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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Para que serve o Presidente da República?

Há 1977 anos, na manhã de Páscoa, espantadas por verem o túmulo vazio, as mulheres piedosas foram informadas por um anjo da ressurreição de Cristo. Mais de 20 séculos volvidos, fez-se mais alguma luz sobre este episódio bíblico num fórum tão improvável como o debate televisivo entre Cavaco Silva e Defensor Moura.

“Para serem mais honestos de que eu, têm de nascer duas vezes”, declarou o algarvio, esperando pôr termo, com esta frase definitiva, ao massacre a que estava a ser submetido pelo adversário minhoto, a propósito do seu envolvimento e ligações à escandalosa fraude BPN, que nos vai custar pelo menos o equivalente ao TGV Lisboa-Porto-Vigo que tanta falta nos faz. 

Através desta epifania, ficamos a saber que a honestidade de Cristo e Cavaco estão niveladas, apesar do filho de Deus nunca ter sentido a necessidade de apregoar aos quatro ventos as suas boas acções, ao invés de Aníbal, que no debate com o camarada Chico Lopes (o que ia descalço para escola) se deixou levar pela gabarolice de recitar uma lista de benfeitorias cuja autoria reivindicou, da qual constam a compra da Auto-Europa para Palmela e a atribuição do 14º mês ao pensionistas (ambas as proezas cometidas com o nosso dinheiro).

A absoluta ausência de suspense relativamente ao desfecho, aliada aos diminutos poderes do cargo, levam a que a generalidade dos portugueses ligue tanto às eleições presidenciais como ao início da fase de grupos da Taça da Liga em futebol (ou seja, nada). Eu próprio só dei pela campanha por causa daquele episódio patético, contado pelo candidato Nobre, do miúdo pouco ambicioso que em vez de apanhar a galinha, estrafegá-la e mandá-la para o fundo do tacho, tentou tirar-lhe do bico um pedacinho de pão.

Acresce ser bastante questionável a necessidade do cargo de Presidente da República (PR), em particular num país que precisa desesperadamente de cortar nas despesas de funcionamento de um aparelho de Estado ineficiente e que sofre de avançada obesidade mórbida.

Razão tinham os deputados à Assembleia Constituinte de 1911, quando equacionaram a hipótese de não haver PR. Pena que tivessem acabado por criar o cargo, mas recorde-se que o rodearam de restrições como a obrigação do presidente pagar as despesas do seu bolso (renda do palácio de Belém incluída) e a proibição de se fazer acompanhar pela mulher nas cerimónias oficiais. E era eleito pelo parlamento, que podia demiti-lo antes do termo do mandato.

A maior parte das pessoas ultrapassa a idade dos porquês por volta dos dez anos.  Como ainda não consegui passar essa fase, gostava que alguém me explicasse para que é que serve, em Portugal, o Presidente da República?

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

O JOVEM CAVACO

 

  

Quem me conhece far-me-á justiça em relação às opiniões que eu possa manifestar sobre o actual Presidente da República.

Não se trata só da minha profunda convicção de que não é esta a forma de Chefia de Estado que melhor defende uma Democracia moderna como a nossa, num contexto de globalização como é o também o nosso.

Trata-se também de uma substantiva, quase inultrapassável diferença de perspectiva cultural que nutro (às vezes penso se injustamente…) com este Presidente da República desde que ele, com aquele ar provinciano de que se recordarão, resolveu fazer a rodagem de uma qualquer carripana até à Figueira da Foz.

Sempre me inquietou negativamente o paternalismo do Professor, aquele “nunca me engano e raramente tenho dúvidas” que tal como nos tempos da outra Senhora teve o condão de sublinhar a indolência e a preguiça dos portugueses, tão bem entregues que estavam em tão infalíveis mãos.

Mas a verdade é que Cavaco Silva tem uma virtude cada vez mais rara na política portuguesa – tem uma integridade e um sentido de responsabilidade e de serviço quase inabaláveis que contrastam gritantemente com os seus pares na política, com quem, de resto, nunca conviveu.

É verdade que não tem o chiste nem o “golpe de asa” de outros Estadistas que a história imortalizou. É verdade também que chega já a ser cansativa esta versão de Presidente “Geleia” (lembram-se do personagem de Jô Soares?) que por escrúpulo à letra ou ao espírito da Constituição parece não ter ou não querer ter qualquer opinião ou compromisso.

Mas também é verdade que a democracia portuguesa só com Cavaco Silva logrou sair do estado de indigência e da consequente vulnerabilidade sócio-politica,  motivados pelos excessos do período revolucionário.

Para além de salvar o País da bancarrota económica e política, Cavaco Silva teve ainda outras virtudes. As mais conhecidas prendem-se com as infra-estruturas que criou. As mais valiosas prendem-se com outras coisas como um verdadeiro sentido de descentralização política e administrativa (ditado talvez pelas suas origens algarvias) e a atenção que deu à Juventude Portuguesa, criando um sistema organizativo e um conjunto de instrumentos e medidas que constituem o que de bom se fez em Portugal em termos de Política de Juventude.

Na altura de Cavaco Silva, quer com Couto dos Santos, quer com Marques Mendes, a Juventude constituía uma verdadeira prioridade política. Hoje (não falo deste Governo, mas também dos anteriores) com dificuldade sabemos enumerar um medida na área da Juventude ou sequer que detém no Governo essa responsabilidade.

Cavaco Silva reunirá amanhã com Jovens líderes de diferentes Organizações de Juventude.

Como anunciou no discurso que proferiu no 25 de Abril está preocupado com o divórcio entre os Jovens e a Politica, preocupação confirmada por um estudo recente levado a cabo pelo  Centro de Sondagens da Universidade Católica Portuguesa.

Suponho que Cavaco Silva já percebeu que o defeito está mais do lado da Politica do que dos Jovens.

A expectativa sobre os resultados e a leitura que deles fará o actual Governo,  não diminuem já o grande mérito de um Presidente que parece disposto, desta vez, a reafirmar o Seu compromisso sincero  com a Juventude Portuguesa e com o Futuro de Portugal.

 Salvé Professor!

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 

  

 

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