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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

António Gonçalves

O irmão mais velho foi futebolista profissional no Boavista. O mais novo distinguiu-se como internacional de voleibol pelo Leixões. Lá em casa alguém tinha de estudar a sério. Depois de ter falhado por três décimas a entrada em Arquitectura, Tozé arrastou-se sete anos pelo curso de Engenharia Civil, enquanto cá fora reunia os conhecimentos, experiência e competência que fariam dele um pioneiro da indústria de videojogos em Portugal

 

Como o filho do meio

rompeu o cerco paterno

 

Nome:  António Gonçalves

Idade:  41 anos  

O que faz: Director geral da Seed Studios

Formação: Frequentou Engenharia Civil (FEUP) e fez o curso de Design Assistido por Computador na ESAD (Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos), para além de uma data de cursos profissionais de fotografia, realização cinematográfica, representação e interpretação teatral, etc   

Família: Casado, tem um filho de cinco anos, o Manuel Maria, que tem um PS3 adora videojogos

Casa: Andar recuado no Paço da Boa Nova, em Leça da Palmeira (Matosinhos)

Carro:  BMW 320 D, com cinco anos

Telemóvel:  Blackberry (“para usar mesmo como telefone”) e IPhone

Portátil:  Asus ( mas vai mudar para Mac)

Hóbis:  Adora videojogos, mas esclarece que quando está a divertir-se com o War Craft (o seu jogo preferido), na PS3, também está a trabalhar. Duas vezes por semana (domingos e às terças), joga futebol de sete com os amigos. Gosta muito de cinema, que consome maioritariamente em casa   

Redes Sociais: “O Facebook é fantástico mas tenho pouco tempo para lá estar”

Férias:  Como não gosta do Algarve na época alta (“é muita confusão”), faz lá praia em Junho, o que este ano até dá jeito porque tem já encomendado um irmão para o Manuel Maria, que deve vir ao mundo em Agosto. O ano passado estiveram 15 dias na praia de S. Rafael, junto a Albufeira. Em Agosto gostam de viajar para destinos diferentes, como Açores, Tailândia ou Madeira. Tem prometida à mulher uma viagem a Nova Iorque – “Talvez para o ano!”   

Regra de ouro: “O que mais valorizo é o carácter. A seguir, a humildade, honestidade e ambição – que não deve ser confundida com ganância. Depois, vêm a criatividade e capacidade de trabalho”

 

Se não fosse o filho do meio muito provavelmente não seria agora um dos pioneiros da indústria portuguesa de videojogos, responsável pelo jogo mais caro de sempre jamais produzido no nosso país – o Under Siege, para PS3, cuja produção custou 1,4 milhões de euros e que começou esta semana a ser vendido na loja online da Sony, nos Estados Unidos.

Quis o destino que António (Tozé para os amigos) fosse o filho do meio do casamento entre uma doméstica e um funcionário do porto de Leixões – e que o Jorge, o irmão mais velho, se tornasse profissional de futebol (jogou na I Divisão ao serviço do Boavista) e que Armando, o mais novo, se salientasse no voleibol, onde acumulou internacionalizações.

António ainda alinhou a extremo esquerdo, nos juniores do Leixões, mas teve de arrumar as botas no ano da passagem a sénior. Naquela família alguém haveria de estudar e foi a ele que saiu essa fava.

Foi contrariado que se inscreveu em Engenharia Civil, na FEUP, onde se demorou sete anos sem concluir o curso. “Engenharia não tinha a ver com as minhas capacidades”,explica Tozé, que falhou por três décimas a entrada em Arquitectura, para onde, um ano depois, pediu sem sucesso a transferência – “Havia seis vagas, eu fiquei em sétimo”..

Mas não pensem que mandriava enquanto se arrastava pela rua dos Bragas. Arranjou um part time na Cinerama, uma produtora onde foi homem dos setes instrumentos (assistente de câmara, operador, editor…) e fez o curso de Design Assistido por Computador, na ESAD, enquanto se iniciava nas artes da 3D.

Ainda universitário, fez a sua primeira empresa (Urbimagem, especializada na produção de maquetes em 3 D para gabinetes de arquitectura), onde não aqueceu o lugar devido a divergências com os sócios. Partiu para outra, a Miragem, de Henrique Oliveira (o ex-Táxi agora na HOP), que o contratou como responsável pela 3D da série Major Alvega.

Em Outubro 1997, mal acabaram as aventuras televisivas do aviador,  Tozé, com 27 anos, dá uma volta à sua vida. Vai dar aulas de Materiais e Tecnologia para a ESAD de Matosinhos, ganhando assim tempo para pensar e criar.

Seis meses volvidos, estava a criar a Linha de Terra (LT Studios),  que fez a maquete em 3D do Estádio do Dragão e se iniciou no mundo dos jogos por causa de uma encomenda do Euro 2004. Tozé reuniu à sua volta competência na área de jogos (Filipe Pina, Bruno Ribeiro, Jeffrey Ferreira). Não acertaram à primeira (o jogo para o Euro 2004) nem à segunda (um jogo para PC intitulado Holy War), mas apenas à terceira. Em 2006, foi criada a Seed Studios, um spin off da Linha de Terra vocacionado para a produção de videojogos.

Após ter feito três jogos para Nintendo DS (Sudoku for kids, Aquatic Tales e Toy Shop Tycoon), a Seed aventurou-se a jogar na I Divisão e começou a namorar a Sony, propondo-se a fazer um jogo, o Under Siege, para a PS3.

“Apesar de termos uma equipa de 20 pessoas a trabalhar em full time no jogo, o projecto atrasou-se um ano. Tivemos todos os problemas que possa imaginar, desde técnicos, até burocráticos, operacionais e financeiros. Aconteceu-nos de tudo. Mas agora, para nós, fazer um videojogo já não tem segredos”, conclui Tozé, que espera  alcançar três milhões de euros de vendas com o Under Siege e está empenhado em apoiar a criação de uma industria portuguesa de videojogos, sector que desde 2009 já factura mais do que o cinema e a música juntos.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

João Ferreira Gomes

 

A vocação para a Arquitectura começou a revelar-se no jeito para desenho e no gosto por brincar com legos. Confirmou-se com o incêndio do Chiado. Ainda adolescente, na Buraca, ajudou ao balcão de uma drogaria e fundou a Trombeta, um jornal local. Antes de ir para a faculdade, trabalhou na Dun & Bradstreet, um emprego que abriu uma nova janela na vida deste arquitecto que ganha a vida a vender janelas eficientes 

 

O arquitecto que ganha a vida

a vender janelas eficientes

 

Nome:  João Ferreira Gomes

Idade:  38 anos  

O que faz: Presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Janelas Eficientes (ANFAJE) e director comercial e de marketing da Caixiave

Formação: Licenciado em Arquitectura   

Família: Vive há oito anos em união de facto com uma socióloga que tem um negócio de moldes de plástico

