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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Terceiro calhau a contar do Sol

O Sol vai engolir a Terra - garante um cientista português - mas isso não me aquece nem me arrefece, apesar de acreditar piamente que ele esteja cobertinho de razão. Tiago Campante estudou o enquadramento e futuro do Sol, a partir de uma análise de 500 estrelas do tipo solar, e concluiu que dentro de quatro mil milhões de anos a estrela central do nosso sistema vai aumentar de tamanho e de luminosidade de uma tal forma que os seus  raios atingirão a órbita do nosso Planeta, que desaparecerá num horrível Inferno.

Não me atrevendo a duvidar, por um só segundo que seja, do rigor científico da antevisão deste nosso compatriota, a verdade é que estou mais preocupado com as previsões do World Wide Fund for Nature de que se continuarmos a consumir a este ritmo os recursos naturais, em 2030 vão ser precisas duas Terras.

Há cerca de 90 anos, quando a Humanidade ainda vivia dentro dos limites renováveis do nosso Planeta (gastava apenas metade da capacidade regenerativa da Terra), John Maynard Keynes escreveu uma frase - "No longo prazo estamos todos mortos" - que teima em não sair de moda. Infelizmente, este desabafo tem servido de catecismo a uma série de desmandos, como está demonstrado pelo nível asfixiante da nossa dívida pública.

Apesar de completamente desresponsabilizante relativamente às gerações futuras, a elaboração em cima da máxima keynesiana é, sem dúvida, muito sedutora. Como no longo prazo estamos todos mortos, só nos devemos preocupar com o que a nossa vista alcança. Por isso, podemos endividar-nos e consumir alegremente como se não houvesse amanhã.

O problema é que o Mundo acelerou de tal maneira que o longo prazo se transformou em médio prazo e o curto prazo passou a ser já amanhã. 2030 fica já ali ao virar da esquina e, apesar das maravilhosas invenções que o cérebro humano tem sido capaz de gerar, penso que ninguém acredita que seja possível duplicarmos em menos de 20 anos os recursos naturais deste terceiro calhau a contar do Sol.

Por isso, seria inteligente dedicarmos pelo menos tanta atenção à conferência Rio+20, organizada pela Nações Unidas, como ao desfecho das novas eleições gregas, ao tsunami que varre a Banca espanhola ou à análise da nossa execução orçamental no primeiro trimestre.

Se não formos capazes de inverter os atuais (e vorazes) padrões de consumo, adotando uma vida mais austera, reduzindo a nossa pegada ecológica e poupando os cada vez mais escassos recursos naturais, a menor das nossas dores de cabeça será o aumento galopante do desemprego e o súbito empobrecimento provocado por uma eventual saída do euro.

O real problema é que a continuarmos assim destruiremos o nosso Planeta no curto espaço de duas ou três gerações. Ou seja, a Terra não durará os quatro mil milhões de anos necessários para ser engolida pelo Sol e dar razão ao nosso cientista.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Jornal de Notícias

Opte pela maçã de Alcobaça

Não sou fã de banhos de imersão. Passam-se anos sem tomar um. O meu duche matinal é rápido. Dura pouco mais de um minuto. E gosto dele mais para o frio do que para o quente. Não consumo, por isso, muita energia. Apesar disso, estou inclinado para seguir o exemplo da Susana Fonseca que, sempre que toma duche, guarda num balde a água que sai da torneira antes de ficar morna. "Sempre é uma descarga a menos que faço no autoclismo", explica a dirigente da Quercus.

O truque doméstico de meter uma garrafa vazia no depósito de água, para diminuir o desperdício na descarga do autoclismo, foi já incorporado pela indústria. A Cerâmica de Valadares produz e comercializa com sucesso uma sanita ecológica, que permite grandes poupanças de água. Não compreendo porque é que ainda não foi industrializada a ideia simples e genial de abastecer os depósitos das sanitas com as águas escoadas do lavatório.

De certo está familiarizado com o conceito de pegada ecológica e as suas assustadoras implicações. Seria impossível todos os habitantes da Terra terem um padrão de consumo igual ao nosso, pela simples razão de que os recursos naturais do planeta se esgotariam antes disso poder acontecer. Aterrador, não é?

Só há uma Terra. Os recursos são finitos. Temos de os poupar. Seria tremendamente egoísta continuarmos a comprometer irremediavelmente a qualidade de vida dos nossos filhos.

Caminhamos para a catástrofe se não mudarmos o paradigma de predação da Natureza. Há grandes decisões tomar, que infelizmente estão fora do nosso alcance, como, por exemplo, manter a Amazónia. Sabia que se a desflorestassem, em poucos anos deixaria de haver peixe, porque os oceanos são alimentados com a matéria orgânica que cai no rio e é transportada pelo Amazonas?

Mas podemos contribuir para salvar o planeta se incluirmos na nossa rotina diária pequenos hábitos como o de separar o lixo, fechar a torneira enquanto nos ensaboamos ou escovamos os dentes, não deixar o computador e os electrodomésticos em "stand by", usar lâmpadas eficientes, comprar apenas o indispensável, andar de transportes públicos e não ter preconceitos em recorrer a bens em segunda mão.

E, lembre-se, quando estiver a comprar maçãs, opte pela de Alcobaça. Não só por patriotismo, mas também por razões ambientais . Já pensou na enorme pegada ecológica, só em transporte e frio, de cada Royal Gala argentina?

Para as gerações futuras poderem beneficiar do conforto de abrirem a torneira e sair água, premirem o interruptor e fazer-se luz, temos de aprender a viver com mais frugalidade e menos sofreguidão. Quando comparamos os rankings do desenvolvimento humano com o da pegada ecológica, temos a surpresa de ver que Cuba é quem está mais próximo do ponto de equilíbrio. Surpreendente, não é?

 

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Jornal de Notícias

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