mais couve que farinha e todos sabemos que é com farinha que se fazem os bolos com que se enganam os tolos.

 

Curiosamente o esparregado da capital não engana e é isso que o torna único !

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola

Porto

Manuel Serrão

As estranhas formas do centralismo se manifestar

 

Domingo, no final do fim-de-semana prolongado, os efeitos perniciosos da macrocefalia manifestaram-se sob a forma de engarrafamentos com extensão superior a seis quilómetros nas entradas de Lisboa.

 

No mesmo dia e à mesma hora, entrei de carro no Porto pela A1, vindo de sul, sem nunca parar ou abrandar - e atravessei a ponte da Arrábida à confortável velocidade de 90 km/hora.

 

Na semana passada, a Direcção Geral de Impostos divulgou pela primeira vez as estatísticas referentes ao pagamento de IRS por concelho.

 

Ficamos a saber, sem surpresa, que quem paga mais são os residentes em Lisboa. Em média, cada família residente na capital paga  4.540 euros de IRS/ano.

 

Os outros dois lugares neste pódio são ocupados por concelhos da área Metropolitana de Lisboa: Oeiras (4.196 euros) e Cascais (3.995 euros). As famílias do Porto surgem estão em quarto lugar neste ranking de contribuintes, com 3482 euros/ano de IRS, ligeiramente à frente das coimbrãs (3.250 euros).

 

E, como não podia deixar de ser, os cinco concelhos onde se paga menos IRS situam-se todos a Norte do Douro: Mesão Frio (420 euros), Castelo de Paiva (424 euros), Santa Marta de Penaguião (430 euros), Sabrosa (441 euros) e Lousada (481 euros).

 

O centralismo tem estranhas formas de se manifestar. Ironicamente, manifesta-se sob a forma de engarrafamentos e de descontos mais elevados para IRS.

 

Não deixa de ser curiosa esta ironia. Mas a verdade é que não me parece muito provável que um pobre esfomeado sofra de colesterol elevado…

 

Jorge Fiel

  

 

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