Casa: Apartamento em Linda-a-Velha, Oeiras

Carro: VW Passat  

Telemóvel:  Blackberry (“que nos deixa viciados…”)

Portátil:  Tsunami (“fabricado em Portugal pela JP Sá Couto”, sublinha)

Hóbis:  Gosta de dar passeios ao ar livre (“evito ir a centros comerciais”), visitar exposições e ir ao cinema – é frequentador assíduo da Cinemateca, Gulbenkian e CCB     

Redes Sociais: Facebook, que vai actualizando através do Blackberry

Férias:  Não se mete no avião para fazer praia. “Da minha casa, em Linda a Vela ponho-me na praia de Carcavelos em menos de dez minutos”. Prefere fazer férias culturais. O ano passado esteve 15 dias em Nova Iorque. No anterior andou entre Moscovo e S. Petersburgo. Este ano talvez vá à China

Regra de ouro: O caminho faz-se andando

 

 

O incêndio do Chiado, que o apanhou no 9º ano, levou-o a tomar contacto com o mundo da Arquitectura e teve o condão de lhe acender a vocação. Ainda adolescente, começou a acompanhar os planos para recuperar a zona ardida, riscados por Álvaro Siza Vieira, o autor da edifício que João mais aprecia – o Pavilhão de Portugal - apesar que achar deplorável que se mantenha sem funções há mais de uma dúzia de anos.

Não entrou à primeira. O acesso a Arquitectura exige médias elevadas e os 92%, com que se candidatou eram curtos. Para ser admitido precisava de ter 98%. Como o dinheiro não abundava em casa, enquanto se preparava para a segunda tentativa de entrar no curso que queria, arranjou emprego, respondendo a um anúncio do Expresso Emprego que pedia um business analyst .

Durante um ano trabalhou na Dun & Bradstreet, a recolher informações comerciais, fazendo telefonemas e espiolhando à lupa relatórios e contas de centenas de empresas. Além de dinheiro, ganhou experiência e uma visão mais alargada da vida e do mundo.

Filho mais novo (o irmão, oito anos mais velho, é polícia) do casamento de uma doméstica com um responsável pela doca de Alcântara, João fez o secundário no Liceu Nacional de Queluz, onde o seu jeito para desenho deu logo nas vistas.

“Passava as aulas a desenhar. Nos primeiros dez minutos aprendia, depois distraía-me a desenhar caricaturas dos colegas e professores”, recorda João, acrescentando que por causa disso foi acumulando faltas de castigo, pois nem sempre os professores apreciavam a sua veia artística. Os primeiros sinais da vocação que o levou a arquitectura manifestavam-se nesta queda para o desenho e no gosto por brincar com legos, que ainda mantém (“Ofereço legos aos meus sobrinhos e depois aproveito e sou eu que os monto”, conta).

Desenrascado, cedo começou a ganhar dinheiro. Com 14 anos, nas férias grandes, arranjou um biscate ao balcão de uma drogaria ao pé de casa. E depois, num rasgo precoce de empreendedorismo, dinamizou o grupo de colegas do bairro que fundou um jornal local, a Trombeta, financiado com as receitas de publicidade angariadas junto dos comerciantes da Buraca.

Mas quando finalmente entrou na faculdade, teve de abandonar os ganchos. “O curso de Arquitectura é excelente, mas um full time job. Nos outros podia estudar-se de véspera. No nosso tinha de ser o ano inteiro”, conta João, que herdou do pai o seu primeiro carro, um Fiat 127 preto, com uma risca laranja, que fez mais de 250 mil km sem uma única avaria, e que ele, nas descidas, punha em ponto morto para poupar gasolina.

Acabado o curso e o estágio (no atelier de Nuno Leónidas), ainda fez alguns pequenos projectos de arquitectura, para familiares e amigos, mas logo reparou que o trabalho era pouco e a concorrência grande, pelo que tinha de se virar para outro lado. Começou por promover as torneiras Oliva, tendo como patrão Ludgero Marques, antes de em 1999 desaguar no mundo das janelas.

“Além das vantagens em segurança e isolamento acústico, ter janelas eficientes permite uma poupança até 40% em aquecimento e ar condicionado”, explica João Ferreira Gomes, que além de trabalhar, desde 2004 no departamento comercial da Caixiave (empresa de Famalicão que é  líder ibérica em janelas em PVC), fundou a Associação Nacional de Fabricantes de Janelas Eficientes, para ajudar a superar as debilidades de um sector muito atomizado e que carece de inovação permanente.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

Pedro Guimarães

 Quis ser polícia, lavou carros, distribuiu auto-colantes, foi caddy, carregou e descarregou camiões, montou palcos para os Rolling Stones e The Cure, criou uma software house. Até que tropeçou na rua num antigo colega da faculdade que tinha uma empresa chamada PacSis e precisava de alguém que lhe desse uma mão, durante duas ou três semanas, na preparação de uma exposição sobre a Apollo XIII…

 

A viagem atribulada e engraçada

de um patriota romântico

 

 

Nome:  Pedro Guimarães

Idade: 42 anos

O que faz: Director geral da PacSis

Formação: Uma cadeira atrasada do 4ª ano (Investigação Operacional) separa-o da licenciatura em Gestão, pelo ISEG

Família: Casado uma antiga colega de turma, com que começou, aos 18 anos, um namoro que durou mais de dez anos. Têm duas filhas

Casa: Andar em Alfragide, que se vê da varanda do escritório da PacSis

Carro:  A6 (carrinha), com cinco anos de idade

Telemóvel:  iPhone

Portátil:  Toshiba

Hóbis:  “O que é isso?” Adora muito de ler. “Livros são a prenda mais frequente que dou e recebo”. Lê de tudo, desde ficção histórica a não ficção, passando por técnicos, revistas, etc . “Não sou obcecado por nada”.Também gosta de ir ao cinema (parte importante do namoro com a mulher foi passado nas salas do Quarteto)   

Férias: A rotina consiste em duas a três semanas de férias de Verão, em Portugal, repartidas por vários locais – a praia da Rocha, no Algarve (onde os sogros têm casas), Baiões, S. Pedro do Sul (em casa dos pais)  e Reguengos, no Alentejo. “Nas férias gosto de passar os dias sem fazer nada”. No resto do ano fazem pontualmente escapadas pelo país, nos fins de semana

Regras de ouro: “Honestidade, fiabilidade, espírito de equipa, vontade de aprender e trabalhar. Não se pode ser preguiçoso, nem ficar mais ou menos satisfeito com o trabalho que fizemos. Cada um tem de se preocupar em ser o melhor que puder em tudo o que faz”

 

Aos três anos queria ser polícia. Já adolescente, adorava História, mas escolheu Económicas por não achar sexy a perspectiva de passar o resto da vida a dar aulas. Lavou carros, foi caddy, montou palcos para os Rolling Stones e passou pela publicidade, até aterrar na PacSis, empresa de marketing especializada em promoções e na gestão de vales de desconto.

