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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Relvas fez sexo com 13 anos?

Um amigo de Miguel Relvas encontra-o a jantar sozinho num restaurante e pergunta-lhe: "Então pá, estás a comer sozinho?". Ao que o ministro lhe responde: "Nãooooo, estou no meu jantar de curso". Esta é provavelmente a melhor anedota que recebi a propósito da turbolicenciatura. E só tive a cautela de escrever provavelmente porque também adoro aquela em que ele nos faz uma confidência: "Tive relações sexuais pela primeira vez aos 13 anos! Bem, na verdade só me masturbei, mas deram-me a equivalência".

Neste intervalo entre o final de um Euro que nos correu bem melhor do que esperávamos e as férias de verão, os desenvolvimentos picarescos da licenciatura de Relvas e a novela da contratação de Rojo pelo Benfica (e de mais uns 70 jogadores que vão desfilando pela capa dos desportivos como seus prováveis reforços) chegavam e sobravam para nos entreter até chegar a hora de irmos para a praia apanhar sol e dar uns mergulhos. Não era preciso o pessoal do Tribunal Constitucional (TC) ter-se incomodado em arranjar animação suplementar.

Eu até sou capaz de perceber que os juízes do Constitucional andassem chateados por lhes terem sacado o 13.o mês e o subsídio de férias.

Pondo-me no lugar deles, também teria ficado muito aborrecido com a degradação de imagem do tribunal provocada pela forma desajeitada como os partidos cozinharam as listas de candidatos à eleição de novos juízes pelo Parlamento, uma trapalhada que esteve meses em cartaz.

Os juízes do TC estavam mesmo precisados de fazer uma prova de vida e uma demonstração de poder - e não resistiram a esta oportunidade, apesar de se exporem à crítica de que julgaram em causa própria, já que são funcionários públicos e por isso parte interessada na matéria de saber se é ou não constitucional privar dos subsídios apenas os empregados do Estado.

Ainda não consegui entender por que é que temos tantos tribunais (Supremo Tribunal de Justiça, Tribunal Constitucional, Supremo Tribunal Administrativo, Tribunal de Contas e por aí adiante) e até desconfio que a inevitável compressão das despesas públicas passará pela supressão de alguns deles.

Mas ser capaz de compreender por que é que os juízes do Constitucional deram um murro na mesa não significa apoiar (antes pelo contrário) a decisão que obriga Vítor Gaspar a desencantar mais uns dois mil milhões de euros de receitas para o Orçamento de 2013.

Para compensar o ministro das Finanças e a generalidade dos contribuintes da maçada que lhe causaram, os juízes do TC brilhariam a grande altura se declarassem inconstitucionais os contratos ruinosos das parcerias público-privadas.

Não frequentei o curso de Direito (um dos vários em que parece que o camarada Relvas esteve inscrito), mas estou convencido que acordos secretos com os concessionários, para driblar o Tribunal de Contas, e contratos em que o risco é todo assumido pelo Estado, devem violar alguma coisa na Constituição.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Jornal de Notícias

'bora aí fazer filhos

A regra número 1 do zapping é que o praticante desta modalidade de sofá pára num canal se tropeçar numa cara conhecida e/ou bonita - ou numa cena de violência ou de sexo. Apesar de a maioria das pessoas não gostar de falar do assunto, penso que todos estamos de acordo em considerar o sexo uma actividade muito importante.

Um estudo da ONU prevê que em 2100 Portugal seja habitado apenas por 6,7 milhões de pessoas. A tendência para o envelhecimento e a quebra da taxa de natalidade farão que haja menos quatro milhões de portugueses na viragem para o século XXII. Se por uma estranha razão todos nos abstivéssemos de fazer sexo, o cenário seria ainda mais catastrófico e a nação extinguir-se-ia antes de poder comemorar dez séculos de história.

Discordo da doutrina dos católicos fundamentalistas de que só se deve fazer sexo para procriar. Ser um militante activo da luta contra a quebra da taxa de natalidade (tenho três filhos) dá-me moral para defender a prática do sexo pelo prazer do sexo - e, por isso, também do recurso à pílula, preservativo ou outros métodos contraceptivos para evitar uma gravidez indesejada.

Mas apelo a todos os casais em idade fértil para que contribuam activamente para inversão o miserável rácio de 1,33 filhos por mulher. Apesar de não constar das medidas da troika, temos de rapidamente atingir os dois filhos por casal, o mínimo para repor o stock.

Há que conferir uma dimensão patriótica às relações sexuais, tanto mais que apesar de estarem a diminuir os apoios à maternidade, Portugal foi considerado pela revista norte-americana Children como o 14.º melhor país do mundo para ter filhos, um ranking liderado pela Noruega e em que o Afeganistão ocupa o 172.º e último lugar.

Esta honrosa posição deve-se à ponderação de dados favoráveis, como os 82 anos de esperança média de vida das portuguesas, os 120 dias de maternidade de que beneficiam e, ainda, da baixa taxa de mortalidade infantil - até aos cinco anos de vida, apenas morrem quatro em cada mil crianças.

Andreia Leal, 37 anos, uma das celebridades instantâneas criadas pelos reality shows, anunciou estar grávida de um terceiro filho, usando a mesma táctica de comunicação de Sócrates na véspera da divulgação do programa da troika. "O pai da criança não é o meu actual namorado (Tiago Barreiros). Não é o Vasco (colega na Casa dos Segredos). Muito menos o Luís Azevedo, meu antigo namorado, porque não tive relações sexuais com ele. Também não é um cliente", disse a ex-acompanhante de luxo.

Na esmagadora maioria dos aspectos da sua vida, Andreia não é exemplo para ninguém. Mas no capítulo da maternidade, não podemos deixar de a saudar. 'bora aí fazer filhos para fazer crescer o PIB!

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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