Ao longo dos seus 42 anos de vida, Pedro cumpriu à risca o conselho de Agostinho da Silva: “Não faças planos para a vida para não estragares os planos que a vida tem para ti”.

“Sou um patriota romântico”, diz, num auto-retrato a la minuta, este empresário descomplexado (“Não me importo nada de ir fazer café, tirar fotocópias ou passar aqui uma noitada a ajudar os meus colegas”), acrescentando: “Vivemos num mundo difícil e exigente. Mas tem sido uma viagem engraçada”.

A viagem começou em Luanda, onde nasceu em 1968 (o ano em que começou a florescer a breve Primavera marcelista), filho de uma professora de liceu (dava Português, Inglês e Alemão) e de um geólogo que deixou o seu nome associado à estrada da Serra da Leba, uma das mais emblemáticas obras da engenharia portuguesa.

Retornada a Portugal, a família deitou âncora na Linha. Pedro fez o liceu entre Paço de Arcos e Oeiras, enquanto, à míngua de mesada, se ia desdobrando em diversos biscates.

“Sempre quis fazer coisas. Habituei-me a suportar as minhas despesas. Fiz de tudo, desde lavar carros a distribuir auto-colantes do posto médico, passando por carregar os sacos dos jogadores de golfe, na sua maioria estrangeiros. Ganhar um tanto por volta, recebia gorjetas e praticava o inglês”, conta.

A fluência em inglês foi-lhe muito útil na ocupação seguinte que consistiu em criar com uns amigos uma empresa especializada em fazer o back office dos mega-concertos das digressões de estrelas rock que tocaram o nosso país, entre o final dos anos 80 e os 90.

Descarregavam os camiões TIR, montavam o palco e voltavam a carregar tudo. Estrearam-se com Gary Moore, no Dramático de Cascais, e foram por adiante, sendo os homens por detrás da cortina das memoráveis actuações em Alvalade de Rolling Stones, The Cure, Iron Maiden, entre outros.

No entretanto, lá ia progredindo no curso, que achou engraçado. “Viviam-se os tempos esperançosos dos primeiros anos do governo Cavaco, cheios de orgulho por termos ultrapassado a Grécia. A escola estava a modernizar-se, ainda funcionava a dois tempos, mas a cultura dominante era que o seu papel não devia ser formar empregados mas sim empreendedores”, recorda.

Andava pelo 4º ano quando começou a trabalhar numa agência de publicidade e a negligenciar os estudos. Era claro que a vida planeava que ele fosse empreendedor. Em 1995, após ter passado três anos como sócio de uma software house, tropeçou na rua num antigo colega, que tinha uma empresa de serviços de marketing para o grande consumo, chamada PacSis, e precisava de alguém como ele para lhes dar uma mão na preparação de evento para um cliente (Omega) - uma exposição sobre a missão da Apollo XIII nas Amoreiras e CascaiShopping.

Foi o início de uma bela amizade empresarial. Pedro foi parar a PacSis para dar uma mão, durante duas ou três semanas. 16 anos depois ainda lá está, como sócio, e transformou a empresa, especializando-a na gestão de vales de desconto e em todo o tipo de promoções, ou, para ser mais preciso, “na gestão operacional das ferramentas de marketing promocional e directo”.

Solange Ribeiro

A Matemática inviabilizou-lhe o sonho de fazer Arquitectura. Direito foi um recurso e um pesadelo. Não estava feliz e resolveu seguir o conselho do pai, que lhe perguntou: “Se não estás bem, porque é que não mudas?”. Uma boleia a uma amiga levou-a até ao IPAM. Apaixonou-se à primeira vista pela escola. Doze anos depois, está a fazer o Marketing de uma escola de Marketing 

 

 

Deu uma boleia e acabou a fazer

o Marketing da escola de Marketing

 

 

Nome:  Solange Ribeiro

Idade: 31 anos 

O que faz:  Directora de Marketing do grupo Talent, que, entre outras coisas, compreende o IADE e os IPAM do Porto, Aveiro e Lisboa

Formação: Licenciada em Gestão de Marketing pelo IPAM, com um mestrado em Marketing de Serviços feito no IADE (2008)

Família: Casada, tem dois filhos, o Vasco, sete anos, e a Matilde, quatro. Tem com o marido -  que competiu em motocrosse (ela própria também participou em algumas provas) - uma empresa que promove eventos relacionados com motas e motociclismo

Casa: Apartamento na Praia das Maçãs, em Sintra

Carro:  A3 ou A4 (um é dela outro do marido, e vão variando). Têm também um Honda na garagem

Telemóvel:  Blackberry

Portátil:  Toshiba

Hóbis:  Brincar com os filhos no parque, pinhal e praia. Ouvir música, no carro (anda entre a música alternativa da Antena 3  e a Rádio Comercial, por causa do Markl). Na televisão gosta de ver séries do AXN (CSI Miami e Nova Iorque,  Mentalista…)   

Redes sociais: Linkedin e Star Tracker. Não tem Facebook – “Tenho resistido…”

Férias:  Passam sempre 15 dias no Algarve, ou no Vau ou em Tavira. O ano passado fizeram um fim de semana prolongado em Milão, sem os filhos. Dos seus planos fazem parte umas férias em Bali

Regra de ouro: “Ser apaixonada por aquilo que faço. Se eu gostar muito, está tudo bem”

 

 

Uma banal boleia foi responsável pelo momento decisivo da vida de Solange, uma rapariga de Almoçageme (Sintra), que, após uma experiência de pesadelo em Direito, andava de nariz no ar a decidir-se em que curso apostar.

No secundário, feito entre Colares e Amadora (“Mudei para lá para sair da zona de conforto”, explica, acrescentando que a vida dela passou a ser bastante mais desconfortável pois tinha de apanhar o comboio das sete da manhã J), foi óbvio que tinha jeito para desenho e só desistiu da ideia de ir para Arquitectura quando os professores lhe explicaram que iria apanhar muita Matemática pela frente.

Direito foi um recurso e uma seca tremenda. Guarda péssimas recordações do ano que lá andou. Estar sentada numa mesa cheia de calhamaços e sem conseguir navegar pela matéria. Aulas em anfiteatros com 300 pessoas. Pouca (para não dizer nenhuma) atenção por parte dos professores. Dois chumbos na oral de Direito Constitucional (“Precisava de sete, davam-me 6,5…”). Resumindo e baralhando: não era feliz. Nesta curva da vida valeu-lhe o pragmatismo do pai.

“Se não estás bem porque é que não mudas?”, perguntou-lhe o pai, um comercial que trabalhava a representação dos fornos para a indústria de panificação da Bongard Iberia.

Solange resolveu mudar e andava mergulhada na prospecção da oferta de cursos (e com uma ligeira inclinação para tentar Comunicação Social) quando um belo dia de Setembro, deu boleia para Lisboa, no seu Citroen Saxo cinzento, à Andreia, a uma amiga que tinha de ir ao IPAM pagar a primeira propina.

“O IPAM era na Rovisco Pais, junto ao Técnico. Nunca teria ido lá parar por mim”, reconhece Solange, que enquanto Andreia resolvia o seu assunto foi coscuvilhando as instalações e conversando com a professora (Catarina Ferreira) encarregada das admissões. Foi coup de foudre. 15 minutos bastaram para ficar apaixonada pelo curso de Gestão de Marketing.

“Encantou-me ser um curso muito prático e a proximidade com os professores, duas coisas que contrastavam com Direito, onde não se sentia acompanhada e ninguém me explicava nada. Pensei logo: OK é por aqui, vais pensar produto!”, recorda Solange.

Nas questões de dinheiro, sempre foi uma rapariga desembaraçada e habituada a lutar pela auto-suficiência. Ainda adolescente, nas férias grandes arredondava a mesada a trabalhar em antiquários, feiras e colónias de férias. Mais tarde, já universitária, arranjou emprego numa agência de publicidade, a Pink (“a principio foi caricato porque nem um fax sabia mandar”), onde se demorou dois anos. “Sabia muito bem receber o dinheiro em notinhas dentro de um envelope”, lembra.

Ainda fez um estágio de seis meses com a equipa de Tecnologias de Informação da Tracy International antes de concluir o curso e de ser convidada a ficar a dar aulas no IPAM, primeiro da cadeira de Comunicação Institucional depois de Gestão de Comunicação e Publicidade.

“As oportunidades são para se agarrar”, diz Solange, explicando porque é que em 2008 aceitou o convite para suceder a Carlos Sá (administrador do IPAM) no lugar de director de Marketing de um grupo com 4000 alunos, 450 professores e 17 cursos distribuídos pelo IPAM e IADE.

“O IPAM é a escola de Marketing. O IADE é a universidade criativa”, sintetiza Solange, que aterrou de pára-quedas no IPAM, por ter dado uma boleia a uma amiga, e que adora dar aulas e fazer o marketing de uma escola de marketing.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias 

Catarina Alves

Sem o saber, o irmão mais novo mudou-lhe a vida ao levar para casa da família, em Monção, uma cachorrinha rafeira que achara na rua. Ela tinha 14 anos, um bom coração, e apaixonou-se por animais para todo o sempre. Trocou o sonho de ser pediatra pelo de ser veterinária, que acabaria por transformar em realidade na UTAD. Em Vila Real, fez amizade com outra Catarina e o Miguel, sócios na aventura de criarem o seu próprio emprego abrindo uma clínica veterinária no Grande Porto

 

A cachorrinha rafeira que mudou

a vida da rapariga com bom coração

 

Nome:  Catarina Alves

Idade: 32 anos  

O que faz:  Médica veterinária e Sócia da Clínica Veterinária de Águas Santas (Maia, Porto)

Formação: Licenciada em Medicina Veterinária

Família: Casada (o marido é gestor) sem filhos, mas com dois gatos, o Gatuso (que ela tirou da rua) e uma gatinha vadia que uma senhora entregou na clínica e ela adoptou. De vez em quando, os gatos recebem a companhia da Graf (uma rafeira que a clínica adoptou no primeiro dia de actividade) e do Tobias (um Epagneul Breton, que era do pai do seu sócio Miguel, e como era muito medroso era péssimo para a caça). “Quando ficam lá em minha casa, dormem junto com os gatos e o Gatuso dá-lhes a boas vindas com turras nos focinhos”  

Casas: Apartamento em Águas Santas

Carro:  VW Golf na versão carrinha para transportar os cães e gatos

Telemóvel:  Nokia

Portátil:  Asus

Hóbis:  Viajar, jantar fora e ir ao cinema (“Pelo menos de 15 em 15 dias vamos ao Arrábida, que preferimos porque com 20 salas dá mais escolha”)   

Redes sociais: Tem Facebook mas não vai lá todos os dias

Férias:  Passa sempre 15 dias em Caminha, onde a família tem casa. Em Setembro, usando como pretexto a irmã estar a fazer um mestrado no Norte de Itália, deram uma volta de carro que começou em Milão e acabou em Veneza, com escalas no Lago Como, Suíça e Áustria. Em Maio vão a Marraquexe – já têm a viagem comprada na Ryanair

Regra de ouro: Todos os dias é preciso fazer algo para “mimar” a felicidade.

 

A culpa foi do irmão mais novo que levou lá para casa uma cachorrinha, adorável e completamente rafeira, encontrada na rua. Catarina tinha 14 anos e apaixonou-se pela cadela, baptizada Pipa. Ela já estava habituada a dar-se com a bicharada, pois o avô tinha uma quinta com cavalos e cães. Mas era a primeira vez que tinha a seu cargo a vida e conforto de um animal doméstico. Dois anos depois da Pipa (já falecida), adoptaram a Guga, achada a vagabundear pelo meio da linha de caminho de ferro em Caminha.

Os animais vieram para ficar na vida de Catarina, nascida há 32 anos em Monção, a capital do vinho Alvarinho, filha do meio do matrimónio de uma professora primária com um advogado – a mais velha seguiu a carreira do pai, especializando-se em Direitos Humanos, enquanto o mais novo, o que a viciou em animais, se quedou pela terra natal, dirigindo A Terra Minhota, um jornal fundado há 60 anos pelo avô.

A meio da adolescência, Catarina já tinha uma ideia bastante clara sobre a sua vocação. Como queria auxiliar os seres humanos indefesos, que não sabem como pedir ajuda, começou por encarar a hipótese de ir para Medicina e depois especializar-se em Pediatria, antes de mudar a agulha e tomar a solene de decisão de ser médica veterinária.

Como o último teste de Química lhe correu muito mal e os 17,2 valores de média se revelaram curtos para entrar à primeira em Medicina Veterinária, na UTAD, inscreveu-se em Zoologia por onde passou por um cometa antes de ser aceite, na 2ª fase, em Novembro, no curso que queria. “Fui praxada duas vezes”, conta, em jeito de balanço dos danos colaterais da pequena desgraça que foi o último teste de Química não lhe ter corrido bem.

Mudou de Monção (Minho), para Vila Real (Trás-os-Montes), onde cedo fez amizade com outra Catarina (Silva) uma rapariga do Porto que se tornaria namorada (primeiro), mulher e sócia (depois) de Miguel (Mateus), um rapaz de Tomar.

Enquanto andavam na universidade, várias vezes os três falaram na hipótese de fazerem juntos uma clínica. Mas se fossem desafiados a isso, não apostariam dinheiro em como esse sonho se viria a tornar em realidade.

No final do curso, os caminhos dos três amigos bifurcaram-se. A nossa Catarina e Miguel estagiaram, durante um trimestre, para a Washington State University, em Seattle (EUA), enquanto a outra Catarina viajou para Barcelona.

De regresso a Portugal, arranjaram uns biscates nem muito atraentes nem especialmente bem remunerados (Catarina, por exemplo, fazia as tardes na Clínica Catassol). Um belo dia, estavam à conversa no café Velasquez (Porto), onde paravam, quando desenterraram o velho projecto de fazerem a sua própria clínica.

Começaram por pensar ir para Leiria. Depois reconsideraram o pressuposto inicial que não havia mais espaço para mais uma clínica veterinária no Grande Porto. Fizeram e refizeram as contas, bateram a todas as portas em busca de apoios, gastaram solas à procura de um local, até reunirem os 200 mil euros necessários para transformar em clínica um antigo stand de automóveis, em Águas Santas, Maia.

“Achávamos que as coisas iam ser mais fáceis”, confessa Catarina, olhando para os quase seis anos que se passaram desde a abertura da clínica, a 25 de Julho de 2005. Não foi fácil. Mas as centenas de gatos (com infecções urinárias ou vitimas de quedas) e de cães (com problemas de pele ou vitimas de atropelamento) que trataram compensam largamente esses espinhos.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

Cristóvão Cunha

 

Uma maravilhosa máquina de calcular Casio, em que tropeçou quando passeava em Oxford Street, mudou por completo a vida de um jovem adolescente que sonhava ser engenheiro químico. Trocou as experiências num laboratório doméstico pela iniciação, em regime auto-didacta, nos segredos da programação Basic. Nascia um empreendedor na área das novas tecnologias, que nem Jardim Gonçalves conseguiu desencaminhar

 

O miúdo que se apaixonou por

uma máquina de calcular Casio

 Idade: 46 anos  

O que faz: Director geral Voxtron Ibérica

Formação: Licenciado em Engenharia de Sistemas Decisionais, pela Cocite, em 1987, formação de base a que acrescentou cursos nas áreas da Gestão e Marketing Relacional

Família: Casado, tem três filhos (15, 13 e 12 anos), sendo que a mais velha quer ser médica como o bisavô

Casa: Andar em Sete Rios, Lisboa

Carros:  Audi Q 7 e um Mercedes SLK descapotável

Telemóvel:  iPhone

Portátil:  Mac Book Pro (é um fã da Apple)

Hóbis:  Joga ténis pelo menos três vezes por semana, entre o CIF e o Clube 7 (onde faz ginástica regularmente, em especial aulas de alongamento). Está a preparar-se para voltar ao golfe. E gosta muito de viajar

Férias:  Miami (Palm Beach) e Algarve (o Sheraton Pine Cliffs, “vou para lá há 16 anos, é como se fosse uma segunda casa”) são os seus dois sítios preferidos para fazer praia. Dos seus planos de curto prazo, fazem parte um safari no Kruger, com os filhos, e uma viagem romântica às Maldivas com a mulher  

Regra de ouro: “Corpo são, mente sã. Se por causa da chuva diminuo a carga de exercício físico noto logo que o meu raciocínio fica mais lento, menos musculado”

 

O clique deu-se algures em Agosto de 1980, quando parou na montra de uma loja de Oxford Street, com o olhar preso numa calculadora Casio. Foi coup de foudre. “Apaixonei-me logo por aquela máquina cheia de botões”, conta Cristóvão.

Passou fome nos últimos dias da viagem a Londres dos finalistas do Liceu Camões, pois torrou na compra da máquina de calcular quase todo o dinheiro que tinha.  E não descansou enquanto não descobriu as funções de cada um das teclas. A informática estava num ponto de viragem. Estava a acabar a era dos cartões perfurados. E na sua espantosa Casio, em regime de absoluto auto-didactismo, iniciava-se no maravilhoso mundo da programação Basic.

“Fiquei fascinado”, confessa. Mudou logo a agulha do percurso académico. AC (antes da Casio) queria ser engenheiro químico e divertia-se em casa a fazer experiências num laboratório. DC matriculou-se em Engenharia de Sistemas Decisionais.

Mais velho dos três filhos do casamento de um quadro da Nestlé com uma húngara que conhecera em S. Paulo (onde família se refugiara após a tomada de poder pelos comunistas), Cristóvão nasceu no Porto, mas cresceu nas avenidas novas, em Lisboa, atravessando a adolescência a frequentar o Apolo 70 e o Imaviz, entre sessões de cinema no Monumental.

Revelou-se bastante venturosa a mudança da Química para a Informática, operada pela Casio, que lhe proporcionou notas altíssimas a todas as cadeiras de Estatística e Matemáticas Aplicadas até que, no 3º ano, colegas invejosos fizeram queixa dele aos professores, que desconheciam ser possível ter as fórmulas todas alojadas na memória da máquina…

Rapidamente começou a converter os conhecimentos em dinheiro. Ainda universitário, já orientava formação, prestava serviços de consultadoria e dava os primeiros passos como empreendedor, fazendo jogos para o ZX Sprectrum, que depois vendia nas lojas.

O negócio das cassetes de jogos (com capas bonitas, ilustradas fotografias de naves espaciais e outras coisas do género, pois ele já tinha a noção da importância do marketing) prosperou ao ponto de ter de por o irmão (engenheiro mecânico e professor no Técnico) a trabalhar para ele – e permitiu-lhe comprar, quando andava no 4º ano, o seu primeiro carro, um Fiat Uno 55 S, branco, com jantes especiais e vidros fumados.

Acabado o curso em 1987, foi muito requisitado para orientar a avalanche de acções de formação financiadas pelo Fundo Social Europeu e tinha já uma boa carteira de clientes quando um dia, a jogar golfe em Belas, foi desafiado pelo parceiro (um engenheiro chamado Jorge Jardim Gonçalves) a embarcar na aventura da fundação do BCP.

Terrível dilema, que o torturou até se decidir a ficar com os clientes e continuar empresário desenvolvendo vários negócios nas áreas da tecnologia e informática, o mais recente dos quais é a comercialização na Península Ibérica dos sistemas inteligentes de contact center fabricados na Bélgica pela Voxtron, um software aberto que corre em equipamentos de diferentes marcas e dá inteligência às centrais telefónicas.

“Quando uma ATM fica sem papel, notifica logo o nosso sistema, que automaticamente liga ao responsável por aquela máquina informando-o do que está a acontecer”, exemplifica Cristóvão, acrescentando que o grande valor acrescentando do sistema Voxtron consiste em dispensar a telefonista e fazer com que o telefone passe a ser parte integrante da gestão da empresa.

Jorge Fiel

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Joana Roque do Vale

 

Estava escrito nas estrelas de que ia ganhar a vida a transformar as uvas em vinho. Nasceu em Lisboa, cresceu entre Torres Vedras, Évora e Beja. Agora vive em Vila Real e não raros são os dias em que faz mais de mil quilómetros ao volante da sua carrinha Passat. Uma breve história da vida enóloga da Roquevale

 

A nómada que não escapou

ao destino de viver do vinho

 

Nome:  Joana Roque do Vale

Idade: 37 anos 

O que faz: Enóloga e directora de exportação da Roquevale

Formação: Licenciada em Engenharia Alimentar, pela Escola Superior Agrária de Beja, fez dois estágios na Escola de Enologia de Bordéus 

Família: Casada, tem dois filhos, o Artur, nove anos, e o Pedro, sete

Casas: Moradias em Vila Real e Évora

Carro:  Carrinha VW Passat que já fez mais de 330 mil quilómetros desde que a comprou em Dezembro de 2003

Telemóvel:  Samsung

Portátil:  Toshiba

Hóbis:  Não tem tempo para hóbis. Descontrai aos fins de semana na quinta da família, em Torres Vedras, em reuniões de amigos   

Redes Sociais: “Tenho resistido muito a aderir. Uso o Skype para falar a adega e o estrangeiro”

Férias:  Passa sempre a primeira quinzena de Agosto numa casa que a família tem  na praia da Luz (Algarve), a menos de cem metros do mar. “Aproveito para não pegar no carro durante 15 dias”

Regra de ouro: Máxima liberdade, máxima responsabilidade – tanto em casa como no trabalho

 

Apesar de ser uma força de expressão, pode muito bem escrever-se que Joana nasceu com o vinho a correr-lhe no sangue. Os bisavôs, do lado materno, já faziam vinho, que comercializavam com as marcas Casal do Castelão e Quinta Manjapão. Ela ainda se lembra do avô, com 86 anos, andar com o carro carregado de caixas de vinho para venda. E ela tinha dez anos quando os pais transformaram a quinta alentejana da família (a Herdade da Madeira, no Redondo) na base de operações da Roquevale, famosa pelos vinhos Tinto da Talha e Terras de Xisto.

Joana nasceu em Lisboa, no último ano antes do 25 de Abril, mas cresceu e fez-se mulher entre Évora, Torres Vedras e Beja. A sua actual geografia de vida não é muito mais simples, pois apesar da sua primeira residência ser em Vila Real, mantém quartos com a cama feita (e uma escova de dentes na casa de banho) em Lisboa, Torres Vedras e Évora.

Este nomadismo, que só pode atrapalhar os técnicos do INE encarregados do Censos, obriga-a passar longas horas ao volante da sua Passat. “Há dias em que chego a fazer mil km”, confessa.

Para ela, férias grandes foram sempre sinónimo da azáfama das vindimas, pelo que se pode dizer que estava escrito nas estrelas que iria ganhar a vida a transformar as uvas em vinho. Mas ainda resistiu. ”Para ter outras saídas”, quando acabou o secundário, em vez de ir para lá do acidentado Marão, fazer o Enologia na UTAD (Vila Real), preferiu quedar-se pela planície alentejana e cursar Tecnologia das Indústrias Agro-Alimentares, onde estudou vinhos mas também azeite, conservas, etc.

Mas o vinho não a largou. No final do curso, o estágio curricular levou-a até à Herdade do Esporão, “era uma das adegas tecnologicamente mais evoluídas”, onde trabalhou na vindima de 1995, aprendendo com enólogos famosos como David Baverstock, Luis Duarte e Richard Mayson. E rendeu-se ao seu destino.

Aperfeiçoou em Bordéus os seus conhecimentos, antes de finalmente começar a trabalhar com o pai, na Roquevale, a ganhar 60 contos/mês. “Fazia de tudo. Andava com as mangueiras às costas, subia às cubas, carregava as sacas de ácido tartárico…”, recorda.

Na altura eram menos de meia dúzia e faziam 200 mil litros de vinho/ano. Hoje são 34 empregados permanentes e produzem anualmente três milhões de litros. Esta viagem foi pilotada por Joana, que, no entretanto, casou, completou em Beja a licenciatura em Engenharia Alimentar, teve o seu primeiro filho (o Artur, que andava com ela para todo o lado, adega incluída), acumulando as funções de enóloga com as de directora comercial para os mercados externos.

A Roquevale inovou ao fazer o bag-in-box com a marca Alecrim (“Poupam-se seis garrafas, seis rolhas e pode estar dois/três meses aberto e não se estraga”), alargou o portefólio de marcas e cresceu na exportação (onde escoa 23% da produção, sendo que Brasil e Macau são os principais mercados).

Entretanto os pais reformaram-se e foram viver para a Herdade da Capela, em Pias, e como, não conseguiam estar quietos, logo fizeram um vinho, o Monte da Capela, onde Joana dá uma mão.

“Sempre gostei mais de tintos do que de brancos”, confessa Joana, acrescentando que o seu próximo desafio é fazer um vinho com o marido (o enólogo transmontano Luís Soares Duarte), “uma coisa pequena, para dar e vender aos amigos, não é para fazer negócio” - e declarando não estar preocupada com a conjuntura económica: “Nas alturas de crise bebe-se mais vinho”.

Jorge Fiel

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Joana Figueiredo

 

Desistiu de ser veterinária quando o pai a avisou que podia acabar num matadouro. Descobriu o Marketing através do irmão artista, que estudava no IADE. Trabalhou ao balcão de um loja de decoração, na contabilidade de uma construtora, na venda de aspiradores Rainbow  e numa empresa de comunicação antes de desembarcar, há oito anos, no Wall Street Institute, onde é responsável pelo Marketing ao nível ibérico

 

A mulher que vai pôr os espanhóis

a responder: “Por supuesto, I do!”

 

Nome:  Joana Figueiredo

Idade: 36 anos  

O que faz: Directora de Marketing  ibérica do Wall Street Institute

Formação: Licenciada em Marketing, com uma pós graduação em Gestão, no ISCTE, em 2007 (“É sempre bom voltar à escola”)

Família: Casada com um empresário, tem um filho com um ano e meio de idade

Casa: Andar na Estrela, Lisboa

Carro:  Citroen Picasso

Telemóvel:  iPhone

Portátil:  Dell

Hóbis:  Ir todas as semanas ao cinema (Amoreiras), estar com os amigos e viajar – há muita África nas rotas que já fez, S. Tomé, Namíbia, África do Sul, Moçambique…   

Redes Sociais: Facebook (“porque tem de ser, mas contrariada” e Linkedin (“Porque quero”)

Férias:  Entre Fevereiro e Março, costuma fazer uma semana na neve, por norma nos Alpes franceses. No Verão, faz parte da rotina passar uma semana na praia, em Moncarapacho, no Algarve. Ao longo do ano consegue arranjar sempre tempo para um short break, em Roma ou Paris. Este ano vai dar uma saltada à Áustria, aproveitando o pretexto do irmão (João, que é artista plástico) ir fazer uma exposição em Viena

Regra de ouro: “Carpe Diem”

 

 

“Vais acabar a trabalhar num matadouro ou, na melhor das hipóteses, numa clínica para cães e gatos”. Foi com esta frase, brutal mas hiper-realista, que o pai lhe tirou da cabeça a ideia de ser veterinária.

Nascida no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, no ano do 25 de Abril, filha mais nova (o irmão é quatro anos mais velho) do casamento entre dois empregados de escritório que se conheceram no mundo dos electrodomésticos (ambos trabalhavam na AEG), Joana sempre teve bom coração e adorou a bicharada.

Teve hamsters, periquitos, coelhos, um cão chamado Kiko (que tirou da rua) e, no início da adolescência, começou a privar com cavalos, no Jockey Club, o que só lhe reforçou a ideia de ser médica veterinária quando fosse grande.

Para a salvar da desorientação quanto ao futuro, em que caiu após o pai lhe ter desfeito o sonho de ser veterinária, valeu-lhe João, o irmão mais velho, que lhe trouxe do IADE, onde estudava, uns papéis a propósito de um curso de Marketing.

Habituou-se a ganhar o dinheiro para os seus alfinetes a atender dondocas numa loja de decoração (que no entretanto fechou), para os lados do Rato, durante os três meses das férias grandes de intervalo entre o final do secundário, feito no Maria Amália (Joana cresceu em Benfica) e o ano de caloira no IADE.

Fez o essencial do curso à noite. Durante o dia trabalhava na contabilidade de uma empresa alemã de construção civil, emprego que lhe foi duplamente útil, pois não só aprendeu coisas que lhe serviriam no futuro, como ainda por cima amealhou o dinheiro necessário para comprar o seu primeiro carro, um Fiat Punto cinzento escuro, que curiosamente lhe permitiu tomar consciência do terrível facto de que em meados dos anos 90 o Marketing não era ainda uma actividade conhecida por aí além…

Ia ela um dia, toda lampeira, no seu Punto, junto ao Estádio da Luz, quando um carro descuidado lhe bateu. No preenchimento da papelada, o polícia perguntou-lhe a profissão. Quando ela respondeu “estudante de marketing”, ele retorquiu: “Isso não existe”, o que a levou a sugerir: “Então ponha aí que sou cozinheira”.

Curso acabado (“sai-se com pouca prática”, comenta), passou à prática, Primeiro numa empresa de comunicação, onde se ocupou de marketing directo, tornando-se familiar com ferramentas básicas como mailings e call centers. Depois, viveu uma experiência engraçada, trabalhando três anos no negócio da venda directa de aspiradores Rainbow, que, nas suas próprias palavras (ela ainda têm um!), “fazem tudo mais um par de botas”.

“Podia ser divertido, mas não era a minha praia”, diz Joana para explicar a mudança, em 2003, para o Wall Street Institute, onde, ao longo dos últimos oito anos foi fazendo alpinismo na hierarquia até chegar a responsável pelo Marketing para toda a Península Ibérica.

Tal como os irredutíveis gauleses, da saga criada por Goscinny e Uderzo, Joana Figueiredo só tem medo que o céu lhe caia em cima da cabeça. Não teme uma boa controvérsia. De outra maneira não abençoado a campanha de Mupis que o Wall Street Institute tem em curso, em que a cara de Zezé Camarinha aparece em bonecos com o corpo de Mourinho, Obama ou Sócrates, a dizer frases icónicas, tais como: “Aprender inglês vai tornar-te Special”, “Sim, tu consegues aprender inglês” ou “Aprender inglês é porreiro pá”.

António Freitas

Não foi à primeira que acertou com a vocação. Escolheu Artes, que trocou pela Economia, antes de aterrar no Marketing. Uma breve história do quarto de século de vida do filho do meio do dono dos Transportes Freitas, que foi DJ e piloto de automóveis antes de reconverter  num espaço cool e multiusos, denominado Creme, uma discoteca do Edifício Transparente, no Porto

 

O DJ que andou pelas corridas

antes de montar o seu negócio

 

Idade: 25 anos  

O que faz: Sócio-gerente do Creme, que acumula as valências de café, clube, restaurante e esplanada, localizado no Edifício Transparente, entre a praia e o Parque da Cidade, no Porto

Formação: Está a fazer o curso de Marketing no IPAM, depois de ter desistido de Gestão, quando andava no 2º ano

Família:  Solteiro

Casa:  Vivenda em Rebordões, Santo Tirso

Carros:  dois BMW (Z4 e 535D) e um Ford Escort

Telemóvel: Blackberry

Portátil:  Mac

Hóbis:  Desde que pôs entre parêntesis a sua carreira de piloto de ralis, diverte-se a pôs música (electrónica, de dança e soul), como dj. Compra muita música na Fnac. Antena 3 e Rádio Nova são as suas estações preferidas. Também gosta de nadar – durante seis anos foi nadador de competição em Santo Tirso    

Redes sociais: Linkedin, ASmallWorld e Orkut

Férias: No ano passado não teve férias por causa do Creme. Há dois anos esteve em Florianópolis. Este ano vai até Miami, onde tem uns amigos. “Não gosto de praia. Nem de férias calmas. Para mim, as férias não são para descansar”  

Regra de ouro: “Integridade, objectivos, coragem, humildade e entusiasmo”

 

No princípio foi a música. António tinha 16 anos, acabadinhos de fazer, quando começou a pôr música em discotecas, não só durante as férias algarvias mas também no Vale do Ave, onde nasceu e cresceu. Primeiro foi por graça e de graça, mas não demorou a passar a cobrar dinheiro – e não ganhava mal (150 euros/hora).

“A partir de determinada altura achei que devia ser recompensado pelo tempo que gastava a preparar-me. Para as pessoas ouvirem a música que passava na rádio não valia a pena estar eu ali nos pratos”, explica António, um DJ que apesar de não ter escolhido um nick apelativo (AFreitas) brilhou em discotecas como a Pedra do Couto, uma das coqueluches da noite de Santo Tirso e arredores.

Baptizado com o nome do pai, António é o irmão do meio dos três filhos de uma família que já trabalha em transportes há três gerações. Começou pelo avô, que se dedicou ao transporte de carga geral, continua com o pai (que especializou a Transportes Freitas na distribuição de combustíveis), e João, o seu irmão mais velho, que após se ter licenciado em Economia na Católica, trabalhou em Lisboa na Galp antes de voltar a Santo Tirso para ajudar no negócio de família – onde até a mãe trabalha, nos escritórios.

Não foi à primeira que António descobriu a vocação. Após ter completado o 9º ano, em Guimarães, matriculou-se no 10º ano em Arte, em Santo Tirso, com a perspectiva de seguir para Arquitectura ou Design Industrial. Depressa pôs de lado essas ideias. “Não era bem daquilo que eu estava à espera. Tinha muita teoria”, explica.

Mudou a agulha para Económico-Social, completando o 12º nesta área, na Vila das Aves, vencendo os trajectos casa-escola-casa montado numa scooter, enquanto debutava à noite a sua carreira de DJ, que acabou interrompida pela erupção de uma outra paixão: as corridas de automóveis .

Mal fez 18 anos, não descansou enquanto não tirou a carta e começou a conduzir, na observância da legalidade, o VW Carocha 1302 que o pai tinha parado na garagem. Aos 20 anos, António já era dono de um Mini Cooper S (de 1963), e estreava-se nas pistas em Vila Real, ao volante de um Datsun 1200, alcançando um honroso 7º lugar, entre 20 concorrentes, na corrida de clássicos.

Da velocidade saltou para os ralis, onde competiu com um Ford Escort RS Mark II, que lhe deu vitórias e pódios. No ano passado, o último em que correu, ficou em 2º lugar no campeonato da sua classe.

No entretanto, concluído o 12º ano, mudou para o Porto, onde andou no curso de Economia na Católica até constatar que se tinha enganado mais uma vez e que “não era bem aquilo que queria”.

Foi o momento das grandes decisões. Mudou de Economia para Marketing, que acaba para o ano (“À terceira é de vez”, garante), deixou as corridas e investiu no seu primeiro negócio, transformando uma discoteca do Edifício Transparente num espaço polivalente (restaurante, café, bar, esplanada), baptizado Creme, um local cool e que nos jovens adultos e adultos a sua clientela alvo.

“A ideia é rentabilizar o espaço e tirar partido da sua localização privilegiada, entre a praia e a o Parque de Cidade, através da oferta sucessiva de serviços variados, desde as dez da manhã até às duas ou quatro da madrugada”, explica António, acrescentando que a última etapa do seu plano de voo será  trabalhar na Transportes Freitas, o maior distribuidor oficial da Galp, e que tem 14 bombas de gasolina cobranded (Freitas/Galp).

Jorge Fiel

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Acácio Oliveira

Nasceu em Aveiro, acabou a primária em Pretória, debutou, aos 16 anos, como servente de pedreiro em Tours. Aos 25 anos já tinha feito dois filhos e uma construtora com o seu nome. Breve resumo da vida de um português que, após 30 anos emigrado, regressou à terra como empresário

 

A montanha russa da vida

de um português no mundo

 

Idade: 52 anos

O que faz:  Sócio gerente Decorplus

Formação: Ensino básico, completado na África do Sul 

Família:  Casado, tem três filhos, o mais velho tem 30 anos e trabalha na Holanda,  a do meio tem 27 anos e está na Irlanda do Norte (mas em Dezembro está de volta a Portugal), e o mais novo tem dez anos e é filho do segundo casamento

Casa:  Moradia em Esgueira, Aveiro

Carro:  BMW X5

Telemóvel:  iPhone 4

Portátil: Mac Pro

Hóbis: É caçador (um gosto trazido de França) e andar de moto -  tem uma Kawazaki Ninja 900 e sempre que pode vai às concentrações de motards

Férias: Como tem de ir muitas vezes em trabalho ao Algarve, evita ir lá nas férias. Para este ano não tem planos, mas gosta de fazer fins-de-semana um pouco por todo o pais, do Alentejo a Trás-os-Montes

Regra de ouro: “O rumo da minha vida é traçado no sentido do bem estar de todos os que trabalham comigo e de que não falte nada em minha casa”

 

Nascido em 58, em Oliveirinha (Aveiro), Acácio tinha oito anos e andava na 2ª classe quando embarcou na montanha da russa da vida ao subir para o avião que o havia de levar a Pretória, onde o pai, que fizera a tropa em Angola, buscava as oportunidades negadas pelo Portugal a preto e branco dos anos 60.

Era tudo diferente, mas ele gostou. Apreciou a disciplina da escola e tornou-se fluente em inglês. E, como é comum nos rapazolas da sua idade, sempre que o deixavam adorava ver o pai a trabalhar, fazendo o reboco e acabamento de casas.

Não chegou a completar seis anos na África do Sul, porque em 72 o pai achou que era melhor partirem para França. Às portas do Outono, deitaram âncora em Tours, onde tinham família que os ajudou nos primeiros preparos.

Era tudo diferente e ele estranhou. Não a língua, que aprendeu com facilidade (diz-se que o sotaque francês mais puro é o de Tours), mas tudo o resto. Para começar o frio, depois a escola. “Não me adaptei à escola. Era tudo à balda”, conta.

Como não dava na escola, não demorou a procurar emprego para juntar ao salário que o pai trazia para casa da siderurgia em que trabalhava. Aos 16 anos, debuta como servente, no bâtiment, mas oito meses volvidos já estava a ser promovido a pedreiro de 1ª. “Subi rápido, porque gostava de saber e aprendia depressa”, explica.

Ainda não tinha 19 anos completos e já levava para casa um salário maior que o pai, a chefiar uma equipa que levantava vivendas para uma empresa de um compatriota.

Casou com uma portuguesa de Lamego e revelou logo, com tenros 21 anos, o seu espírito empreendedor ao aceitar o desafio de um mecânico franco-checo para ambos tomarem conta de uma construtora que era do seu sogro..

Durante quatro anos geriu com sucesso a empresa do sogro do checo, enquanto construía aos fins de semana, a sua primeira casa, até que decidiu estabelecer-se, como resposta à interrogação: “Por que é que ando a fazer coisas para os outros em vez de trabalhar para mim?”

As Construções Acácio Oliveira progrediram de vento em popa (“Fazíamos cerca de 40 vivendas por ano. Cheguei a ter mais de cem empregados”, recorda) até que em 1986 foram abaladas pela falência do promotor imobiliário para quem trabalhava.

“Foi muito mau. Ficamos com muito dinheiro a arder. Felizmente que na altura os bancos ainda acreditavam nas pessoas e o Credit Agricole emprestou-nos o dinheiro para aguentar o golpe. Aprendi com esta contrariedade. Decidi que não iria trabalhar para mais ninguém. Contratei desenhadores e vendedores e passei a ter um gabinete de projectos”, conta.

Com esta nova estratégia reiniciou um novo ciclo de prosperidade que durou até que, em meados dos anos 90, levou um segundo soco no estômago, com a falência da clínica para feito a obra dispendiosa de recuperação de um castelo. Temendo que não houvesse duas sem três, decidiu deslocar para Portugal o centro da sua actividade.

Como não queria fazer mais construção, após se ter metido num negócio de aluguer de máquinas, optou pelos interiores, criando a Decorplus, uma empresa de design, com base em Aveiro, que factura três milhões de euros a fazer remodelações de lojas e estabelecimentos (pastelarias, cafés, restaurantes, hotéis, agências bancárias…) por todo o país. E às 450 casas que fez na região de Tours, Acácio já juntou 350 lojas em Portugal, que levam as impressões digitais.

Jorge Fiel

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